sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A minha experiência no Parlamento Europeu

Para esta semana dedicada à Europa, deixo aqui um texto escrito pelo senhor meu Pai sintetizando a sua experiência no Parlamento Europeu.

" Em 1987 depois da eleição dos primeiros deputados Portugueses ao PE tive o privilégio de fazer parte da equipe que divulgou as actividades do grupo de deputados do PSD no Grupo Liberal Democrático e Reformista do PE.

Sob a égide do saudoso Manuel Pereira e de deputados como Pedro Santana Lopes, Pedro Pinto, Carlos Pimenta, entre outros fiz, com uma equipe do Instituto Sá Carneiro, a divulgação das actividades do PE e dos deputados portugueses.

Foi uma época em que o PE não era conhecido e em que as actividades dos deputados portugueses eram menorizadas.

É verdade que, à época ,os poderes do PE eram muito reduzidos.

O Grupo Liberal Democrático e Reformista do PE esforçava-se por mostrar a sua influência como uma força de charneira entre os grupos dominantes como o PPE e o Grupo Socialista.

O esforço era demonstrar que, além dos grupos dominantes, os Liberais eram também uma força que influenciava as politicas do PE.

A divulgação das actividades do Deputados Portugueses passavam por acções de formação em todo o país.

Fizemos dezenas de seminários sobre as várias politicas europeias, da agricultura às pescas , do desenvolvimento regional ao apoio às PME tentando explicar às populações que o PE era uma instituição com influência nas politicas europeias.

Segundo os tratados europeus nessa época o PE tinha apenas uma função meramente consultiva.

Os tempos mudaram e o PE tem, hoje, mais poderes que no inicio. No entanto, para que a Europa seja uma autentica democracia representativa ainda faltam alguns passos.

Não é fácil que os Estados Membros abdiquem da sua soberania em favor de uma entidade supranacional.

Os obreiros da União Europeia como Jean Monnet previam que o espaço europeu fosse uma União Politica supracional.

O alargamento e a crise económica vieram por em causa o espírito de solidariedade e coesão que os pais da EU previam.

Assim, o PE, voz dos povos da Europa tem, a meu ver, um esforço acrescido. Ser o o eco das populações dos EM. Não nos podemos esquecer que o PE é a única Instituição Europeia que é eleita directamente pelas populações.

Enquanto o PE não tiver uma voz activa nas decisões da EU não poderemos considerar que esta seja uma democracia representativa das populações dos Estados Membros da EU. "

Pedro Pinto Coelho Castello Branco

4 comentários:

expressodalinha disse...

Uma pena não ser assim. O PE tem poderes limitados "de facto". Hoje percebemos que o grande mal foi ter criado o Euro para garantir a união da Europa, em vez de ser ao contrário. Uma moeda sem Estado. Bizarro.

Fatyly disse...

e para si Sr.Pedro Pinto Coelho Castello Branco deve ser bem difícil aceitar o actual estado das coisas e pergunto para que serve o actual PE?

Entre portas, talvez compreenda todos aqueles que lutaram para libertar Portugal de uma ditadura (mesmo sem ser comunista como eu) e ver que a democracia começa a entrar em coma. Mesmo com a TROIKA, o Estado derrapou por ser uma autêntica máquina de comer dinheiro e mais uma vez engordou e com a velha desculpa de e sobre os mesmos de sempre.

Gostei da partilha dessa sua vivência!

Francisco Castelo Branco disse...

excelente testemunho Pedro CB.

Na Europa, a voz de comando e dos Estados é a Comissão. Mas nem essa funciona.

o PE serve apenas para que se diga que a UE é plenamente democrática, até porque as eleições para o PE para além de serem pouco participadas servem para uma disputa eleitoral. Nomeadamente para se dar um cartão amarelo ao governo.

Não vejo como se pode mudar as coisas.

expressodalinha disse...

Até porque a Goldmansachs não deixa...

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