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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Produtividade, Feriados e Carnaval

Na sequência deste post do expresso da linha permitam-me complementar com algumas questões que gostaria de ver colocadas (já nem digo respondidas mas pelo menos colocadas pela nossa comunicação social).

Em primeiro lugar gostaria que alguém me explicasse em que é que a supressão dos feriados aumenta a competitividade do país. Vejamos então a razão da minha perplexidade. Que eu saiba na maioria dos casos os salários são fixos mensalmente não dependem do número de horas de trabalho com a excepção das horas extraordinárias, certo ?

Logo mais horas e dias de trabalho apenas resultam em maior produtividade se mantendo os trabalhadores se produzir mais (o que por seu lado levanta logo duas questões adicionais que trataremos depois) ou se esse aumento permitir reduzir o número de trabalhadores.

Sendo que é sabido que na maioria dos casos não existe propriamente necessidade de um aumento de produção então a conclusão quanto à possível razão destas medidas parece clara não? Será que alguém coloca esta questão (a não ser a extrema-esquerda que é logo vista como pouco credível e/ou responsável por o ousar sugerir)?

Mas admitindo que não é por essa razão - que realmente o que se pretende é mantendo os trabalhadores existentes ser capaz de produzir mais e melhor - então surgem-me duas questões. Primeiro precisamos mesmo de produzir mais? Ou seja se produzirmos mais há quem compre esses produtos e serviços? Se estivermos a falar do estado a resposta será certamente positiva na maioria dos serviços. Poderíamos efectivamente ser atendidos mais rapidamente, ver os nossos processos avançarem e tudo funcionar melhor e logo a medida parece fazer sentido. Não resolve é o problema económico/financeiro que supostamente deve resolver. Melhora a nossa qualidade de vida sem dúvida mas não resolve o que é suposto. Se estivermos a falar do privado a questão que se coloca é outra. É que na verdade produzir mais apenas é relevante se houver para onde vender e para ser realmente significativo teria de ser para o exterior (e este segundo ponto levar-nos-à ao corolário deste post daqui a pouco). A questão é: E há? Há hipóteses de vender mais? Por um simples aumento de produtividade e logo pela consequente baixa do custo unitário de produção? Há hipóteses disso funcionar em que sectores e em que mercados? Gostaria de ouvir empreendedores dizer sim sr. ajuda ... Na Europa parece-me pouco provável fora dela com o euro mantido aos níveis actuais pelas próprias medidas pelas quais nos esfolamos onde é que isto nos torna competitivos? A não ser que o objectivo seja ir conseguindo baixar o custo da mão de obra até aos preços chineses o que explicaria o discurso do ministro da economia. É mesmo para aí que queremos ir? Ouvem esta questão ser colocada? Eu não ...

A segunda questão é saber se efectivamente a supressão de feriados aumenta mesmo a produtividade em sectores relevantes e se essa é a razão mais importante que nos impede de exportar mais ... Não conheço estudos ou provas relevantes nem elas foram apresentadas - o que nos foi explicado é que esta era uma solução óbvia, ora de óbvia como vêm ela não tem nada a não ser que o objectivo seja o primeiro, isto é redução da força laboral em particular no estado. Aí sim é claro que pode ter essa consequência - mas nesse ponto o governo disse que não era esse o efeito desejado logo ...

Como corolário diz o nosso primeiro-ministro que o povo não entenderia que se mantivesse a supressão dos feriados e se mantivesse a tolerância de ponto no Carnaval. Não entenderia o povo ou não entenderiam outros? E já agora em termos de PIB e em particular de exportação numa das únicas festas que tem alguma consequência directa numa das nossas maiores industrias de exportação, o turismo, não vos parece plausível que o efeito total dessa medida seja até negativo? Será que esta explicação do primeiro deixou efectivamente o rabo de fora ao gato, já por si mal escondido? Ou será quem ninguém fez estas contas porque as contas eram (são) outras?

A minha esperança é que o caso especial da Madeira o único onde obviamente o Carnaval já tem esse efeito na economia ele possa ser mantido por essa mesma razão. Porque obviamente a questão seguinte a colocar é: Não faria muito mais sentido investir para que esse significado também se aplicasse em outras regiões? Não faria isso muito melhor ao nosso PIB e balança de pagamentos externas que o Turismo conseguisse mais uma época com melhores taxas de ocupação? Funciona na Madeira porque razão não funcionaria por exemplo no Algarve ou mesmo em Torres - onde até já existe tradição significativa?

Diz o nosso primeiro que ninguém entenderia. Confesso que o que não entendo é a presunção de inteligência para alguns casos e de total inépcia para outros. Entenderíamos sim sr. Primeiro Ministro. Entenderíamos se nos explicassem. A politica e o governo não são questões técnicas, são sobretudo questões de escolha e da sua comunicação, enquanto não se perceber isso teremos na Europa na nossa liderança pseudo-salvadores mas não lideres, nunca lideres. Porque nunca nos explicam o caminho quer porque não o vêm quer porque não nos julgam capazes de o entender. Receio que neste caso estejamos no primeiro caso mas dou (ainda) o beneficio da dúvida ...

24 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Tal como afirmei anteriormente, tem mais a ver com uma questão de exemplo e de procurar alterar mentalidades.

Se trabalharmos mais, produzimos mais, e em Portugal existe muito absentismo em relação ao trabalho, provoacado pelos inumeros feriados que são aproveitados para fazer as ditas pontes.

ter 13 feriados por ano é um exagero e o pior é que se concentram todos na mesma altura. Verão e Fim do ano.

Uma pessoa acaba de sair dum feriado e já está a pensar no outro.

Quanto ao carnaval concordo com a questão de torres vedras e madeira.

Fatyly disse...

Realço duas questões bem pertinentes:

"Na Europa parece-me pouco provável fora dela com o euro mantido aos níveis actuais pelas próprias medidas pelas quais nos esfolamos onde é que isto nos torna competitivos? A não ser que o objectivo seja ir conseguindo baixar o custo da mão de obra até aos preços chineses o que explicaria o discurso do ministro da economia. É mesmo para aí que queremos ir? Ouvem esta questão ser colocada? Eu não"

nem eu...e já pensei que até convém ao governo não colocar essa questão e para melhor entendedor meia palavra basta!

" Porque nunca nos explicam o caminho quer porque não o vêm quer porque não nos julgam capazes de o entender. "

a meu ver as duas coisas e sinceramente Fernando Vasconcelos, já nem lhes dou o beneficio da dúvida, porque tão ofuscados que andam com "mostrar serviço" e serem "enaltecidos com medidas absurdas" que deixam de lado os verdadeiros problemas como a justiça, a educação, a saúde, o aumento terrível da criminalidade e a economia.

Falas da Madeira e Torres Vedras e julgo que no Algarve será Loulé e Quarteira...mas já outros polos carnavalescos que para o comércio local é uma mais valia...

mas eles preferem mudar mentalidades de numa: amanhã vou impor esta medida, porque sim e o povo acorda e depara-se que afinal o comboio já não anda p'ra frente mas sim para trás.

Não sei onde vamos parar e parabéns por este post bastante elucidativo num retrato fiel de pontos fulcrais que subscrevo inteiramente deste (des)norte em que Portugal se encontra!

Francisco Castelo Branco disse...

eles não deixam de lado os verdadeiros problemas.

O que está a acontecer é uma mudança de mentalidades e estas pequenas coisas são importantes.
E tudo isto tem a ver com a falta de esforço e dedicação no nosso país que depois leva a outro tipo de situações.

Eles não se lembram destas medidas de um dia para o outro. Há muito que as pessoas vêm reclamando estas mudanças.

Convêm lembrar que há empresas que não dão o dia de carnaval.

Fernando Vasconcelos disse...

Mas lá está Francisco. Se o que é pretendido é mudar mentalidades, se é um sinal que se quer dar, uma questão porque razão não se diz isso claramente e se tenta dar como razão outra coisa qualquer? Porque se fosse defendido dessa forma seria politicamente mal visto? Essa forma de fazer politica Francisco tem uma consequência directa mas que fica para outro post. É que as mentalidades não mudam para melhor com pseudo-razões. As mentalidades mudam com verdade, acho eu claro. E a propósito disso eu até concordo com as medidas como esse sinal, como um sinal de que é necessário mudar. Mas defendam-nas então como tal e não confundam as coisas ou perdem toda a razão de ser.

Francisco Castelo Branco disse...

Tem razão no que diz, mas a politica também é isto.
Quando o governo fala em produtividade, também está a abranger as mentalidades.

Fatyly disse...

FCB
então se não se lembram destas medidas de um dia para o outro, porque não falar verdade? Já agora explica-me a razão de só para a semana ser discutida se os deputados terão ou não tolerância de ponto? A uma semana?

Eu nunca tive e nunca me queixei, mas...na minha modesta opinião...

Fernando Vasconcelos
é precisamente isso!

Francisco Castelo Branco disse...

faytyl

os deputados têm agenda própria, não marcam sessões em cima da hora....

o governo não se lembrou de um dia para o outro. Com certeza que já vinha com essa intenção.

porque razão é que os funcionários publicos não trabalham quando o Paapa veio cá?

Francisco Castelo Branco disse...

E se ninguém trabalhar em Torres Vedras, Loule ou Madeira não incorrem em crime de desobidiência civil?

expressodalinha disse...

A minha empresa nunca teve "dia de carnaval". Dito isto, acho que estamos mesmo a caminhar para níveis chineses. E é, obviamente, isso que o governo está a fazer. E isso não pode ser dito. É politicamente incorrecto. Cabe a nós saber interpretar nestes pequenos sinais.

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo expresso.

o que eu não percebo é a revolta popular e dos sindicatos relativamente a isto.
Sinceramente o nosso país ....

Fernando Vasconcelos disse...

Francisco
A revolta existe porque não há comunicação decente e atempada. Não se mudam as regras do jogo a 15 dias das mesmas. Empresarialmente o que o estado está a fazer para algumas empresas em Torres (para já não falar em outros locais) é muito pior do que o "mal" que pretendem curar. Por outras palavras: Vamos trabalhar mais porque o país precisa. Isto é um sinal. Uma forma de vos incentivar a fazerem mais pelo país. Vamos todos arregaçar as mangas e trabalhar etc ... ideia forte com capacidade mobilizadora. Suprimir aos poucos feriados dizendo que temos que aumentar a produtividade negociando contrapartidas e fazendo tudo em cima do joelho e comunicando mal: Ideia fraca e pouco mobilizadora. Não é só o país nem sequer é essencialmente o país Francisco. São os nossos governantes que também não sabem. E como já lhe disse a capacidade de comunicação não é o forte deste governo - não basta o controlo, não basta a técnica ... há que saber mobilizar e isso implica outras capacidades e sobretudo Francisco reconhecer a importância da comunicação. Este governo para mim tem um pressuposto gravíssimo de que a solução é técnica quando na verdade a solução é politica e para esta ultima necessita de capacidade de a comunicar. Não sei mesmo se vêm os verdadeiros problemas ou se estão obcecados pelas consequências dos mesmos. Ou seja não sei se não tentam desesperadamente apagar as manchas do sarampo sem perceberem que a doença não é a mancha nem a cura é a limpeza da mesma.

Francisco Castelo Branco disse...

É verdade que eles têm de cumprir o memorando da troika "à pressa", pelo que não há muito tempo para explicar as coisas

Francisco Castelo Branco disse...

A questão dos feriados foi bem gerida, a do carnaval não.

Francisco Castelo Branco disse...

Só que lá está.
Se o governo está a suprimir 4 feriados, não faz sentido manter o carnaval

Fatyly disse...

FCB
Se os deputados têm agenda própria e não marcam em cima da hora mas não INVESTEM NADA EM PROL DA ECONOMIA, o que dizer sobre os empresários que investiram atempadamente e lá está o que falta a todos estes "obsessivos do governo" e que foi dito por Fernando Vasconcelos "capacidade de a comunicar", e vem agora PPC dizer que foi a tempo pois faltam 20 dias?


Os outros feriados foram bem geridos, pudera tinham à perna a Igreja Católica/Concordata e aí piam de fininho - dás dois tiram dois etc, etc.- e o Carnaval não é e nem nunca foi "feriado"! Mas tão mal comunicados pelo Ministro que meteu os pés pelas mãos, corrigido mas voltou a baralhar-se, uma vergonha...e que lá fora também foi ouvido, gozado e criticado!

Na vinda do Papa não trabalharam porque o governo de então assim o entendeu e julgo que só por onde passou, mas pergunta-lhes!

Mas estes vão ter que explicar muita coisa, oh se vão e espera pela pancada, porque já dizia o meu pai que tudo que é feito à pressa, dá em asneira e não há tempo para explicações? Mas se exigem ao povo tudo e mais alguma coisa, eu também exijo que me/nos expliquem tudo, mas tudo que tem sido feito e implementado, algumas coisas sem pés nem cabeça, mesmo que isso implique ir além das suas horas laborais! Maisnada!

Caminhamos sobre uma democracia minada que não tarda rebenta e virará ditadura.

Falta é saber quem será o ditador(a)!

Francisco Castelo Branco disse...

mas se o carnaval não é feriado para todos, porque ha quem tenha de ter excpeções?

este país é fertil em excepções para os funcionários publicos

Fatyly disse...

Nisso concordo mas compete aos funcionários públicos do governo(porque o são) dizer em tempo útil, com frontalidade e não da forma como as coisas têm sido feitas.

Enfim...

expressodalinha disse...

Funcionários públicos vão enfrentar uma cidade deserta. A maioria das empresas fecham (bancos,consultoras,transportes...) porque está nos acordos da empresa (só não não está na PT e CTT)Vão trabalhar sozinhos em cidade fantasmas. Um dia sossegado para arrumar o PC.

Francisco Castelo Branco disse...

Pode ser que com esta medidas as empresas também mudem de mentalidades..

é esse o objectivo

expressodalinha disse...

PPC vai enfrentar o primeiro buzinão. E porque foi burro na estratégia de comunicação...

Fatyly disse...

até rimou:):)

Francisco Castelo Branco disse...

buzinão porquê?

Nunca vi ninguém que desse a cara à luta. A mensagem dele é perfeita.

É obvio que ele devia ter dito mais cedo, mas ele tá a acautelar para um futuro próximo.

e nós já sabemos como funcionam os sindicatos e os comunas. É sempre a criticar

Francisco Castelo Branco disse...

neste blogue parece que os mesmos têm influência lol :)

Fatyly disse...

FCB
Gargalhadas:):)

não sou sindicalista, nem comunista, sou critica e dou a cara à luta e sfv não sejas "piegas" (olha que foi ele que disse e não eu, não me venhas com o CA de novo) lol

porque há duzentos anos já Charles Dickens escreveu:

Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada.

O moralista é como um sinal de trânsito que indica para onde se pode ir para uma cidade, mas não vai.

Boa noite e vou já dormir que amanhã pela matina vou à lenha, como sempre para dar a outros e é o melhor SPA que pode haver!

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