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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O busílis da questão

O que nos mata é esta dívida pública incontrolável, num PIB que deixou de crescer. É difícil controlar a dívida quando os juros não param de crescer, porque acumulam. Os portugueses estão a trabalhar para pagar os juros da dívida e não para a abater. Por isso o Estado insiste nas exportações para fazer crescer o PIB. E em Outubro, pela primeira vez desde que há registo histórico, as exportações cobriram as importações. Um feito histórico que resulta da conjugação de dois factores: O aumento das exportações portuguesas, que mostra que as nossas empresas conseguem ser competitivas, a par da queda das importações, devido à quebra da procura interna em virtude, entre outras causas, do menor rendimento disponível para o consumo.
Mas, porque os Estados precisam de emitir dívida nos mercados para criar condições para que o Orçamento de Estado seja executado, a situação na Europa é esta: a dívida pública portuguesa chegou a 110,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do terceiro trimestre de 2011, sendo assim a terceira mais alta e a terceira que mais cresceu na União Europeia (de acordo com dados do Eurostat). À frente de Portugal estão a Grécia (159,1%) e Itália (119,6%), imediatamente atrás de Portugal está a Irlanda (104,9%).
É preciso não esquecer que foi a partir de 2005 que a dívida do Estado português ultrapassou os 60% do PIB. Isto devemos a José Sócrates, e à sua oportunista inspiração keynesiana, que o levou a adoptar uma política de despesismo e desperdício; e a fazer investimentos de retorno duvidoso.
Reparem na evolução do stock da dívida do Estado:

2000 - 66,1 mil milhões de euros
2004 - 79 mil milhões de euros
2011 - 150 mil milhões de euros
Com a agravante, por exemplo face a Itália, de a nossa dívida pública estar toda colocada no estrangeiro. O Ministro das Finanças do tempo de Sócrates fez o que pode para matar os instrumentos de colocação de dívida nos portugueses, por exemplo os certificados de aforro. Estamos por isso completamente à mercê dos investidores institucionais estrangeiros.
Estamos portanto num beco sem saída que vai exigir uma renegociação da dívida com os nossos credores. É possível que Portugal possa com as exportações equilibrar a sua balança comercial. Mas não conseguirá travar a hecatombe da dívida, vai ter de fazer um haircut e de a dilatar no tempo. O que significa que os mercados vão ficar fechados para Portugal  durante muito mais tempo. A austeridade em Portugal está para ficar, por largas décadas.


2 comentários:

expressodalinha disse...

Só mais um dado: a dívida do Estado+famílias+empresas é de 418% do PIB!

Fatyly disse...

"A hecatombe da dívida" já vem de muito antes de 2000 e pedindo desculpa coloco aqui um link de um artigo que mostra bem o que digo

http://lusotopia.no.sapo.pt/indexPTGovernos.html

e leiam bem a governação de 1986 a 1995...que deu no que está à vista de todos num "despesismo e desperdício" de loucos!

Mas não "há crimes políticos", pois não? Ora pois!

A austeridade veio para ficar...mas quem sofre e paga são os mesmos de sempre...e tudo tem limites.

Fugindo um pouquinho ao tema...Finalmente hoje é notícia como são gastos milhões na CP, Metro e Carris!

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