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sábado, 17 de dezembro de 2011

NATAL - PRESENTES E AUSENTES


O Natal é uma quadra de contrastes. Sentimos mais a família e a falta dela. O Natal transporta consigo um cortejo de mortes. Familiares que recordamos na sépia dos retratos gravados na nossa memória distante. Fantasmas que passam por nós nos corredores infinitos da saudade. Há um Natal presente e um Natal ausente. Um Natal em que recebíamos presentes e um outro em que somos nós a pagar. Dantes suspirávamos por uma data mágica que descia pela chaminé. Hoje corremos na fúria da compra inútil. Já não há Pai Natal. Há uma ilusão desgastante que se queima no altar egoísta do consumo. Um furor de consoada que se rasga nos papéis de embrulho na véspera do perú assado. Há um Natal de mensagens pré-gravadas e SMS. De jantares comemorativos feitos de rotina irremediável. O Natal é um engano que persistimos em manter. Um engano em que mantemos vivos os presentes ausentes.
Jorge Pinheiro

9 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Tudo depende, tudo depende. Tudo depende essencialmente da nossa riqueza interior. Este Natal o primeiro desde há mais de vinte anos que passarei sem a minha esposa será forçosamente diferente. De memória como diz mas não de retratos de cor sepia. Não deixo que as minhas memórias ganhem essa cor. Nem dela nem dos meus avós ou avós. A cor da memória nós escolhemos mesmo que as fotografias ganhem esse tom amarelado. O carácter do Natal nós escolhemos. Podemos render a nossa alma à supercialidade do papel rasgado com pressa depois do bacalhau ou não. Á nossa vontade, tudo depende da nossa vontade. Para essa ainda não limite ou imposto ou taxa. Só depende da nossa riqueza interior. Para mim o Natal não mudou, nunca mudará espero mesmo que este seja particularmente duro. Encontro sempre em mim e em muitos dos que me rodeiam razão para esperar e para desejar Um Santo Natal.

Fatyly disse...

Grande comentário e se não for abuso subscrevo totalmente.
Natal é isso mesmo!

expressodalinha disse...

Fernando e Fatyly: Ainda bem que ambos conseguem ultrapassar esse Natal "sépia" que eu dramatizo. Fico contente pelos dois... E, já agora, Bom Natal.

Fatyly disse...

Terás as tuas razões que respeito, mas já passei tanto, mas tanto e sempre consegui manter o optimismo, esperança e o sorriso...mesmo chorando.

Um abraço e também para ti e todos os teus, um Bom Natal e se quiseres te juntar aos 13 bagunceiros (já com algumas cadeiras vazias) onde nunca houve perú nem excessos de doces e prendas XPTO, dispõe...porque acrescenta-se uma posta de bacalhau (que detesto) e bola p'ra frente:)

Um abraço sincero

Francisco Castelo Branco disse...

Bom texto
Este ano não haverá presentes na minha familia. Por causa da crise mas porque também já não faz sentido visto que somos todos crescidos.
O natal é uma época de reunião de familia e de muita solidariedade.
Reparem que até as campanhas publicitárias relacionadas com o natal sao cada vez menores.
Acho que as pessoas vão começar a gastar menos nesta quadra. a atitude de PPC ajudou para melhorar isso

expressodalinha disse...

A questão para mim não é tanto as prendas compulsivas ou o consumismo idiota. É mesmo um saudosismo de pais e avós desaparecidos e de famílias divorciadas que se juntam em arranjos complexos com datas separadas para comer bacalhau. A santificação ou não da data é outro tema. Esse não trato aqui, nem me parece que tenha algo a ver com "este natal". Agradeço a oferta da Fatyly. Fica para outra vez :))

Fatyly disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fatyly disse...

FCB
Lá estás tu a meter a atitude do PPC onde não é chamada mais pareces um vendedor da banha da cobra. (desculpa). Deverias ler melhor o texto e os comentários e já agora porque não ser solidários 365 dias ao ano? Olha que eu sou!

Depois dizes:
"Este ano não haverá presentes na minha familia. Por causa da crise mas porque também já não faz sentido visto que somos todos crescidos."

Nãoooooooooooo acreditoooooooo, desculpa lá mas nãoooooooooo acreditooooooooo porque deixo-te estas questões:

- Vais jantar sózinho, acompanhado ou com a família? Com a família é ou não um presente?
- Tens ou não tens uma árvore de Natal? Se não, aceito, se sim, tens ou não um presente?
- No exercício das tuas funções recebeste ou deste algo simbolizando o Natal? Nem um bombom? uma caixa dá para quantos? - isso não é um presente? Não acreditooooooooooooo!

Nós eramos 14, morreu o meu pai e um irmão, separei-me e já não está entre os vivos, mas com os meus dois netos mais novos somos 13 (nº que gosto) e sempre que nos juntamos (apenas os daqui, os outros irmãos são do norte e por lá ficam) e ainda PPC usava coeiros e tu eras ainda mais puto, comigo e factor que transmiti não havia consumismos absurdos.
Sabes o que eu recebi o ano passado? Uma miniatura do pai Natal para a minha colecção, custo - 0,80€ e umas malandrices dos genros no meio de tantos embrulhos havias de ver o que são prendas gratificantes e muita paródia de morrer a rir! Aliás juntamo-nos sempre que se pode, não só no Natal.
Mais, nos anos da matriarca a minha mãe: há um sorteio para cada um levar algo para a consoada e assim não pesar a quem recebe por ter uma casa maior, isto é o verdadeiro espírito de Natal.
Os crescidos não têm direito a receber, nem que seja um beijo lambuzado de mousse como eu já levei tantos?
E claro...das 3 cadeiras vazias, para mim há duas que sinto, mas sinto muito a sua falta (a outra esfumou-se no tempo e nem quero falar disso) e neste momento mal vejo o teclado, tudo porque o meu pai detestava bacalhau como eu e fazia arroz de polvo para os dois. O meu irmão morreu com 22 anos ainda em Angola e já depois da independência!

Gostava de ser mosca para ver o Natal de PPC para ver se por acaso são tão crescidos como tu!

Escrito com fúria e gostaria de dizer-te isto e muito mais - mas olhos-nos-olhos sem nunca tocar a raia da falta de respeito, o que de todo não faz parte de mim!

Expresso...sei bem do que falas e força aí, são momentos em que passam filmes do passado, mas eu não deixo que as gavetas se abram...excepto quando me tiram do sério com "pregões". Como eu, com a mesma atitude e garra, há milhões de portugueses e toma um abraço sincero e respeitador e quem não precisa por vezes de "colo" que atire a primeira pedra!
Neste momento...e por outros motivos igualmente sufocantes...bem que precisava de um ombro, paciência encosto-me ao móvel e daqui a nada estou recomposta:):):)

Fico feliz por estes inúmeros eventos a favor dos mais desfavorecidos e ao contrário da maioria que diz ser uma fantuchada, eu digo: pelo menos uma vez no ano plantam-se sorrisos e mata-se a solidão a tanta gente.

Um Bom Natal e ninguém, mas ninguém - nem TROIKA NEM O RAIO QUE OS PARTA - matará a criança que há dentro de mim e a figura do Pai Natal que sempre foi o meu idolo por ser tão bonito, terno e meigo:), só a morte o conseguirá fazer e mesmo assim...hummmmm...vou leva-lo comigo:)

Possa...tenho que sair daqui e DESCULPEM!!!!

expressodalinha disse...

Estive hesitante em fazer post. Agora vejo que foi útil para compreender melhor o Natal. Os posts tb servem para exorcisar demónios. Abraços a todos.

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