domingo, 12 de fevereiro de 2012

Duelos Intelectuais - Os cinco cenários 1ºacto

Para começar mais uma edição dos Duelos Intelectuais, subordinado ao tema Europa, irei começar com uma visão futura sobre o nosso continente.
Devido ao agravamento da crise e à falta de entendimento sobre qual o caminho a percorrer, muitos são aqueles que lançam pistas sobre o futuro da Europa.
É por aí que começo.
Das várias teorias sobre o futuro da Europa que analisei, escolhi 5 cenários possíveis.

Cenário 1 - A Europa dos três blocos com Capital em Viena - A sátira de Ferguson

Neste cenário, Viena era o centro político em vez de Bruxelas, o que aproximava a Europa da Russia. A Polónia e os Estados do Centro-Leste eram importantes do ponto de vista económico, sendo que caberia aos Estados do Sul servirem como destino de férias e para segunda habitação. O Reino Unido e a Irlanda ficavam na sua "ilha" e os países Nórdicos criavam a sua própria "liga", o que em termos geográficos e de políticas era uma vantagem. Islândia, Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia ficavam juntinhos. No fundo o que esta teoria defende é a constituição dos Estados Unidos da Europa. Mas esta desintegração poderia originar clivagens sociais e politicas muito grandes e o que a Europa precisa neste momento é de união a todos os níveis. De salientar que neste cenário o poder politico estaria concentrado praticamente na Alemanha.

Cenário 2 - A União Europeia em pleno, uma potência mundial.

Este é um cenário bastante optimista mas pouco provável. Há quem aponte que daqui a dez anos, e passada esta crise; a Europa será uma potência mundial, e que a moeda unica será um sucesso mesmo com os casos da Grécia, Portugal e Irlanda a contrariarem as melhores perspectivas. Para alguns, a Europa vai recuperar desta crise e entrar num novo modo de funcionamento, não se sabe é qual. Hão de chegar de novo os lideres fortes como Thacher, Mitterand e Schroeder, até porque este ano Sarkozy e Merkel podem ir embora. No entanto, muitos consideram que só com uma União orçamental e uma política económica comum se consegue alcançar o primeiro lugar no ranking das potências mundiais que tem cada vez mais adversários.

Cenário 3 - União Europeia perdendo peso e a Zona Euro encolhendo

Este é o cenário do momento e que todos temem. Com a provável saída da Grécia da Zona Euro, países como Portugal e Irlanda podem seguir o mesmo caminho. Há quem não consiga acompanhar os países mais ricos e isso irá ter consequências. A perda de influência e poder da UE em termos económicos mas essencialmente político é uma realidade nos dias de hoje. A economia da UE e dos EUA está enfraquecida e só um pedido de ajuda aos países emergentes pode solucionar o problema. Com o pedido de ajuda terão de haver contrapartidas. A China já entrou na Europa pela porta que lhe foi aberta por Lisboa. Angola, Brasil, India e a própria Russia estão à espreita. Mas esta situação pode originar conflitos sociais dentro da UE.

Cenário 4 - Europa fragmentada e o novo papel do Mediterrâneo

Com o agravar da crise e dos problemas, a saída do Euro para alguns países seria a solução ideal. Países como Grécia, Portugal, Itália e Espanha, aqueles que estão com maiores dificuldades, poderiam deixar cair a moeda unica e formar uma aliança com os países do Norte de África. Em termos geopoliticos e sociais esta poderia ser uma aliança interessante e com futuro, já que a proximidade geográfica e as semelhanças culturais são factores que aproximam os povos desta zona. O investimento no mar poderia ser uma causa comum, até porque o Mediterrâneo tem bastantes recursos, como brincadeira Gibraltar poderia ser o ponto de encontro. Este cenário, deixa em aberto a possibilidade do Reino Unido saltar fora e assim juntar-se aos países nórdicos, até porque com estes tem uma melhor relação politica e económica. Assim, perante o adeus do Sul e do Norte, a zona euro seria constituida pelos países do denominado Eixo Franco-Alemão, o que criaria uma zona muito rica no centro da Europa. Esta era uma hipótese que dividia o Velho Continente em três "zonas" politicas e económicas.

Cenário 5 -União Europeia como coroa periférica de Estados autoritários

Este é a situação que muitos temem devido à convulsão social que se avizinha nos próximos anos. Muitos países podem cair no autoritarismo, não só como resposta aos protestos mas também devido ao crescimento de forças politicas extremistas que ganham cada vez mais adeptos sobretudo em países como a Holanda, França, Bélgica e Hungria. A imposição de medidas de austeridade pode criar um sentimento de revolta social que só será travada com mais autoridade e repressão. A própria opção pela austeridade e a tomada de decisões dificeis terá de ser imposta pela força, "custe o que custar", como afirma várias vezes o PM português. Este pode ser um discurso repetido por vários lideres e que senão for aceite pacificamente, necessitará de "mão dura". Há quem aponte este caminho como o mais provável, até porque muitos afirmam que é a própria democracia que está em perigo na Europa, pelo que o regresso à um tipo de ditadura moderna seja um cenário plausível. A recente nomeação de dois tecnocratas para a chefia dos governos grego e italiano é um exemplo desta possibilidade....

Com estes cinco cenários iniciamos a discussão sobre a Europa, o seu futuro, o caminho a seguir, quais as consequências e soluções das medidas a tomar. A saída da Grécia do Euro e as eleições em França e na Alemanha serão três acontecimentos que ditarão o sucesso ou insucesso da nossa zona.

..mas até lá há que escolher o melhor cenário..

7 comentários:

expressodalinha disse...

Penso que o cenário de concentração na Alemanha é inevitável. Ou a UE se desfaz ou se federaliza. A crise actual pode ser vista, politicamente, como uma crise de crescimento. Se fôr assim, e este é um cenário optimista, é a derrota de um modelo de construção por consenso e a vitória de um modelo "imperial". Repito, este é o cenário optimista.

Francisco Castelo Branco disse...

Mas se tudo se concentra na Alemanha vai ser o caos, até porque não sabemos quantas Merkels os alemães irão eleger.

E assim for, quem vai ganhar com isto são os países do centro-leste europeu. Nós vamos ficar para sempre dependentes não de Bruxelas mas de Berlim

expressodalinha disse...

Exactamente. Isso é o modelo imperial que pode ter várias versões. Dificilmente fugiremos dele (dentro deste optimismo). Portugal tem dois trunfos: a língua e relações lusófonas; e a posição geo-estratégica. A marca Portugal tem de se impor ai. Aproveitar a periferia para ser a Singapura da Europa e não a Silicon Valley. Entrada de mercadorias e capitais chineses e dinheiro angolano. Só assim poderemos crescer e exportar com a marca Portugal.

Francisco Castelo Branco disse...

daí que a opção pela União Mediterrânea não seja má solução para um país com Portugal, já que para o Norte e centro da Europa não vendemos nada

Fernando Vasconcelos disse...

O problema Francisco é que os supostamente estados fortes só o são no papel. Porque se estamos a medir a força das economias todas elas incluindo a Alemã e a Francesa são autênticos castelos de cartas que cairão quando e se for conveniente. O que está em causa Francisco é o modelo europeu e ocidental de sociedade não são os países ou a sua soberania. O que está em causa é bem mais profundo do que isso, porque quando isto acabar todos os povos da Europa vão aceitar viver em condições próximas das que se viviam na classe operária antes da segunda-guerra mundial. E vão achar normal como um mal menor. Porquê? Porque isso satisfaz os verdadeiros interesses do único poder que existe.

Francisco Castelo Branco disse...

Quer dizer que vamos viver todos uniformemente e subjugados ás regras do poder vindo da ALEMANHA e França?

Não haverá alternativa..

Fatyly disse...

Já não vivemos "uniformemente e subjugados às regras do poder vindo da ALEMANHA e França?"

Vou sair daqui sem dizer que a alternativa, ou melhor a certeza que tenho é que isto vai rebentar "forte e feio" e já há sinais assustadores...

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