quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Rumo ao Maracanã 2014




O vídeo acima foi uma excelente ação de marketing da Coca-Cola, veiculada em 11 de julho de 2010, data da final da Copa do Mundo da África do Sul, na qual a Espanha se sagrou campeã do mundo pela primeira vez em sua história.

Nós brasileiros, decepcionados com a forma melancólica pela qual saímos daquele mundial, ficamos felizes, não só por termos sido “vingados” pela Espanha que derrotou nosso carrasco, mas também porque aquele vídeo nos devolveu a esperança: não ganhamos o tão sonhado hexacampeonato na África, porém isso já não importava, pois será conquistado em casa e assim será mais gostoso.

Naquela época, eu fanática por futebol estava mais do que feliz, talvez pelo calor do momento e pela decepção com aquele mundial, em saber que a próxima Copa do Mundo seria no país do futebol, no meu país.

Hoje, diante dos acontecimentos, eu não sei se estou tão feliz quanto em 2010 e olha que só passou um pouco mais de um ano. Aliás, nem sei mesmo se ainda quero o mundial aqui.

Para se entender melhor toda esta história, devemos voltar para o dia 30 de outubro de 2007, data em que Joseph Blatter, presidente da FIFA, anunciou que o Brasil seria a sede do Mundial FIFA de 2014. Na verdade, ele não anunciou, mas sim ratificou que o Brasil seria anfitrião, pois naquela época era o único candidato ao posto.

Foto: Wikipedia

Quando o Brasil foi escolhido, ainda existia o rodízio de continentes na FIFA e tocava à América do Sul organizar a Copa de 2014, de maneira que a Confederação Sul-americana, a CONMEBOL, indicou somente o Brasil, depois que a outra candidata, a Colômbia, por pressão da própria FIFA, retirou a sua candidatura.

É lógico que o anuncio da Copa do Mundo no Brasil trouxe euforia para a população, afinal de contas, o evento máximo da paixão nacional, o futebol, voltaria para o país de depois de 64 anos.

Lula contabilizou grande ganho político com isso, pois foi o Presidente que garantiu o retorno da Copa do Mundo para o Brasil, a segunda chance de nos redimirmos do Maracanazo de 1950, e Ricardo Teixeira, Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, garantiu que o mundial seria um evento integralmente custeado pela iniciativa privada, que não haveria dinheiro público envolvido nisto.  Será? Adivinha o que está acontecendo?

Vou dar uma dica para vocês: sempre que vejo notícias sobre a Grécia, eu as escuto atentamente, pois eles podem servir de espelho para o Brasil, até porque, além da Copa do Mundo em 2014, também teremos uma Olimpíada em 2016.

Próximo post em 29.12.2011: Quem é Ricardo Teixeira?

Larissa Bona

2 comentários:

Fatyly disse...

Gostei muito deste teu artigo e reparo que de facto gostas mesmo de futebol. Eu vou mais noutros e admiro muito e admiro muito o vosso César Cielo, que eu acrescento filho:)

Voltando à Copa do Mundo em 2014 e as Olímpiadas em 2016 (minha nossa ainda falta tanto tempo) essa de ser "custeado pela inciativa privada" até qpodia acontecer uma vez que o Brasil é um país enorme e com uma economia fantástica, mas não acredito que não seja envolvido dinheiro público.
Dá trabalho a muita gente, como cá deu no Euro 2004, mas depois da festa ficámos com estádios ao abandono e um dívida por 18 anos distribuidas pelas respectivas Câmaras, fora o dinheiro que muitos meteram ao bolso, porque neste pequeno país não há nenhuma obra pública que cumpra "o orçamento apresentado". Ganhou o pipoqueiro e o vendedor das bandeirolas e cachecóis e o rest
Foi bonito? Foi e o povo gostou e portanto agora não pode reclamar e eu que não participei em nada e nem vi pela televisão tenho que chupar cana como todos. APRE!

A crise na Grécia é diferente de todas as dos outros países, excepto se te referes aos motins ocorridos nas manifestações...aí é igual em todo o mundo.

Quanto ao video e eu que gosto imenso de publicidade,a Coca-Cola poderia ter sido mais criativa.

e não me digas que Ricardo Teixeira já aprontou mais casos de corrupção-via-FBF:)

Inté!

Larissa Bona disse...

Fico contente de saber que você gostou do meu post Fatyly.

O grande problema da Copa do Mundo no Brasil com os estádios é isso: estádio não dá lucro depois de construído. Logo, a iniciativa privada não quer participar e o governo acaba tendo que arcar com os custos. Acredito que das 12 sedes, apenas 2 estádios são privados, os demais são todos públicos. E pior, há lugares como Manaus e Brasília, onde estão construindo estádios para 70 mil lugares, enquanto as equipes locais não conseguem colocar nem 1000 pessoas neles.

A Copa vai ser uma festa linda, sem dúvida, afinal de contas, você que morou no Brasil sabe que somos especialistas em festas, vide que o maior espetáculo do mundo é nosso, o Carnaval do Rio. Mas que as consequências para nós serão sombrias, isso também está claro.

Por isso que lembro da Grécia, porque apesar de não ser o principal fator, os excessos de gastos públicos com a Olimpíada de Atenas foi determinante para a grande crise grega.

A estimativa que se faz é que só com a Copa do Mundo serão gastos 100 bilhões de reais, um pouco menos de 50 bilhões de euros, imagine mesmo o impacto disto e do dinheiro que será gasto com a Olimpíada de 2016. Temos muitos recursos, mas não estamos livres da derrocada.

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