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sábado, 14 de abril de 2012

25 DE ABRIL - II



Foi com os generais que tudo começou. Costa Gomes, em Angola. Kaúlza de Arriaga, em Moçambique. Spínola, na Guiné. Em 1970, Marcelo Caetano conferiu-lhes poderes que até aí nenhum comandante militar tinha tido. Salazar tinha reduzido a guerra a uma rotina barata, que se arrastava sem consequências de maior. Caetano precisava de obter resultados. Precisava de uma posição de força na frente militar para poder implementar as reformas de reconversão do regime. Para isso deu maiores poderes aos comandantes militares, na expectativa que a guerra se resolvesse. Um erro crasso. A rivalidade entre os três generais vinha de longe. As suas ambições políticas focavam-se nas eleições de Julho de 1972. Marcelo Caetano, porém, acabou por apoiar a reeleição de Américo Tomás. Caetano não quis arriscar equilíbrios entre os duros do regime e, porventura, desconfiava já dos “senhores da guerra”. As ambições e rivalidades dos generais transformaram a guerra de uma rotina relativamente consensual, numa matéria polémica, objecto de crescente guerrilha política e de sucessivas conspirações. Mas, como nenhum dos três generais reunia consenso na hierarquia militar para tomar o poder por dentro, acabaram por dar cobertura a movimentos de contestação entre as patentes mais baixas, visando aumentar a pressão sobre o governo.

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