sábado, 17 de dezembro de 2011

FAZ HOJE 50 ANOS


Naquele ano de 1947 a situação na Índia era particularmente instável. Ghandi tinha um sonho: “Converter as pessoas britânicas à não-violência e, assim, fazer-lhes ver o mal que tinham feito à Índia”. A Índia tornou-se independente em 15 de Agosto de 1947. Ghandi foi assassinado a 30 de Janeiro de 1948. A instabilidade no sub-continente indiano era enorme. Hindus e muçulmanos combatiam-se. Para uns a Índia, para outros o Paquistão. A mensagem do movimento Satyagraha assustava os portugueses. A não-violência, a não agressão. O protesto como meio de revolução pacífica. O apelo à desobediência civil… Os goeses residentes na União Indiana que não renegassem a nacionalidade portuguesa, começaram a ser perseguidos. O movimento Azad Gomantak Dal inicia ataques à bomba em esquadras policiais fronteiriças, cortando vias de comunicação e fios de telefone. O Acto Colonial restringia as reuniões e associações políticas. O Estado da índia foi reduzido a uma “colónia”. A conscrição da população foi tornada obrigatória. As perseguições e as prisões começaram. Nerhu afirmava: “Goa é parte integrante da União Indiana e a ela deve regressar”. Portugal não queria ser o Reino Unido. Portugal não sabia o que fazer. Por isso, não fez nada. Recusou iniciar negociações diplomáticas. Deixou que a guerra política e verbal subisse de tom, até à Operação Vijay. A 17 de Dezembro de 1961, deu-se a invasão. A 19 de Dezembro a guarnição rendia-se. Trinta e seis horas que acabaram com uma presença de 451 anos. Goa, Damão e Diu, jóias da coroa portuguesa, eram, agora, saudades do Império. Um Império caduco. O primeiro e o último império europeu. Um império que em breve desabaria.

In "Há Biscoitos no Armário", de Jorge Pinheiro.

1 comentário:

Fatyly disse...

Um artigo interessante com pequenas coisas que desconhecia. Obrigado pela partilha!

Share Button