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sábado, 11 de fevereiro de 2012

GERAÇÕES

A cultura é uma sedimentação geracional. Feita de estratificações sucessivas ao longo de milénios. O Estado, a Sociedade, o Mundo, tal com os conhecemos hoje, são fruto de avanços e recuos. De sucessos e crises. De paz e de guerra. Quando nascemos herdamos um "acquis". Algo que a geração anterior nos passa. Algo que temos obrigação de questionar e de melhorar. A certa altura da vida acomodamo-nos. Consolidamos o adquirido. Entramos numa espécie de "mainstream" social. Calçamos as pantufas. Podemos (e devemos) continuar a ser intelectualmente críticos e socialmente curiosos. Mas já não somos nós que vamos mudar nada. Limitamo-nos a gerir o passado. Cabe às novas gerações esse papel de mudança, como já coube à nossa. Uma mudança que pode ser uma continuidade ou uma disrupção. E qualquer paralelismo com o Maio de 68, o 25 de Abril ou a queda do Muro não colhem. As novas gerações têm de escolher o seu próprio caminho. As comparações são armadilhas da memória. O que é diferente nos dias de hoje é que as pessoas duram muito mais e arrastam consigo esse "acquis". Ocupam cargos de gestão "ad infinitum". Perpetuam-se na política. Tiranizam a cultura. Os filhos do "baby boom" que nós fomos questionavam tudo. Queriamos mudar o mundo. Agora não saimos de cima. As novas gerações têm um problema: nós.

3 comentários:

daga disse...

Estou plenamente de acordo, pois cada geração tem os seus problemas e precisa agir, mas tem de ter oportunidades! Se nós "não saimos de cima", somos um obstáculo a ultrapassar; agora somos nós que impedimos a passagem, a mudança, que nos recusamos a aceitar that "the times they are a-changing":(

expressodalinha disse...

Sim, a idade é, por definição, reaccionário. Os jovens de hoje têm de "matar os pais".

Fatyly disse...

Subscrevo inteiramente, aliás estamos quase sempre em sintonia:)

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