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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A primeira vez

A primeira vez é sempre diferente. Há várias primeiras vezes para felicidade ou infelicidade nossa consoante os casos. A primeira vez que entramos na escola (se nos lembrarmos já não é mau sinal), o primeiro beijo (se ainda nos lembrarmos é bom sinal) a primeira vez (aquela em que aposto pensaram quando leram o titulo - desta não se terão esquecido seguramente), o primeiro filho (para quem repetiu com mérito a prática anterior), o primeiro livro escrito (para quem for mais dado às letras), o primeiro post (para quem acha que verdadeiramente algo a dizer), o primeiro post num blog novo (para quem não se cura da doença anterior).

Facto é que existe algo comum em todas essas ocasiões: o sentido da responsabilidade, o nervosismo da espera e a angústia de não saber por onde começar (e não sejam malandros que não estou só a pensar nisso).

Neste post, o primeiro que aqui faço não queria deixar de começar por agradecer aos distintos contribuidores e em particular ao Francisco o convite, tanto mais que tantas e tantas vezes discordamos respeitosamente.

E o primeiro post de hoje só poderia ser precisamente sobre o respeito e o papel fundamental que ele tem em Democracia. Sem o respeito por aqueles que pensam diferente de nós não existe qualquer verdadeiro diálogo. Não se trata de tolerar as opiniões diferentes trata-se de as aceitar e de as ter como honestas, intelectualmente honestas.

Significa isto que as acusações baseadas em intenções estão para mim fora desse conceito de respeito. No meu conceito discutem-se ideias com a veemência possível mas no respeito absoluto do pressuposto da honestidade do interlocutor. Sem isso o que acontece é uma troca de epítetos mais ou menos desagradáveis e que não contribuem absolutamente nada para o esclarecimento do tema em causa.

Infelizmente não é com esse respeito que se discute politica e economia na maioria dos casos e no processo destroem-se não só as más ideias como também as boas e no caminho as pessoas e qualquer esperança que exista de liderança. Esse cinismo - porque é fácil construir processos de intenções - contribui na sua quota parte para o sentimento que por vezes nos assalta de que já não existem verdadeiros lideres.

Há problemas sérios e modelos que deixaram de funcionar talvez fosse altura de reflectirmos sobre a nossa forma colectiva de os abordar. Porque aqui em primeiro lugar discutimos ideias é desse respeito que vou fazer a minha cartilha.

3 comentários:

expressodalinha disse...

E muito bem. Apoiado em todos os pontos. Aliás, este blogue é um bom exemplo de discussão tolerante e pró-activa. É com imenso prazer que vejo o Fernando a participar aqui. Habituei-me a ler com a atenção e respeito os seus comentários. Será, seguramente, uma mais valia para todos.

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo com o jorge

Bem vindo e nós cá queremos pessoas que pensem diferente pois assim o debate vai ser bem mais enriquecedor.

O importante para nós é que as ideias se soltem.

e o que falta na nossa sociedade são pensamentos e ideias novas que nos levem a um caminho

Fatyly disse...

Bem, nem sei por onde começar porque se os teus comentários já eram o que eram, o que dizer deste post?

A primeira vez...pois e fizeste-o na perfeição e subscrevo inteiramente.

O Francisco é magnífico embora eu também discorde um pouco, para não dizer bastante, mas julgo que tenho sido educada e ando aqui apenas numa tentativa de partilha de ideias/opiniões ou visão sentida das coisas num aprendizado constante.

Nunca disse isto, e desde já peço desculpa, mas aqui não trato ninguém por "você" mas sim por "tu", porque isto de ser made in Angola, ter vivido no Brasil e emigrante em Portugal tem muito que se lhe diga, porque lá "você" era para os "percebes?"(nada de marisco hem:)), no Brasil é o "tu de cá" e cá é "tu"...já me perdi:)

Um abraço e obrigado por esta lição de postura perante a vida difícil que todos atravessamos!

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