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terça-feira, 19 de junho de 2012

Greve dos Professores



No último dia 17 de maio, trinta e quatro universidades federais entraram em greve no Brasil. E de lá para cá, mais universidades aderiram ao movimento, de modo que até hoje já se contam cinquenta e sete universidades em greve.

Considerando que o Brasil possui sessenta e seis universidades federais, observa-se que 85% por cento destas estão paralizadas, deixando mais de um milhão de alunos sem aula.

As universidades federais são as intituições de ensino superior mantidas pelo governo federal e, apesar de serem públicas – palavra que no Brasil possui sentido pejorativo – ainda fornecem ensino superior de muita qualidade. Na verdade, a qualidade de ensino nas federais está há anos luz da grande maioria das universidades privadas.

Tanto é verdade que, antes da disseminação de universidades privadas pelo país, o sonho de qualquer família era que seu filho vestibulando (aquele que estuda para prestar o vestibular, a temida prova de ingresso nas universidades) conseguisse entrar uma federal (maneira como nos referimos a estas universidades no Brasil).

E era um verdadeiro evento passar no vestibular, ao ponto que os nomes dos aprovados eram anunciados no rádio e as famílias faziam festas enormes para celebrar o feito. Hoje em dia, já não é tanto assim, porque com as universidades privadas, o vestibular perdeu o seu glamour. Mas a grande maioria continua sonhando com as federais.

Curiosamente, até a criação das cotas raciais, sociais e do raio que o parta, apenas os filhos de famílias abastadas, que sempre estudaram em escola particular, conseguiam entrar nas federais, porque o ensino público fundamental no Brasil é uma vergonha e, por isso, as pessoas que estudam em escolas públicas, salvo raras exceções, não tem condições intelectuais de competir por uma vaga.

Enfim, voltando para o tema da greve, nota-se que não apenas os professores entraram em greve, mas também o corpo administrativo e técnico. Como sempre, as reinvidicações são as mesmas: melhores salários, melhores condições de trabalho e um plano de carreira.

Apesar de entender que uma parte considerável dos professores universitários federais – não a maioria felizmente – é pernóstica, arrogante e até mesmo preguiçosa com vocação para pseudo semideuses do saber, pois como o emprego de professor universitário se dá mediante concurso público e com estabilidade no cargo, alguns se dão ao luxo de fingir que trabalham, acredito que a reinvidicação dos professores é justa.

É uma vergonha para um país como o Brasil não ter um plano de carreira para seus professores universitários e é ridículo pagar um piso de mais ou menos 639€ para pessoas com pelo menos formação de mestres, obrigadas a trabalhar em estruturas físicas precárias.

E o mais engraçado de tudo é que, mesmo com a demanda por mão-de-obra qualificada, o país cortou 1,2 bilhões de euros das verbas de educação. Por que não seguimos o bom exemplo da Coréia do Sul? Como é que se quer ser uma potência mundial deste jeito?

Larissa Bona

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