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quarta-feira, 2 de maio de 2012

A GANÂNCIA É BOA?

Michael Douglas protagonizou em "Wall Street" (1987) e "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" (2010), a personagem de Gordon Gekko, um tubarão da finança que se tornou num símbolo da ganância sem limites. A personagem deu origem ao fenómeno cultural dos geeks, gente que utiliza métodos matemáticos para controlar as finanças mundias. Em 2006 o PIB mundial era de 48,6 triliões de dólares, mas o valor incluindo acções e derivados era de 67,9 triliões. Ou seja, havia uma diferença de 40% que não correspondia a verdadeira riqueza. Os "activos tóxicos" escondiam-se (e ainda se escondem) nesses 40%. As finanças mundiais são hoje comandadas por algoritmos e fórmulas matemáticas do tamanho de camionetas TIR e só entendidas por 0,000001% da população. Criaram-se mecanismos que pensam por si próprios. Que decidem sozinhos. O sistema de algoritmos (High Frequency Trading - HFT) controlava, em 2008, 25% das transacções em bolsa dos USA. Hoje, já depois da crise do "sub prime", controla 70% das transacções americanas e 40% das europeias. A compra e venda de milhões de acções e obrigações é feita por decisão de um computador, sem intervenção humana. Para os geeks, esta é a forma de governar o mundo. O método quantitativo levado ao surreal. A matemática condenou o capitalismo. Somos absolutamente irrelevantes. Números de algoritmo num qualquer computador. A ganância deixou de ser imoral. Hoje a ganância é amoral.

1 comentário:

Fernando Vasconcelos disse...

Pois. Uma das facetas do problema, concordo em absoluto. Não apenas pelo aspecto material imediato que já só por si é relevante mas pelo que demonstra dos critérios de imediatismo que nada têm a ver com sustentabilidade. O agora e já sobrepõem-se a qualquer valor de continuidade. Curiosamente esse é exactamente o fundamento do crédito à descrição ... curiosamente mas não por coincidência. O problema no entanto não está no método quantitativo per-se. Está antes no facto desse método não incorporar outros valores, vamos chamar-lhe externalidades que deveriam ser importantes para a espécie humana e que o mercado ou a análise matemática de factores financeiros e mesmo económicos não considera. Como diz é amoral - por não fazer julgamento. Ensinam-nos nas escolas de gestão que assim deve ser. Erradamente no meu entender. O privilégio do resultado sem olhar ao meio é o privilégio do imediato pelo sustentável. Não se esqueçam que estes mesmos métodos são aqueles que tornam perfeitamente racionais algumas decisões que hoje está na moda considerar erradas como por exemplo a proliferação do betão e das auto-estradas em Portugal muito para além do razoável. Porquê? Porque nestes mesmos modelos é fácil projectar curvas crescentes de utilizadores ou de consumidores sem nunca nos interrogarmos se estas curvas fazem efectivamente sentido. E por isso é que como dizia num outro comentário antes de apontarmos a austeridade e a poupança como solução é bom que pensemos como é que realmente funciona uma economia ...

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