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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

De quem é a culpa?

Hoje a União Europeia entra numa nova etapa da sua existência. A União Politica começa a desmembrar-se dando origem a uma União Económica que terá mais ou menos força, isso é o que se verá daqui em diante.
As decisões tomadas pelo novo Tratado da Zona Euro afectarão apenas aqueles que estejam interessados em aderir ao Euro, mas com o decorrer do tempo este diploma irá ser melhorado e aprofundado para que nele se estabeleçam regras politicas. Pelo que é possível que tenhamos duas europas ou então aqueles que estão fora do euro acabem por seguir o seu caminho sozinho....

Nestes desalinhados, é assim que podemos começar a chamar aos não aderentes do Euro, está o Reino Unido que sempre teve uma visão "cautelosa" da Europa e do próprio Euro. O seu conservadorismo deu-lhes razão e aquilo que está a acontecer não os vai afectar. A chanceler Merkel disse que o Reino Unido estaria a pensar nos interesses nacionais. Mas então não é esse o ponto? Não está a senhora Merkel a fazer o mesmo? E Sarkozy? Qual a razão deste "novo tratado"? É para ter poderes para mandar numa Europa que terá mais Estados que a Velha Europa irá ter.

David Cameron não se deixa ir no engodo e na armadilha que franceses e alemães estão a preparar aos outros países. E muito bem não acedeu à chantagem nem às regras que os dois querem impôr com o novo tratado.

Já Merkel e Sarkozy conseguiram que os restantes países seguissem a sua proposta, Portugal inclusive. Agora têm a maioria dos países a seu lado e podem criar o Tratado da Zona Euro da maneira que mais lhes convêm, até porque os países nórdicos e de Leste culpam os incumpridores pelo que está a acontecer. E sendo países onde a rigidez e disciplina orçamental predomina é natural que estejam ao lado de franceses e alemães.

No fim desta lista estão os países incumpridores, ou melhor os PIIGSS. Os países do Sul da Europa que pela sua displicência, indisciplina, falta de verdade ou cuidado levaram a Europa a tomar uma decisão destas. Irreversível. Pelo que são estes que irão sofrer mais com as novas regras, sendo que a margem de manobra será mínima.

A Europa Federal começou hoje.

6 comentários:

daga disse...

A Europa dividida ou "desmembrada" como diz no texto, porque Federal será só a parte dos aderentes (forçados ou não), ou não entendi bem?

Francisco Castelo Branco disse...

sim, os 17 farão parte da europa federal, os outros caminharão sozinhos, até porque são menos

e os paises que aderirem á UE, como a croácia?

Fatyly disse...

a culpa foi de quem nos meteu na UE e ou eventualmente termos entrado mas mantermos o escudo.

Vai ali a Nafarros e fala com o avô que pode ser que te peça desculpa.

Agora pergunto eu: na altura do campeonato interessa saber de quem é a culpa? Há penalizações com medidas duras? se houver eu digo e até levo um bolo à cadeia ali no Bugio, que daria para todos.

Claro que não, portanto o que fazem os lacaios? Servirem e portanto meu amigo há que andar para a frente e de cara alegre...mas a fazerem o que sempre fiz: não gastarem mais do que recebem e não viver à custa do Estado e tentarem tudo por tudo a não engorda da Indústria Farmaceutica em termos de depressão que adoram aumentar o que se vai gastando mais!

Fernando Vasconcelos disse...

Vamos por partes. Uma coisa é a moeda única. Essa moeda implica regras de disciplina orçamental para fazer sentido. Não é verdade Francisco que apenas os países que referes não tenham cumprido esses valores. TODOS os países inclusivamente a Alemanha e a França o fizeram e quanto aos países de Leste mais recentes veremos o que irá acontecer quando se lhes acabarem os fundos estruturais, lembram-se - Porque palpita-me que muitos deles estão a ser "sorvidos" pela Alemanha e pela França exactamente da mesma forma. São na maioria dos casos tão incompridores ou mais do que nós e nem quero pensar na contabilidade criativa que deve por lá andar. É uma fantasia a questão da divida soberana ou da sua expressão função do PIB, basta ver os números. Em todo o caso isto diz respeito apenas ao euro. A união económica ou seja a que permite a livre circulação de pessoas, bens e serviços pode fazer-se com ou sem moeda única e essa ainda não esteve em causa. A Inglaterra não alinha na revisão do tratado mas também as modificações não lhe dizem respeito, nem a ela nem aos outros 10 que não fazem parte por razões diferentes do espaço da moeda única. A união europeia precede o euro em muitos, muitos anos. A ideia de uma moeda única foi um passo que provavelmente se tomou um pouco rapidamente demais mas cujas consequências em principio dizem respeito apenas à existência da mesma ... Porque obviamente um mercado maior à partida é um beneficio para todos ...

Anónimo disse...

Estamos escamoteando o problema a verdadeira razão do descalabro foi, é e será o modelo social europeu, somado à política " de portas abertas" da China!.... A chamada globalização provocou um efeito de vasos comonicantes financeiros e económicos....onde as economias tendem a nivelar-se onde as mais ricas se esvaziam em favor das mais pobres!.... Isso foi previsto e escrito por Alain Pierrefitte ministro da cultura de Charles De Gaule na sua obra " Quando a China despertar" nos princípios de setenta fins de sessenta! Está lá tudo. Na altura, em plena " revolução cultural" com os " guardas vermelhos " espalhando o terror por toda a China e aspirantes a seus seguidores em todo o mundo, ninguém levou a obra a sério! Eu levei e foi meu livro de cabeceira por algum tempo. Estamos passando pelos " after shocks " , as placas tectonico / económicas vão acomodar-se com a crise e tudo vai continuar, embora um pouco diferente. Como diz Tim Gaitner( secretario do tesouro americano e conselheiro de Obama)..... Não se deve perder uma crise!

E eu concordo.

DCS ( retired ATP)

expressodalinha disse...

O euro começou por ser político antes de ser financeiro. Estamos a assistir a essa correcção.

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