terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

2.2.1.2. Ciclo da Cana de Açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Sousa – parte II, a chegada ao Brasil




No último post, vimos que, mesmo sabendo que a única forma de proteger o Brasil era com sua colonização, o rei de Portugal não era grande entusiasta da ideia. Até o dia que chegou aos seus ouvidos que os espanhóis haviam descoberto prata no território que hoje é o Peru.

Então, o rei português chamou o seu amigo de infância, Martim Afonso de Sousa, e deu-lhe a missão de chefiar a expedição que “colonizaria” o Brasil, protegeria o território dos piratas e também exploraria o rio Maranón, o primeiro nome dado ao rio Amazonas.

Entretanto, secretamente, o seu objetivo não tinha nada de colonizador, mas sim queria explorar o rio da Prata, a porta de entrada para as riquezas do império dos Incas e tomar a prata dos espanhóis. Assim sendo, em 03 de dezembro de 1530, zarparam 05 navios e 400 homens rumo ao Brasil.

E o principal indício das reais intenções de D. João III foi a presença de Henrique Montes como um dos mais importantes tripulantes da esquadra, apesar de ser um homem de baixa condição social.

Isso se deu porque ele, que era um náufrago, junto com um degredado chamado Gonçalo da Costa, revelou ao rei que os espanhóis haviam encontrado prata no Peru. E de pobre náufrago, Henrique Montes passou a ser “cavaleiro da Casa Real” e também “provedor da armada” de Martim Afonso de Sousa.

E mais, estes 400 homens que faziam parte da expedição também estavam cientes da exploração do rio da Prata, tanto que o embaixador espanhol em Portugal, ao escrever para a imperatriz D. Isabel da Espanha, afirmou que a grande maioria dos tripulantes não só se ofereceu para ir, mas também o fizeram sem sequer receber salário.

Além disso, em virtude da magnitude da empreitada, o rei também deu grandes poderes a Martim Afonso de Sousa, que foi nomeado “capitão-mor da armada” com autoridade não só para “doar terras em sesmarias e, criar e nomear tabeliães e oficiais de justiça. Tinha também poder de vida e morte sobre aqueles que o acompanhavam” [1].[2]

Deste modo, a expedição colonizadora chegou ao Brasil, no final de janeiro de 1531, em Cabo de Santo Agostinho, local que hoje corresponde ao município que leva este mesmo nome, localizado na região metropolitana de Recife, capital do Estado de Pernambuco, circulada de vermelho na foto que ilustra o post.

Mas Martim Afonso de Sousa nem teve o prazer de apreciar a exuberância da natureza no novo território, pois logo de cara, no primeiro dia no Brasil, já encontrou um navio normando abarrotado de pau-brasil, que ele tratou logo de combater e capturar.

Seguramente, deu uma bela sova nos piratas e estes acabaram revelando que havia outros navios franceses a 30 km sul dali. Por isso, enviou o seu irmão, Pero Lopes de Sousa, para o local denunciado pelos prisioneiros e ele cercou os franceses até que estes se renderam, depois de terem ficado sem pólvora.

O irmão de Martim Afonso capturou mais dois navios, toda a artilharia dos piratas e um grande carregamento de pau-brasil, e foi para a Ilha de Itamaracá, onde havia uma feitoria fundada por Cristóvão Jacques 15 anos antes, para poder alojar e tratar os tripulantes que ficaram feridos no combate. Dias depois, Martim Afonso de Sousa chegou à feitoria e reencontrou o irmão.

Próximo post em  06.03.2010: 2.2.1.3. Ciclo da Cana de Açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Sousa – parte III, o encontro com o Caramuru.


[1] Náufragos, Traficantes e Degredados de Eduardo Bueno.
[2] Estes poderes conferidos a M.A.S. também fizeram muitos historiadores acreditarem que o real objetivo do rei de Portugal era, de fato, colonizar o Brasil, pois ele tinha todas as prerrogativas para estabelecer a ordem no local. Mas, na verdade, também segundo Eduardo Bueno, isso nunca passou pela cabeça do rei até aquele momento, pelo menos até 1532, de vez que, assim como os seus antecessores, também preferia as Índias.

4 comentários:

Fatyly disse...

Mais um brilhante artigo que gostei imenso de ler. Obrigado!

expressodalinha disse...

Larissa: leio amanhã com mais calma. E talvez acrescente um ponto.

daga disse...

Muito interessantes, todos estes pormenores que nós cá desconhecemos (pelo menos eu), o enriquecimento fácil foi sempre um objetivo mais forte do que a colonização.

Larissa Bona disse...

Obrigada Fatyly, fico feliz que tenha gostado do post.

Expresso, por favor,fique a vontade para acrescentar o que achar conveniente.

Daga, eu também não sabia destes pormenores, pois apenas os descobri depois de começar a pesquisar para estes posts. Geralmente, pelo menos aqui no Brasil, este período é ignorado e o que é ensinado nas escolas é muito superficial.

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