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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O ano político : Mudanças na continuidade I

O ano político de 2011 foi marcado pela realização de dois actos eleitorais : As presidenciais e as legislativas que não estavam previstas mas que toda a gente sabiam que iriam acontecer. Só não se sabe quando, onde, como e porquê.

O maior facto relevante do ano foi o pedido de ajuda financeira internacional ao FMI pela terceira vez na nossa curta história democrática.

Mas voltemos um pouco atrás:

Em Janeiro, Cavaco Silva ganhou as presidenciais por uma maioria absoluta menor que na sua primeira eleição mas mesmo assim foi melhor que Manuel Alegre. Este teve uma votação aquém do esperado mas fê-lo perceber que era muito melhor a escrever poemas. Volvidos estes meses Alegre desapareceu do mapa já ninguém se lembra dele. Foi uma eleição marcada pelo Caso BPN. Passados 12 meses já ninguém quer saber do caso, o que só comprova qual a intenção destas notícias. E isto também vale para Socrates quando estava em campanha no ano 2009 e lhe apareceu pela frente o caso freeport. Cavaco ganhou, Alegre perdeu e Nobre sorriu. O ex-médico da AMI era o candidato do povo e este deu-lhe um nobre segundo lugar. O que é que iria fazer com tantos votos a pergunta que se fazia. Nobre disse "Não" à política mas um talvez à Presidência da Assembleia da República. Não fazia a ideia que meses mais tarde lhe aparecia um Coelho com um convite aquele orgão. Hoje Nobre tem muitos votos mas nenhum cargo político.

Enquanto isso iamos caminhando alegremente de austeridade em austeridade rumo ao abismo final, como hoje se constata. Apesar dos avisos, das notícias, do aperto dos mercados, o Primeiro-Ministro Socrates achava que estava no país das maravilhas. Onde fazia sol e tudo era bonito, apesar de um Ministro das Finanças com um discurso bem diferente. Era sempre o ultimo, dizia o ex-PM. Até que um dia houve um Coelho que se chateou e disse não a mais sacrificios. Esse mesmo Coelho que hoje ficará na história como aquele que tirou subsídios a grande parte dos portugueses. Tudo em bom nome da austeridade. Foi em meados de Fevereiro que as palavra austeridade e crise começaram a entrar em casa de muitos portugueses, já de si muito pobres.

Até que num dia de sol os mercados começaram a cortar o rating de tudo o que era empresa e banco português. O aviso estava dado mas a culpa era da crise internacional e das agências de rating. Nunca é nossa. Ninguém sabia quem era Moody´s, Standard e Poor´s. Num ápice elas começaram a jantar connosco. Foi num dia de chuva e quando já ninguém esperava que Socrates anunciou ao país o pedido de resgate ao FMI. Este há muito que já estava preparado para salvar Portugal, até porque já tinha feito o mesmo na Grécia e na Irlanda, pelo que a experiência e as medidas não iriam ser muito diferentes. Tratar tudo por igual é o lema do FMI. Socrates a dizer que a culpa era da situação internacional e Teixeira dos Santos mal disposto pelo Primeiro não ter ouvido o Segundo.

O FMI aceitava o pedido de resgate mas com condições. Que a ajuda financeira não fosse executada pelo Primeiro-Ministro da altura. Ora, Socrates não aceitou esse facto porque ele era o Primeiro e sempre o Primeiro. Mais ninguém ficava bem no papel de PM que não fosse ele. Assim, o FMI teve que se contentar com a realização de eleições antecipadas. Mas Socrates concorreu porque sempre a teve a certeza que os portugueses o amavam e os mercados é que davam facadinhas nas costas. Contra ele, concorria um Coelho que não desistiu do sonho de ser PM e lutou com todas as forças contra os barões e baronesas do PSD. Ganhou o Coelho mas sem a maioria absoluta o que o obrigou a formar governo com o CDS e ter que aturar Portas. O Coelho foi um buscar um Nobre que estava só e abandonado à espera de um cargo político e convidou-o para Presidente da Assembleia da República. Só que o CDS, recente parceiro de governo; não foi de modas e disse não à nobre candidatura, ajudando a que o Coelho tivesse a sua primeira derrota política. Assim, Nobre foi à sua vida e à espera de uma melhor oportunidade para usar os seus votos conquistados nas ultimas presidenciais. Para o seu lugar, foi eleita uma mulher de nome Assunção Esteves que ficará na história como a primeira mulher Presidente da Assembleia da Republica. Estava dado o tiro de partida para o crescimento do movimento feminista no nosso país.

Entretanto chegou a Portugal a tão famosa troika composta por membros do FMI, BCE e UE e que nos meses seguintes nos ajudariam a ser ainda mais pobres do que aquilo que já somos.

(continua....)

2 comentários:

expressodalinha disse...

É tudo verdade. Mas estou convencido que nada ficará na história, a não ser o colapso da Europa.

Francisco Castelo Branco disse...

será a parte III desta revista

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