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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

2.2.1.1. Ciclo da cana-de-açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Sousa – parte I


Martim Afonso de Sousa, de bobo, nem o olhar

Desde 1528 que D. João III já sabia que era impossível defender a posse do território brasileiro sem povoá-lo, mas isso não mudava a grande falta de entusiasmo que sentia pelo Brasil, já que Portugal havia mandado várias expedições ao novo território e ninguém nunca havia encontrado o que os espanhóis acharam em abundância no México: ouro e prata.

Seguramente, em seu íntimo, o Rei pensava: “malditos espanhóis sortudos, encontraram ouro e nós somente pau-brasil, porque não desviamos mais ao norte, ai que raiva”.

Em 1530, mesmo sabendo há dois anos que, se não colonizasse o Brasil, Portugal iria perdê-lo, D. João III ainda não tinha feito nada para tanto, porque o comércio com as Índias ainda era interessante, mesmo decadente.

Contudo, naquele ano chegou-lhe aos ouvidos uma notícia que reacendeu a chama da paixão portuguesa pelo novo território: os espanhóis acharam Prata no Peru.[1]

Imediatamente, o Rei chamou Martim Afonso de Sousa, amigo de infância e homem de sua confiança e deve ter-lhe dito:

“Martim, os espanhóis encontraram prata no Peru. Só que quem vai ficar com essa prata é a gente, porque eles estão ocupados brigando com os franceses, então dá tempo da gente chegar lá primeiro do que eles e ficar com tudo. Presta atenção que eu tenho um plano. Como o Cristóvão Jacques disse que não há como proteger o território sem colonizá-lo, eu quero lhe mandar ao Brasil para fazer isso. Oficialmente, vamos dizer que você vai para expulsar os piratas, explorar o rio que o Vicente Pizón encontrou, defender e colonizar o território, para enganar os espanhóis, porque na verdade você vai é aumentar o nosso domínio até o Rio Prata, porque essa é a porta de entrada para as riquezas dos Incas. Dane-se Tordesilhas! Danem-se os espanhóis. Quem chegar primeiro leva. E aí topa?!” Martim Afonso de Sousa respondeu: “tô dentro” [2].

Assim sendo, em 03 de dezembro de 1530, partiu de Lisboa, com 05 navios e 400 homens, a primeira expedição “colonizadora” do Brasil, comandada por Martim Afonso de Souza, acompanhado de seu irmão Pero Lopes de Sousa, e no final de janeiro de 1531 chegou ao litoral de Pernambuco, já dando de cara com três navios piratas franceses.

Próximo post em 27.12.2012: 2.2.1.2. Ciclo da cana-de-açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Souza – parte II



[1] A história de como D. João se inteirou da descoberta espanhola é bastante interessante, se os meus amigos que contam a História de Portugal não contaram ainda, me avisem nos comentários, que eu faço um adendo e conto para vocês.
[2] Este diálogo não é uma reprodução fidedigna da conversa entre D. João III e Martim Afonso de Sousa. É apenas uma maneira mais bem-humorada de contar a história. Muito embora, este diálogo seja uma ficção, ele retrata mais ou menos o raciocínio do Rei quando mandou Martim Afonso de Sousa ao Brasil.

6 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

afinal os portugueses também sabem "enganar" os outros.
Especialmente os espanhois que na altura tinham um dominio muito grande

Larissa Bona disse...

Os portugueses foram inteligentes, souberam fingir-se de mortos, enquanto os espanhóis brigavam com meio mundo. Você pode reparar que muitas vezes, os portugueses chegaram primeiro que os espanhóis, porque estes estavam guerreando. Os portugueses chegaram primeiro às Indias, porque os espanhóis estavam preocupados em expulsar os mouros. E depois, os portugueses enviaram uma expedição para explorar o Rio da Prata 4 anos antes dos espanhóis, porque estes estavam guerreando com a França.

Francisco Castelo Branco disse...

enquanto os espanhois lutavam, os portugueses conquistavam

expressodalinha disse...

Posso fazer um post sobre o canibalismo?

Francisco Castelo Branco disse...

Por mim

Larissa Bona disse...

Fique a vontade!

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