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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Por que no Brasil tudo é mais caro?


Fonte: www.arrobazona.com

Quanto você acha que eu paguei pelo notebook através do qual eu escrevo este post? Ele me custou algo como 900€, sendo que nos Estados Unidos, o mesmo computador, com a mesma configuração e marca, custa 420€.

Um carro Gol da Volkswagen, considerado carro popular, com a configuração mais simples possível, custa 12.600€, enquanto que o mesmo carro, no México, custa 6500€, isto é, quase metade do preço.

Em Portugal, um Novo Polo, da mesma Volkswagen, custa 13.900€. Já no Brasil, o tal automóvel custa 18.300€. É uma diferença de quase 5000€!

E este tipo de discrepância não se aplica somente aos automóveis da Volks ou a computadores, mas sim a todo e qualquer produto que é comercializado neste país.

Fica a pergunta: por que no Brasil tudo é mais caro? Eu comecei a refletir sobre isso ao ler uma reportagem sobre o aumento do IPI para os carros importados, na sexta-feira passada.

Mas o que é o IPI? É a sigla para Imposto sobre Produtos Industrializados. Trata-se de um imposto federal cobrado sobre mercadorias industrializadas, estrangeiras ou nacionais, com caráter não somente arrecadador, mas também parafiscal, ou seja, regulador de mercado, pois a alíquota do imposto varia de acordo com cada produto e o governo a majora ou a diminui de acordo com a política econômica que deseja adotar para cada setor produtivo.

Contudo, o IPI não é o único tributo incidente sobre a cadeia produtiva, já que há o IR, PIS, COFINS, CSLL, ICMS, CIDE e muitos outros que não cito sob o risco de acabar cozinhando uma sopa de letrinhas.

Ah! Matamos a charada. Tudo é caro no Brasil por conta dos zilhões de impostos que sobrecarregam a produção, certo?

Correto, porém, em partes. É certo que a carga tributária no Brasil sobre a produção é uma das mais pesadas no mundo. Ser empresário no Brasil é quase um ato heróico diante da voracidade do fisco brasileiro, tão voraz que foi apelidado de Leão.

Todavia, há algo mais na carestia dos produtos brasileiros, porque se você analisar bem, a diferença do preço do mesmo carro em Portugal e no Brasil é de quase 5000€, isto é, quase 40%.  Não é possível que tudo isso seja apenas imposto!

Esse algo mais se trata de uma característica cultural do brasileiro: a passividade. O brasileiro é muito pacífico, ele não tem o costume de brigar ou questionar, mas sim de dizer amém a tudo.

A concessionária de carros coloca o preço nas nuvens e o brasileiro, em vez de recusar-se a ser extorquido, aceita o preço estratosférico com a mesma parcimônia de um cordeirinho que se encaminha ao abate.

Costumo brincar que isso é culpa de D. Pedro I do Brasil ou D. Pedro IV de Portugal, porque se ele tivesse deixado os brasileiros fazerem uma revolução pela independência, como os americanos e os da América espanhola, talvez hoje o brasileiro tivesse um pouco mais de brio. Mas não, até a nossa independência foi pacífica, feita pelo filho do Rei, fomos incapazes de brigar por ela!

Assim sendo, conhecendo o comportamento do brasileiro médio, voltamos ao caso dos carros. Presidentes de várias montadoras estrangeiras já deram muitas entrevistas anunciando que o mercado automotivo brasileiro é a cereja do bolo, justamente porque os brasileiros não reclamam de pagar mais do que todo mundo.

Aliás, o brasileiro paga duas vezes, pois como a renda da população é baixa, pouca gente consegue comprar automóveis ou até mesmo roupas à vista, tudo é parcelado no país de maior taxa de juros do mundo, inclusive a compra do supermercado!

E o pior, o brasileiro não se importa de saber qual o valor total que vai pagar ao final de tudo, mas sim se aquela prestação cabe no orçamento do mês. Então, você vende um carro e o consumidor paga dois! Grande negócio não?

Só que com a concorrência dos carros asiáticos, principalmente os chineses, que produzem carros completos mais baratos que os nacionais populares sem direito nem ao tapete do automóvel, as pessoas começaram a comprar mais carros importados do que os produzidos no Brasil.

E o que fez o governo? Aumentou a alíquota do IPI sobre os automóveis que não eram fabricados no Brasil, sob a justificativa de proteger a indústria automotiva nacional da invasão dos importados chineses, coreanos e japoneses.

Para começar, o que seria a indústria automotiva nacional? A Volkswagen da Alemanha, Ford e Chevrolet dos EUA e Fiat da Itália, que são as montadoras instaladas no país? Nacional mesmo no Brasil, meus amigos, só a Caipirinha, o Samba e Pelé.

Será que esta medida de aumentar o IPI dos importados realmente visa beneficiar a população? Acredito que não!

Ora, mesmo com os valores astronômicos de impostos pagos, a indústria automotiva nacional aufere lucros galácticos não só com a venda de carros em si, mas também com os seus bancos de financiamento de carro (além da Fiat, há Banco Fiat, além da Volkswagen, há o Banco Volkswagen e etc.).

Logo, a concorrência dos importados asiáticos, bem mais baratos, não prejudica em nada a indústria nacional, muito pelo contrário, ajuda o consumidor a cair na real e observar que os preços praticados são absurdos.

O risco aqui não é de quebra, mas sim de diminuição de lucro. E como nenhuma das montadoras estabelecidas no país pensa em trabalhar com uma margem de lucro menor para tornar o seu produto mais competitivo, resolveram apelar para o governo para tentar passar a perna nos asiáticos. Isso sim é concorrência desleal, não só com o pessoal de olho puxado, mas também com o consumidor brasileiro.

E enquanto isso, o brasileiro corre para as concessionárias, para tentar comprar aquele carro chinês ou coreano baratinho antes que o estoque de produtos não afetado pela alta do IPI se acabe e o sonho do carro Okm se acabe junto.

Larissa Bona

3 comentários:

Fatyly disse...

Gostei muito de ler este teu post, de uma realidade actual de um país que me acolheu tão bem.

Não estou por dentro dos preços de automóveis e muito menos de computadores mas, esperando que não leves a mal, digo-te o que dizia a uma vizinha na vossa grande Sampa:senta-te nos bera dos fogão e vamos ter um prosuê:)

- Somos tão diferentes mas iguais em tanta coisa. Também nós temos "ziliões de impostos" e faço a mesma pergunta: Porque é que em Portugal tudo é mais caro? Inseridos numa (des)União Europeia, basta ir à vizinha Espanha e comprar tudo o que precisamos - da gasolina ao simples chocolate - muito, mas muito mais barato? Se morasse perto, Portugal não veria um cêntimo meu!
Mais, vocês produzem cada vez mais e são auto-suficientes internamente e os produtos estrangeiros são os mais caros, natural né? Há quem invista nessa imensidão brasileira cuja economia está "nas nuvens", ao contrário da de cá, que está a 1000 metros debaixo do chão, quer pelas péssimas governações, corrupção e o Amen a todas as exigências da UE. Deixamos de produzir cada vez menos e estamos quase no zero e a consumir o que os "espertos" nos impuseram. Nesta tamanha "polenta" houve ingredientes que se aproveitaram, e mesmo com encomendas por fazer, fecharam portas e da noite para o dia a "onda dos desempregados" é assustador.
Mas o Estado foi sempre intocável e o amigo do amigo e mais do outro, engordou, engordou, roubou e o povo ficou "chupando cana".
Vieram os actuais brilhantes políticos, que a meu ver são aprendizes de feiticeiro e em dois anos querem pôr ordem, na desordem de 30 anos? Um 1º Ministro que sugere a emigração para os países lusófonos, num absurdo de cortar, cortar, cortar...e onde fica a economia? Sem economia, não há emprego e sem emprego não há impostos...e assim o rei vai nú!

Larissa soltei uma gargalhada com o que dizes: "Nacional mesmo no Brasil, meus amigos, só a Caipirinha, o Samba e Pelé."

e nós, Nacional mesmo:

só o fado, Eusébio e o Vinho do Porto.

Ainda me matam aqui e portanto vamos continuar nessa:
- Sou angolana e abro as vogais, tu dás a musicalidade do samba e o português de Portugal, fecha e pinta-as de cinzento, mas nós não vamos deixar tá?

Um abraço em forma de chamego,
e desculpa o meu comentário, deste Portugal tão frio, que ausentou-se porque foi ao hospital e está em estado de coma com "a pressão arterial bem alta" devido às ameaças2012, vixe maria, o desgramado vai sofrer bem...

Mas acredito que vai saber dar a volta e lutar p'ra VIDA!

Larissa Bona disse...

Na verdade Fatyly tem muita propaganda quando dizem que somos auto-suficientes. Aliás, há muita propaganda enganosa sobre o Brasil.

A mais grande mentira que já inventaram foi que somos auto-suficientes em petróleo, por exemplo.

A única coisa em que somos auto-suficientes é em "produção alimentícia", mas entre aspas mesmos. Estamos focados em apenas algumas commodities como a soja e é preciso que importemos o mais tradicional componente do cardápio brasileiro: o feijão.

O que está acontecendo aqui é um absurdo, pois a população é muito pobre (ricos mesmos apenas os Banco e Políticos) e os preços são exorbitantes (dizem que não temos inflação, mas isso é só nos dados que mostram na imprensa, no dia a dia, a coisa tá muito mais complicada).

Não se iludam, por incrível que pareça, mesmo em crise, Portugal tem uma situação social muito melhor do que a brasileira.

Larissa Bona disse...

Hahaha! Esqueci de comentar Fatyly, apesar de que quando escrevi eu não tinha a intenção de fazer graça, muita gente que conheço e leu o post,riu da mesma coisa que você. Mas é verdade, nada mais no Brasil é brasileiro.

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