Fonte: Blog Mari Fuxico
No último dia 17 de maio, trinta e quatro universidades federais entraram
em greve no Brasil. E de lá para cá, mais universidades aderiram ao movimento,
de modo que até hoje já se contam cinquenta e sete universidades em greve.
Considerando que o Brasil possui sessenta e seis universidades federais, observa-se
que 85% por cento destas estão paralizadas, deixando mais de um milhão de
alunos sem aula.
As universidades federais são as intituições de ensino superior mantidas
pelo governo federal e, apesar de serem públicas – palavra que no Brasil possui
sentido pejorativo – ainda fornecem ensino superior de muita qualidade. Na verdade,
a qualidade de ensino nas federais está há anos luz da grande maioria das
universidades privadas.
Tanto é verdade que, antes da disseminação de universidades privadas pelo
país, o sonho de qualquer família era que seu filho vestibulando (aquele que
estuda para prestar o vestibular, a temida prova de ingresso nas universidades)
conseguisse entrar uma federal (maneira como nos referimos a estas
universidades no Brasil).
E era um verdadeiro evento passar no vestibular, ao ponto que os nomes dos aprovados eram
anunciados no rádio e as famílias faziam festas enormes para celebrar o feito. Hoje
em dia, já não é tanto assim, porque com as universidades privadas, o
vestibular perdeu o seu glamour. Mas a grande maioria continua sonhando com as
federais.
Curiosamente, até a criação das cotas raciais, sociais e do raio que o
parta, apenas os filhos de famílias abastadas, que sempre estudaram em escola
particular, conseguiam entrar nas federais, porque o ensino público fundamental
no Brasil é uma vergonha e, por isso, as pessoas que estudam em escolas públicas, salvo
raras exceções, não tem condições intelectuais de competir por uma vaga.
Enfim, voltando para o tema da greve, nota-se que não apenas os professores
entraram em greve, mas também o corpo administrativo e técnico. Como sempre, as
reinvidicações são as mesmas: melhores salários, melhores condições de trabalho
e um plano de carreira.
Apesar de entender que uma parte considerável dos professores
universitários federais – não a maioria felizmente – é pernóstica, arrogante e até mesmo
preguiçosa com vocação para pseudo semideuses do saber, pois como o emprego de
professor universitário se dá mediante concurso público e com estabilidade no
cargo, alguns se dão ao luxo de fingir que trabalham, acredito que a
reinvidicação dos professores é justa.
É uma vergonha para um país como o Brasil não ter um plano de carreira para
seus professores universitários e é ridículo pagar um piso de mais ou menos
639€ para pessoas com pelo menos formação de mestres, obrigadas a trabalhar em
estruturas físicas precárias.
E o mais engraçado de tudo é que, mesmo com a demanda por mão-de-obra
qualificada, o país cortou 1,2 bilhões de euros das verbas de educação. Por que
não seguimos o bom exemplo da Coréia do Sul? Como é que se quer ser uma
potência mundial deste jeito?
Larissa Bona


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