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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

12.1 Os Filipes

Como é bem sabida e aprendida nas aulas de história espalhadas pelo nosso país, a ocupação filipina durou seis décadas. O que ninguém diz é que em matéria de números esta ultrapassou o rotativismo em três décadas, a I República em cerca de quatro décadas e meia, o Estado Novo em quase duas décadas e a democracia em mais de duas décadas. Regime considerado malvado, porque de natureza estranha num país que é cirurgicamente invadido sem permissão do paciente, esvaziamento da soberania e do império. Ideias que se hoje são contemporâneas, são extemporâneas do regime em si. A proclamação do Estado-Nação acontece apenas em 1648 com a Paz de Vestefália e a violação da soberania, a ter acontecido, corresponde mais a um processo de continuada degradação das nossas elites políticas e económicas, processo esse que vem já desde o reinado de D. Sebastião. Se 1580 representa o fim do mito dos Descobrimentos, esse fim está já em construção com a entrada nessa empresa de Ingleses, Holandeses e Franceses.

Como é bem sabido, Catarina duquesa de Bragança apresentava-se como a mais legítima ao trono, no entanto, a coroa espanhola conseguiu subornar grande parte dos nobres que votariam em Filipe II de Espanha. A arraia-miúda apoquentada pelos interesses comerciais da burguesia, opõe-se determinantemente à nomeação de tal rei e desde cedo formalizam-se as oposições entre o país senhorial que juntamente com a Inquisição construiria o Estado absolutista em Portugal, e o país inacabado do que viria a ser o Terceiro Estado, já sem capital e quase sem império. 1640 é, no que poderia ter sido, o primeiro grito do pensamento democrático. Foi apenas um grito de independência que logo se tornou gestão de dependências quando entrámos em guerra com Espanha, quando tivemos de negociar clandestinamente a nossa soberania entre potências e se nos avistou o futuro no título de um livro de Almeida Garrett.

6 comentários:

expressodalinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
expressodalinha disse...

Mais do que a independência, Portugal conquistou a dependência.

daga disse...

Fiquei curiosa... qual é o livro? "D.Filipa de Vilhena" ou será "As profecias do Bandarra"? ou outro?

Fatyly disse...

Realmente sempre fomos natos "negociantes clandestinos da nossa soberania".


Viagens na minha terra

daga disse...

mas Viagens na minha terra está ligado à luta entre liberais e absolutistas (D. Pedro e D. Miguel), não me lembro de referências a Espanha...

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Esqueci-me de vir aqui comentar, como vai acontecendo. O livro do Garrett de que falo é "Portugal na Balança da Europa"; uma coleção de artigos escritos pelo Garrett em Londres e que falam da condição da política externa portuguesa entre as grandes potências. Pode ser feito o download de uma primeira edição no site da biblioteca nacional.

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