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domingo, 11 de dezembro de 2011

HINOS NACIONAIS


Os hinos nacionais definem os povos. "Deutschand uber alles/Uber alles in der Welt" (Alemanha sobre todos/ Sobre todos no mundo). A Canção dos Alemães é um hino à megalomania e à sobranceria. Um hino de conquista e de hegemonia. Um povo que se julga o maior. Que se julga mais que o mundo. Que julga que o mundo são eles. Um povo que sempre ganhará mesmo perdendo. Já os britânicos colocam tudo em cima da rainha. Uma visão simbólica e salvífica da pátria. "God save our gracious Queen/Long live our noble Queen". Havendo rainha está tudo safo. Uma redenção sebastiânica de ilhéus enovoados pelas brumas de Avalon. As aspirações estão na rainha. A rainha está City. Os italianos, esses, alegram-se pelo simples facto de poder ser um país. Coisa que, diga-se de passagem, não foi nada fácil. "Frateli d'Italia/L'Italia s'è desta" (a Itália levantou-se). Roma há muito se perdeu no passado. Os italianos orgulham-se de estar levantados depois de tantas invasões bárbaras. Na França, a Marselhesa é bem reveladora da confusão mental dos franceses. Um povo que "tem o rei na barriga". Julgam-se grandes e são apenas chauvinistas. Um povo convencido e desconfiado que vê maquinações em todo o lado. "Tremei tiranos! e vós pérfidos/O opóbrio de todos os partidos/Tremei! vossos projectos parrícidas". Uma semântica só para gauleses entenderem. Já a Espanha é um paradoxo (ou talvez não). Ora sentimental, ora irreverente. Ora violenta, ora poética. A Espanha não tem um povo. Tem vários. Talvez por isso, o hino não tem letra. Assim todos podem assobiar. Portugal é um país de contra-ataque. "Às armas, às armas/Contra os canhões marchar, marchar". Portugal deixa-se invadir e só depois dá o contra golpe. Um povo de guerrilha e de emboscadas, na melhor tradição de Viriato. Os hinos são isso mesmo: a auto-análise de um povo. Uma síntese da genética nacional.
Jorge Pinheiro

3 comentários:

myra disse...

nao gosto nao acredito em nenhum hino!!!!

Fatyly disse...

Sinceramente não analiso e muito menos digo que "o povo é..." pelo seu hino nacional.
Do nosso, gosto muito da música e sempre detestei a letra assim como do hino de Angola.

Numa coisa eu concordo: somos um povo de emboscadas mas sem qualquer poder de defesa (e quem deveria fazer esse papel com medidas pesadas e duras, não o faz) um dia destes começam a defender-se e aí virá a guerrilha. Falo da actual criminalidade e não me venham dizer que é pela fome, a meu ver aproveitam-se da crise, porque a justiça é branda e ineficaz.

Larissa Bona disse...

Fantástico! Adorei a comparação dos hinos com os povos! O hino do Brasil é tão rebuscado, que nenhum brasileiro sabe realmente o que está cantando, as frases são todas trocadas e sem sentido. Eu mesma só fui entender a letra diz com 22 anos.

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