terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Olhar Direito o Brasil: observando os vizinhos




Prezados amigos do Olhar Direito,

Volto depois de um curto período de férias, no qual fui conferir a Argentina e o Chile, pois nós brasileiros agora que estamos descobrindo a vizinha América Hispânica, porque no passado estávamos tão obcecados com Estados Unidos e Europa, que nunca nos demos ao trabalho de olhar para os lados.

A Argentina foi simplesmente invadida por brasileiros! Você anda no meio da rua e só escuta o som de vozes brasileiras, falando aquele nosso português suave, ou de vozes argentinas falando o portunhol.

Inclusive, o Real, nossa moeda, é amplamente aceito por lá, ao ponto que há lugares que preferem receber em Real que em Peso argentino, em especial os ambulantes. De fato, o único local onde não se aceitou o Real foi no supermercado.

Minha impressão sobre a Argentina foi a pior possível, talvez por ter ido numa época economicamente péssima para eles.

É incrível a quantidade de mendigos nas ruas, sem-tetos e manifestantes acampados nas praças, especialmente na famosa Plaza de Mayo, que abriga a Casa Rosada, sede do governo argentino e morada da recém re-eleita Cristina Kirchner.

Falando em Kirchner, ela acabou de escapar de um diagnóstico de câncer, pois descobriu um tumor na tireóide que depois se revelou benigno, e agora só se emprega em travar uma guerra contra a imprensa, usando todo em qualquer artifício para censurar quem se manifesta contra ela.

No meu passeio, fui à La Bombonera, mítico estádio do Boca Juniors, equipe pela qual jogava Maradona. Para os amantes do futebol, trata-se de uma parada obrigatória.

No estádio tem um pequeno museu com os troféus ganhos (como a Taça Libertadores da América e Taça do Mundial Interclubes), camisas e chuteiras de estrelas do time, como Palermo e Riquelme, e, para quem pagar um pouquinho mais, tem um tour pelo gramado e dependências do estádio. Aliás, aproveito para contar-lhes algo muito interessante que aconteceu durante o tour pela Bombonera.

Ao final do passeio, a guia nos mostrou o camarote de Maradona, mas antes fez o seguinte discurso para o grupo formado por cerca de 10 estrangeiros, das mais variadas nacionalidade, e cerca de 20 brasileiros: “aquele é o camarote do maior jogador de todos os tempos, que não é Pelé, palmas para Maradona”. Adivinhem quantos brasileiros bateram palmas? Nenhum, só os gringos! Não é falta de educação, é a rivalidade...

Buenos Aires tampouco é só pobreza, tem muitas áreas ricas, com construções novas e modernas, como a Recoleta, Puerto Madero (onde há excelentes restaurantes e até cassinos) e Belgrano.

Mas isso, infelizmente, é uma parte muito pequena, em comparação com a pobreza que se alastra pela cidade, realmente, fiquei impressionada, achava que pobreza escancarada em pontos turísticos era “privilégio” do Brasil.

Alguns conhecidos meus, que foram antes à Buenos Aires, voltaram dizendo maravilhas, que parecia Paris. Ou eles foram durante os tempos áureos da Argentina ou nunca estiveram em Paris. Deve ter sido por isso que me decepcionei tanto, achando que encontraria Paris na América do Sul.

Eu esperava mais, entretanto, relevo um pouco porque eles estão em crise e esta crise se nota na cara dos argentinos, que pareciam sempre cabisbaixos, exceto no show de tango da casa Señor Tango, que não devia nada às superproduções da Broadway, muito bonito, extremamente emocionante, digno de ser aplaudido de pé.

De lá, fui para o Chile tomar um choque de realidades! Saí da pobreza argentina e fui para a prosperidade do cobre, madeira e vinhos chilenos (excelentes, diga-se de passagem)!

O Chile é um país impar, pois no mesmo dia, se você quiser, pode ir de manhã à praia, molhar os seus pés no gélido pacifico (a temperatura da água é em torno de 12°C, por isso que só dá para molhar os pés) e de tarde à montanha, mais precisamente subir 3000 metros de altura na Cordilheira dos Andes, onde há uma estação de esqui.

Santiago, assim como Buenos Aires, estava abarrotada de brasileiros, embora em menor quantidade. Todos os passeios que fiz, havia brasileiros neles, mas o Real já não era tão aceito, os chilenos preferem o seu Peso e o Dólar americano.

A pujança econômica se vê por todos os lados, prédios modernos, todos de vidro e, principalmente, altíssimos – com mais de 100 metros de altura - construídos e em construção, com muitas esculturas pelas calçadas. Enfim, Santiago não é apenas uma cidade moderna, mas uma cidade bonita.

Nem parece que o país se localiza no “Círculo de Fogo”, que sempre causa terremotos de magnitudes extremas. Em tempo, o maior terremoto da humanidade aconteceu no Chile.

Ao caminhar por Santiago, você não nota um sinal sequer de que houve grandes terremotos (o mais recente foi em 2010), de vez que tudo está intacto e em pé, em virtude da desenvolvida tecnologia anti-sísmica empregada em quase todas as construções.

Ao contrário dos argentinos, os chilenos estampam sempre um sorriso no rosto. A atenção e a educação no tratamento dado pelos chilenos também é superior. Eu até entendo, ninguém fica amargurado com o bolso cheio.

Larissa Bona

4 comentários:

expressodalinha disse...

1 - Um retrato bem vivido
2 - Os brasileiros estão por todo o lado. É bom sinal.
3 - Não conheço a Argentina, nem o Chile. Cidades, para mim, é na Europa. Esses países devem ser bons para ver cenários selvagens.

Larissa Bona disse...

Eu não sou muito cenários selvagens, prefiro ir a cidades em qualquer país - morrerei e nunca pisarei meus pés no Pantanal brasileiro, por exemplo, mas na América do Sul tem uns bem interessantes. Na Argentina, você tem a Patagônia, no Chile, o Atacama, na Bolívia, os Andes, na Colômbia, as Farc - tou brincando, dizem que o litoral colombiano é belíssimo e etc. No Brasil é que você encontra cenário selvagem mesmo, a Amazônia, que eu também nunca fui, é um bom começo!

expressodalinha disse...

Larissa: cenários selvagens é mesmo na TV. Para nós, agora, é muito caro viajar para destinos tipo Patagónia (nem tenho especial interesse). Brasil, conheço já alguma coisa e fica mais em conta (só porque tenho as viagens de borla). Normalmente vou todos os anos. Ainda falta a Amazônia...

Fatyly disse...

Gostei imenso deste teu guia turístico, embora sejam cidades de países que mesmo que pudesse não iria visitar, assim como nunca visitei e nem visitaria Espanha e não te sei dizer a razão.
Se morasse perto da fronteira só ia à prima terra abastecer-me de tudo, por tudo ser mais barato:)

Os brasileiros estão por todo o mundo e estejam onde estiverem...a festa será sempre deles. Força aí:)

Um abraço

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