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quinta-feira, 19 de abril de 2012

25 DE ABRIL - VI

Os tanques tinham um ar gigantesco nas ruas da Baixa de Lisboa. Ninguém percebia bem o que se passava. “O que queriam eles?”. Retrospectivamente falou-se da “revolução popular”. Mas, no dia 25 de Abril não foi o povo que determinou os acontecimentos, mas o fracasso do regime. No primeiro momento Spínola apareceu ao leme. Presidente de uma Junta de Salvação Nacional, feita exclusivamente de militares. Acabara o Estado Novo. Liberdade. Partidos políticos. Mário Soares. Álvaro Cunhal. Sá Carneiro. Mas, a verdade é que os generais comandavam. Logo em Maio de 1974, 42 dos 85 oficiais-generais passam à reserva. A hierarquia militar fica na mão de Spínola. Em breve seria ultrapassado pelos acontecimentos. Greves, manifestações, agitação permanente. A extrema-esquerda toma conta das ruas. Golpes. Contra-golpes. Tentativas “bonapartistas”. Spínola perde terreno. O Movimento das Forças Armadas ressurge pela mão de Vasco Gonçalves e Melo Antunes. A necessidade de acabar com a guerra de África é uma prioridade. A descolonização foi uma trapalhada. Uma entrega. Uma demissão. Ausência de estratégia. Falta de comando político. Ninguém sabia o que queria. Todos queriam voltar a página. As colónias foram entregues ao desbarato. Os Movimentos de Libertação tomaram posse dos territórios. Com excepção de Cabo Verde, não houve eleições. A debandada dos colonos começou de imediato. No Verão de 1975 montou-se a maior operação de evacuação da História. Meio milhão de portugueses residentes no Ultramar, regressou a Portugal. Muitos “retornados” vieram em situação precária. Verdadeiros refugiados dentro do seu próprio país. A sua integração, porém, correu melhor do que o previsto. Das colónias restou Macau, que a China não quis receber imediatamente, e Timor, entretanto ocupada pela Indonésia. Uma causa diplomática que só se resolveria em 2002, com a independência.

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