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sexta-feira, 2 de março de 2012

A ciência pode ser profundamente estúpida e por isso não substitui Deus!

O polémico artigo "Aborto pós-parto: Porque devem os bebés viver?" publicado numa revista científica ligada ao British Medical Journal , da autoria de Francesca Minerva, formada em Filosofia pela Universidade de Pisa (Itália) com uma dissertação sobre Bioética, que se doutorou há dois anos em Bolonha, uma investigadora associada da Universidade de Oxford, em Inglaterra, e ainda por Alberto Giubilini, vem pôr a nu uma conclusão importante. Para aqueles que vêem na Ciência um substituto de Deus, este artigo deveria demonstrar-lhes que a Ciência, ainda que se baseie na realidade empírica e seja o somatório de pequenas conclusões verdadeiras, não pode explicar o extenso universo da humanidade e bem assim da vida. Para quem não leu, os autores sustentam que matar um bebé nos primeiros dias não é muito diferente de fazer um aborto. A sua polémica tese é a de que o “aborto pós-nascimento” (matar um recém-nascido”) deve ser permitido em todos aqueles casos em que o aborto também é, incluindo nas situações em que o recém-nascido não é portador de deficiência, uma vez que em teoria sentem o mesmo um embrião e um recém-nascido (isto deveria pôr as pessoas a pensar se o aborto deve ser legal, mas deixemos isso para outro fórum). Ora este artigo é a prova de como a Ciência pode ser profundamente estúpida e não chega para desvendar todo o mistério do Universo e da Vida. Isto não é de somenos importância tendo em conta que é vulgar ter-se uma enorme fé na Ciência, quase como se fosse Deus.

8 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Não se entende como alguem consciente consiga matar um recem-nascido.
Com ou sem deficiencia

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Titta Maurício disse...

Cuidado que o comentário não é de Ciência, mas de Ética.

E cuidado com refutações emocionais mas desinformadas, pois os pressupostos estão certos (de facto, sem qualquer dificuldade, pode defender-se que um bébé ou um embrião ou um feto não são pessoas humanas... sem que isso belisque ou os diminua na sua condição como seres humanos), mas as conclusões estão erradas porque incoerentes e contraditórias.
Estas senhoras, no uso da sua Liberdade, têm o direito de dizerem ou fazerem coisas estúpidas. Nós não podemos é fazer o mesmo.
Há 800 anos atrás, S. Tomás de Aquino defendia que a vida por nascer só era humana após lhe ser colocada a alma, a "anima". Estava errado nos factos, mas a construção lógica era defensável e coerente. Mas errada.

Aliás, alguns dos defensores da posição pró-vida usam argumentação semelhante (a igualdade entre a vida intra-uterina e a extra-uterina) para chegar a conclusões equivalentes.

A questão não está na qualificação ou desqualificação do ser humano como pessoa humana, mas na sua condição de ser humano frágil e dependente. E, por isso, que carece da protecção dos progenitores ou, na sua ausência, de toda a comunidade (protecção essa que se expressa através da criminalização do aborto).

Francisco Castelo Branco disse...

"Estas senhoras, no uso da sua Liberdade, têm o direito de dizerem ou fazerem coisas estúpidas"

Querer matar um recem-nascido naão é só estupido como crime.

expressodalinha disse...

Compreendo o comentário do João. Apenas não entendo essa da alma. O que faz mudar eticamente, moralmente e legalmente é a alma?! Mas, e se não existir alma?

Maria Teixeira Alves disse...

"Estava errado nos factos, mas a construção lógica era defensável e coerente", é por isso que a ciência pode ser profundamente estúpida, porque está certa nos factos e absolutamente errada nas conclusões. A ética não é do domínio da ciência, nem se pode concluir que o facto de não ter "alma", chamemos-lhe assim, seja menos vida. É por isso que sou contra o aborto. O aborto é matar um ser vivo, sem o embrião não há pessoas.

daga disse...

Gostei do artigo pela coragem e pela informação!
Hoje todos sabemos que a ciência não tem tantas certezas como julgava ter na Idade Moderna. Desde Einstein que até em ciência tudo é relativo. As questões de Boiética são precisamente relativas a uma reflexão sobre a ciência.
Agora então já se chegou ao "recém-nascido"... onde vamos parar? quando é que começa afinal a ser humano para a ciência?
Também sou contra o aborto em princípio, se não houver motivos de força maior que cada casal deve resolver em consciência.

expressodalinha disse...

De facto entramos numa "desculpabilização" moral que não tem fim. É um tema imensamente complexo.

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