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domingo, 20 de maio de 2012

Olhar a Semana - Abafar a Relva

Em Portugal e no mundo existe uma apetência especial para que os governos tentem sempre controlar a comunicação social. À medida que os órgãos de informação vão estando na mão de privados, o alvo da tentativa de influência já não é o Ministro responsável pela tutela mas o director do jornal, canal de tv ou mesmo blogue. Raras vezes é o próprio jornalista que sofre directamente "pressão" do visado. Normalmente fala-se com o director, para este dar uma palavrinha ao jornalista. No governo Socrates, muitas foram as ocasiões em que se falou de pressão sobre membros dos nossos media, sendo os nomes de Manuela Moura Guedes e Mário Crespo os mais falados. 
Falar hoje em liberdade de imprensa ou de expressão é uma autêntica falácia. Cada vez mais os poderes usam e abusam da comunicação social como mais lhes convêm, sob as mais diversas formas. Olhemos para o caso do Pingo Doce:  O que Soares dos Santos fez foi utilizar uma campanha para atrair a atenção dos Media e com isso mostrar o seu poder económico mas também político. 
Tentar pressionar os media é uma prática recorrente e cada vez mais aceite no nosso país. Não existe moldura penal para quem faz pressão sobre o jornalista, e mesmo no campo da ética, há muito que isso deixou de ser condenável, pelo que a atitude de Relvas a uma jornalista do Publico nunca poderá ser motivo de demissão de um dos mais poderosos Ministro do governo de Passos Coelho. Até porque como é normal nestas situações, haverá sempre desmentidos que salvam a moralidade dos supostamente culpados.
Ao longo da nossa história pós 25-Abril, as tentativas de influenciar a comunicação social dava para escrever um livro, sendo que nenhum governo tem telhados de vidro nesta matéria, pelo que qualquer observação partidária relacionada com este tema estará sempre manchada por atitudes semelhantes. No fundo, ao temer a comunicação social, os nossos "poderosos" receiam o julgamento dos leitores que são também eleitores no dia da escolha. 
Qualquer coisinha que saia cá para fora é logo motivo para burburinho.
Para terminar apenas referir que foi por causa do caso TVI que José Socrates começou a perder credibilidade, iniciando um período de embaraço pessoal e político, sendo que outras histórias poderão ter ficado na gaveta. O caso Relvas é o primeiro do governo Passos Coelho. A sorte de PPC é que atingiu um Ministro forte do ponto de vista politicamente..........

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