terça-feira, 17 de abril de 2012

25 DE ABRIL - IV

O “movimento” assentava numa relação de camaradagem e no zelo corporativo das Forças Armadas. Foi eleita uma “Comissão Coordenadora”. Mas não havia propriamente um projecto político, nem sequer unanimidade quanto a um golpe militar. Essa indefinição determinou a manipulação pelos três generais. Caetano ficou refém da situação, ora dando um passo em frente, ora dois atrás. A 22 de Fevereiro, Spínola publica o seu “Portugal e o Futuro”. Ficou claro para todos o que era uma evidência: o Ultramar não se ganharia pelas armas. A 14 de Março, Caetano convoca todos os generais para uma manifestação de fidelidade. Spínola e Costa Gomes não comparecem. Não resta a Caetano outra hipótese senão demiti-los. Foi uma jogada falhada. Caetano subiu a parada e perdeu. Ficou isolado. Logo no dia seguinte há um pronunciamento militar a partir do Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha. Rendem-se à entrada em Lisboa. Seria um ensaio? Seria para despistar? Só os oficiais sediciosos são presos. Os restantes membros do “movimento” continuam a conspirar. O petróleo sobe a níveis nunca imaginados. Os USA abandonam o Vietname. A administração estava tolhida pelo escândalo “Watergate”. Os ecos do “Maio de 68” fazem-se ouvir de novo. Caetano autoriza contactos com a guerrilha africana. O descrédito e o desânimo invadiam os membros do governo e o aparelho de Estado. Os generais continuam a conspirar… cada um para seu lado.

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