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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Boa pergunta!


Discurso da Profª Amanda Gurgel, que calou não só os Deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, mas todo o Brasil.

Hoje, ao ler o blog do Josias de Souza, que é um colunista de política da Folha de São Paulo, eu me deparei com uma indagação interessante em seu post que tratava do aumento do piso nacional dos professores de escolas públicas pelo Ministério da Educação.

Em 2011, um professor de escola pública deveria ganhar, pelo menos, R$ 1187,00 mensais, algo em torno de apenas 517€ . E digo “deveria”, porque, na grande maioria das vezes, tal piso não é respeitado e os professores ganham menos.

Este ano, o Ministério da Educação aumentou este piso para R$ 1451,00, mais ou menos 632€, representando um aumento de 22,22% em relação ao ano anterior.

Diante disto, o Presidente da Confederação Nacional dos Municípios apresentou um estudo no qual demonstra que, de 2009 a 2011, o gasto dos municípios com salários dos professores aumentou de 1,6 bilhões de reais (700 milhões de euros) para 5,4 bilhões de reais (2351 milhões de euros).

Além disso, o Presidente declarou que os salários não são as únicas despesas das escolas, que existem também os custos de manutenção das mesmas e perguntou: “Como vamos fazer isso? Vamos pagar os professores e fechar as escolas?”.

Porém, esta não é a indagação que eu achei brilhante, mas sim a do colunista que citei no primeiro parágrafo, que ao analisar o discurso do Presidente da Confederação Nacional dos Municípios, questionou exatamente o eu que questionaria.

Ele disse: “Quem compara as lamúrias do mandachuva da confederação de municípios com o Brasil grande dos discursos oficiais de Brasília fica tentado a inquirir os seus botões: que diabos de sexta economia mundial é essa que não consegue pagar R$ 1451 por mês aos seus professores?”.

É por essas e outras que a cada dia ficou mais convencida que o crescimento do Brasil é uma grande jogada de marketing e que não vai durar muito tempo.

Larissa Bona

PS: Vejam o vídeo acima para vocês terem a real ideia da precariedade da educação pública no Brasil. Muito provavelmente, a blogueira que vos fala nunca escreveria este post se não tivesse, a sua vida toda, estudado em escola privada.

12 comentários:

daga disse...

na realidade, nenhum país pode progredir se não investir na educação dos seus jovens! é muito triste que no século XXI se tenha de pagar (escolas privadas)para obter um ensino em condições.

Larissa Bona disse...

Concordo daga e o Brasil é um exemplo de como desperdiçar um excelente momento, pois nenhum investimento relevante é feito na educação. Um país que teve um PIB de 4 trilhões de reais ano passado e ainda achar ruim gastar 5,4 bilhões de reais em salário de professores, não merece ser levado a sério.

expressodalinha disse...

ENTÃO VEJAM O POST ACIMA...

Fatyly disse...

e nós por cá é precisamente na EDUCAÇÃO que se fazem os maiores cortes já para não falar na SAÚDE!

Concertar o errado concordo, agora desmantelar o certo é que é por demais e sabes Larissa ao ouvir essa professora a quem deram o direito de falar...até parece a realidade portuguesa.

e subscrevo o que diz "expressodalinha".

Francisco Castelo Branco disse...

eu acho que se gasta milhoes a mais na saude e educação.

é o tal principio do Estado Social que está cada vez mais falido.

Tambem vim de uma escola privada e recorro aos cuidados de saude privados. Se estes dois sectores tiverem uma gestão profissional podem ter a certeza que irá funcionar melhor.
no fundo é perguntar porque havemos nós todos de pagar a gratuitidade destes serviços...

Fatyly disse...

"no fundo é perguntar porque havemos nós todos de pagar a gratuitidade destes serviços..."

porque nem todos podem pagar os serviços privados e ou seguros para tal!

Em termos de saúde...quantos milhares tratados no privado acabam por ir parar ao público?

Larissa Bona disse...

Francisco, se os serviços essenciais não forem gratuitos, qual a razão de ser dos impostos e do Estado?

Francisco Castelo Branco disse...

é para a melhoria desses mesmos serviços, agora não ache que devam completamente gratuitos.

expressodalinha disse...

Estás a ficar excessivamente à direita. Cuidado, que vida está ao centro.

Francisco Castelo Branco disse...

Irei fazer um post explicando os meus pontos de vista.

Mas a minha questão é que não pode ser tudo á borla, porque o Estado não comporta, pelo que é necessário que sejam também as autarquias e algumas "sociedades" "empresas" a dar um novo impulso.

Não estou a dizer que não se deve cuidar dos mais velhos e desprotegidos, mas acho que há situações em que o abuso é tanto que vale a pena pensar num novo modelo.

Larissa Bona disse...

Na verdade sou da opinião que o Estado se mete onde não deve se meter, os recursos que eram para serem utilizados em coisas que realmente são de sua alçada, como educação, saúde e segurança, estão sendo usados em bancos, pagamentos de juros, para sustentar políticos e etc.

Fazer com que as pessoas paguem por serviços básicos, principalmente a classe média, simplesmente destrói a prestação do serviço público.

Um fato curioso que prova essa minha "teoria" é que na época da ditadura militar, os serviços de educação e saúde públicos eram excelentes no Brasil. E isso não era por mérito dos militares e nem da ditadura, mas sim porque era a classe média que utilizava estes serviços. Foi só a classe média, que é quem de verdade financia o Estado, parar de ir a escolas e hospitais públicos para tudo tornar-se precário.

expressodalinha disse...

As sociedades sueca, dinamarquesa, noroguesa têm um modelo social mais abrangente que os nossos. Não estão na falência e a classe média atinge 60 a 70% da população. Os impostos saõ pesados e há um efectiva redistribuição de riqueza. Sem estado-social não há democracia. E sem democracia não existe estado-social. Por isso qt mais se destruir a classe média, menos democracia haverá.

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