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domingo, 12 de agosto de 2012

Da dita falta de cultura desportiva

Muito se fala em cultura desportiva, nomeadamente após mais um fracasso nos Jogos Olimpicos. Há quem considere que o dinheiro vai todo para o futebol. Não diria o dinheiro, mas a mediatização e o interesse está concentrado quase todo no jogo do relvado. Contudo, importa referir que é a nível do futebol que se obtiveram os melhores resultados em campeonatos do Mundo e da Europa. Poderei estar a ser injusto com atletas como Telma Monteiro, Patrícia Mamona, entre outros. 
O problema é que os Jogos Olimpicos são o culminar de um ciclo glorioso e espera-se que as atletas tituladas consigam superar as adversárias e não fiquem logo pela primeira eliminatória. 
Em Portugal o desporto está de boa saúde. Felizmente não existe aquela cultura de não fazer desporto. Qualquer pessoa tem o prazer e a vontade de praticar desporto, pode não o fazer a nível profissional, apenas pelo puro divertimento. 
Direi que não falta cultura desportiva mas sim competitividade. No fundo, ainda são poucos aqueles que optam por uma via desportiva a nível profissional. Se fizermos um exercício reparamos que não temos nenhum craque no ténis, golfe, atletismo, vela, surf...... isto mencionando os desportos a nível individual. Nas modalidades colectivas o cenário também não é animador. No voleibol, basquetebol, andebol e Hipismo não temos nem de perto nem de longe qualidade para disputarmos os Jogos Olimpicos. Repare-se que na duas modalidades referidas, Portugal há muito que anda arredado dos Jogos. Nem sequer consegue a qualificação para estar presente. 
Não havendo craques nas modalidades individuais e não tendo selecções com qualidade nos desportos colectivos, como será possível chegarmos aos Jogos e disputarmos medalhas? Para ganhar uma medalha é necessário alguma experiência e ter o andamento olímpico. Portugal como afirmei atrás, não passa nunca das qualificações. 
Em primeiro lugar, não existe vontade ou apoios suficientes para fazer nascer um craque no ténis ou no golfe. Em segundo lugar, não se consegue formar selecções fortes porque as modalidades não são mediáticas e por isso têm poucos praticantes. Basta reparar nos pavilhões vazios que ao longo da época pedem emprestado ao futebol público suficiente para criar ambiente. 
O problema não é de cultura desportiva mas de mentalidade competitiva. Cabe aos responsáveis federativos  procurar soluções para fortalecer as modalidades e não andar sempre a choramingar por causa dos apoios ao futebol. Se a fórmula resulta lá por fora, cá dentro não é seguramente diferente.


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