Etiquetas

sábado, 16 de junho de 2012

14.3 História de Portugal: A Fuga do Rei




A partida da família real em 1807 a caminho do Brasil é talvez um marco ensombrado pelo epíteto da fuga e do medo. No entanto, a partida do rei e de parte da elite portuguesa teve como intuito salvaguardar a governação do reino e do império visto que após as conquistas na Europa, Napoleão colocara familiares seus nos tronos desses Estados. Salvaguardar a família real era pois salvaguardar o Estado, numa época em que o absolutismo ainda definhava e se anunciavam as revoluções liberais. D. João VI é já um rei que anuncia esse tempo. Apesar de grande parte do seu reinado se ter desenrolado no que ficou conhecido como absolutismo, desde cedo aprendeu a gerir o poder da Coroa nos anos da regência. Todo o seu reinado foi demasiado atribulado, anunciando não só o terramoto da independência do Brasil como a guerra civil que se lhe seguiu.
Resultado das invasões francesas, a partida da Casa de Bragança para o Brasil assegurou a manutenção da dinastia, mas não conseguiu travar o novo jogo geopolítico que acabou por se desenrolar até 1815 e que depois dessa data ditou a nova balança da Europa. Com o Brasil independente, consequência da estadia da família real e da elite portuguesa, Portugal passa para a periferia da nova geopolítica colonial e desenha-se deste modo a nova gestão de dependências económicas e financeiras.  

Sem comentários:

Share Button