quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Em recinto fechado

O local da festa do Pontal deste ano foi alterado à ultima hora. O que costumava ser uma festa aberta e com muito publico acabou por se tornar num comício fechado e destinado apenas aos militantes laranjas. 
As razões invocadas foram financeiras, mas ninguém acredita nisso. Os protestos que se fazem sentir no Algarve podem ter ditado a mudança de local.

Esta forma de enfrentar a "adversidade" é tipicamente portuguesa. Tal como as pessoas, os partidos reúnem-se em recintos fechados para discutirem o futuro da nação. Estando os partidos ao serviço do interesse público, os seus conclaves deveriam ser abertos. Este tipo de atitude leva ao natural afastamento das pessoas da participação cívica e política. 

Os partidos são constituídos por pessoas, logo é natural a criação de grupos fechados só acessíveis a certas e determinadas pessoas. Normalmente só quem tem a palavra-passe é que pode entrar e pior ainda, de quando em vez é necessário "ajudar alguém". 

A falta de sociabilidade e comunicabilidade dos grupos não faz bem à sociedade em geral. Esta não pode viver enclausurada no seu mundinho, não permitindo a entrada de pessoas estranhas ao serviço. É isso que tem acontecido nos principais partidos, onde o cacique político se costuma fazer nessas reuniões participadas apenas pelos alinhados. Os não alinhados têm de fazer o seu próprio caminho sozinho e encontrar maneira de fazer ouvir a sua voz. 

No entanto, esta forma de viver ou de organização faz parte de uma mentalidade portuguesa muito pouco desenvolvida. Também aqui estamos em crise, mas esta não tem possibilidade de ser ajudada. Nós somos assim, é a nossa genética.

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