quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Revolução à Paiva Couceiro

E eis quando o país está na pior crise de sempre, os monárquicos reapareceram com um manifesto intitulado "Instaurar a Democracia, Restaurar a Monarquia". Todos nós sabemos que não há democracia com monarquia.
Depois da questão dos feriados, eis que nomes famosos como Miguel Esteves Cardoso, Gonçalo Ribeiro Telles, João Gomes de Almeida e outros vêm a publico defender uma democracia mas com monarquia.
Não sabemos se estão insatisfeitos com as recentes declarações públicas de Cavaco Silva ou com as constantes mudanças de previsão da troika e do governo em relação ao défice, mas agora é que é o momento certo para pedir de volta a monarquia. Quase cem anos e por pessoas que não viveram a monarquia lá está. Para estes monárquicos do coração mas que votam com a razão, a monarquia não tem defeitos e funciona na perfeição. Se tivermos um Rei que mande de certeza que o PM em funções vai obedecer e proferir as palavras "Sim, Sua Majestade, o défice será cumprido". Enquanto que se tivermos um PR haverá sempre fugas de anónimos a informarem do estado das relações entre o chefe de estado e o chefe de governo. E tenho a convicção que os monárquicos acreditam veementemente que um Rei e um PM entendem-se às mil maravilhas.
Não sabem estes defensores da bandeira azul e branca que nas monarquias constitucionais desta Europa democrática, os Reis são meras figuras. A Rainha Isabel II e o Rei Juan Carlos; para citar os mais conhecidos, apenas assinam os decretos recebidos dos respectivos parlamentos. Nem têm o poder de dissolução da Assembleia, pelo que o poder político é sempre do Parlamento, o que convenhamos não é uma boa solução, visto que vivemos numa democracia. Que tem os seus defeitos, como é natural.
Não se entende esta luta dos monárquicos no nosso país, que já chegou a vias de manifesto. Por este andar, temos a plena convicção que uma revolução à moda Paiva Couceiro está em marcha no nosso país.

2 comentários:

expressodalinha disse...

Um fait-divers.

daga disse...

Mas que rei é que querem lá pôr??
Se tivessemos um monarca como esses dois citados, pelo menos, não haveria conflitos entre os dois orgãos de soberania (ele/ela só assinava etc) e o povo sentiria que o chefe de estado era realmente de todos... mas agora aquela criatura que se diz descendente não me parece que servisse nem para assinar, quanto mais para representar o estado...

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