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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ELES

Eles não somos Nós. Mas Nós podíamos perfeitamente ser Eles. Eles mandam. Nós gostaríamos de mandar. E mandando Nós éramos Eles. Mandar é infinito. Um verbo sem sujeito. Um futuro sem condicional. O divórcio entre Nós e Eles é muito mais do que um conflito de personalidades. É uma angústia democrática. Uma dicotomia perversa. Sempre que pagamos impostos, sempre que aumentam os preços, sempre que somos multados, são Eles os culpados. A nossa culpa esgota-se no voto eleitoral. A transformação majestática do Nós em Eles é uma representação de sombras, como num teatro chinês. Uma ilusão que nos desculpa. Que nos remete para uma “oposição” permanente. Para uma indignação protocolar. Para um desespero compulsivo. Um estatuto de verdadeira indigência política. Não nos revemos Neles. Mas Eles somos Nós. Mandar não é poder. Mandar é dever. E quando Nós não queremos ser Eles, porque quererão Eles ser Nós?

1 comentário:

Fatyly disse...

Uma grande lição numa conjugação perfeita e quem quiser que enfie a carapuça!
Gostei!

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