Vivemos semanas complicadas
- ou ainda mais complicadas - na esfera política portuguesa.
Desde o anúncio das últimas
medidas de austeridade que, todos concordamos, não fazem sentido nem trarão
boas consequências para Portugal, a população portuguesa revoltou-se, bateu o
pé e disse basta!
Realmente, basta! Mas basta
do quê? Basta deste Governo ou basta deste tipo de medidas sem grande nexo?
Antes de entrar neste tema e
de responder às perguntas que coloquei, dizer apenas que a manifestação de
ontem foi, sem grandes dúvidas, e apesar de não ser adepto de manifestações e
muito menos de greves, a confirmação de que grande parte do país está realmente
cansado e farto de anos e anos de medidas mal medidas, passo a redundância, e
de falta de coragem para tomar outras urgentemente necessárias. Não foi só mais
uma manifestação por parte da extrema-esquerda e de uns quantos da
extrema-direita. Não foi só mais uma manifestação organizada e praticada por
sindicatos. Não foi só mais uma manifestação praticada pelos trabalhadores da
empresa A ou B. Foi, isso sim, uma manifestação que albergou pessoas de todos
os extractos sociais, de todas as idades e de todas as ideologias políticos. E
este último é talvez o ponto mais importante pois as manifestações costumam – e
bem, na minha opinião – estar conotadas aos partidos da esquerda e
extrema-esquerda. Ora, tal não aconteceu desta vez. As entrevistas de rua foram
prova disso mesmo.
Mas passemos ao tema que me
trouxe aqui: Basta do quê? Basta deste Governo ou basta deste tipo de medidas
sem grande nexo?
Pois bem, na minha modéstia
opinião, podemos estar deparados com um beco sem (grande) saída!
O Governo está sob fogo
cerrado, é um facto. Há muito por onde atacar e, neste momento, já ninguém se
lembra das medidas positivas que foram e têm sido lançadas nos últimos tempos
em várias áreas como a Educação e a Segurança Social. As medidas tomadas nas
áreas das Finanças e Economia são discutíveis, é claro, mas é um facto também
de que as primeiras medidas tomadas surtiram alguns efeitos muito positivos.
Exemplo disso é a descida a pique dos juros da dívida pública a 10, 5 e 2 anos.
Estes últimos dois chegaram a descer abaixo dos níveis que tínhamos antes de
pedir ajuda externa.
No entanto, o Governo tem
falhado em aspectos chave aos quais não poderia nunca ter fugido mas aos quais
irá sempre fugir. E na minha maneira de ver as coisas, a razão é muito simples:
Lóbis e interesses próprios falam mais alto!!!
Assuntos como as PPP’s, como
as despesas do Governo e da AR, como as despesas dos negócios de leasing para
os carros dos vários ministros – bem como a alta qualidade dos mesmos – como o
negócio das fundações e como muitas outras pequenas coisas que aos olhos de um
simples cidadão fariam diferença caso fossem mudadas, não sofreram qualquer
alteração!
Agora dizem-me: Mas não
seriam essas medidas que iriam resolver o nosso problema de dívida pública nem
pôr-nos de volta nos mercados.
Pois bem, em termos
orçamentais não faria grande diferença, é certo. Mas o objectivo não seria
esse, também. Estas medidas teriam como finalidade a satisfação do simples
cidadão. Fazendo um pequeno parêntesis, temos de ter noção, e isso foi visível
nos primeiros tempos de governação deste Governo até, que o português não se
importa de sofrer durante algum tempo – somos uma Nação habituada a isso – se o
futuro trouxer benesses e se virem que estão perante gente honesta. Ora,
medidas destas deixariam e dariam grande margem de manobra a qualquer Governo
para, depois disto, poder tomar algumas medidas de austeridade mais fortes. No
final de contas, é só uma questão de bom senso.
Salazar em 1928 cortou 25% do seu salario para dar o exemplo à sua Nação
de que não seria só o povo a sofrer com a grave crise que atravessavam. Um perfeito
exemplo!
Estamos então perante uma
balança com boas e más decisões onde, na minha opinião, o prato das más
decisões – ou falta delas – está bem mais pesado!
Apesar de tudo isto, não
podemos simplesmente gritar basta e pedir um novo Governo. Temos de pensar nas
consequências de tal acontecer e, só de pensar nisso, dá-me arrepios!
A suposta solução e a única
alternativa a este Governo será um Governo liderado pelo PS. Ora, nem o PS,
pelas suas ideologias, trará nada de bom nem António José Seguro é um bom
líder.
Não nos podemos esquecer de
uma coisa: Caso tudo isto se tratasse de uma história de terror, ela não teria
sequer começado a ser escrita se não tivessem sido os dois mandatos do PS e do
Sr. José Sócrates!
Dito isto, não me parece que
colocar de novo o PS na ribalta - apesar de PS e PSD saltitarem constantemente
de Governo em Governo - resolvesse os nossos problemas actuais e futuros. E
mesmo que o PS pudesse ser uma alternativa, teríamos o problema de António José
Seguro!
Tenho-o ouvido nos últimos
tempos e a sua demagogia, para além de causar risada e assustar qualquer um de
tão pouco inteligente que é, causa arrepios por fazer lembrar outro José, o
Sócrates.
Mais, António José Seguro,
seguindo a linha do PCP e do BE, cai no erro – vou acreditar que é um erro – de
apenas se dar ao trabalho de criticar! Então, quer ser Primeiro-ministro e só
critica? E alternativas? E medidas concretas? (daquelas que podem realmente ser
implementadas, não aquelas que o socialismo pensa que podem ser implementadas.)
Pois, não se vê….
Uma coisa é certa: Algo
estará para acontecer e, pelo que vejo e prevejo, o CDS terá uma forte
influência no que daí virá! De duas, uma: Ou o CDS abandona a coligação e abre
alas à queda do Governo, ao chumbo do OE e/ou a novas eleições ou, como já é
dito por alguns, há uma remodelação do modelo de coligação e tenta-se seguir
com o mandato governamental.
Se Deus quiser, estaremos cá
para assistir a tudo isso nos próximos dias!

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