quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Para nascer pouca terra, para morrer toda a terra - Diários de Estocolmo

Segunda entrada deste diário e já os meus amigos suecos me avisam que o Inverno será rigoroso, se formos a contar com os dois passados. E é assim precisamente que se conta uma narrativa: observada tendência logo se constroem os passos suficientes para se montar argumentos que ora dão em romance ora em ciência. Claro que os invernos aqui são sempre rigorosos e não são precisas ciência ou literatura para contar estória que seja. Viver nos dá experiência, experiência que logo se torna mecanismo. Para alguns, viver é saber que se morre e quanto mais se vive mais perto se chega da morte e daí parece que a pior doença do mundo seja viver, enquanto para outros lhes serve o contrário. Mas a morte não poderia ser mais inevitável. A morte é um retorno; uma ascensão sem fim, que tem o seu início em atos inevitáveis: o encontro entre contrários. É nesses contrários que a experiência se usa como narrativa, uma tentativa sempre falhada de ver o provável no altamente improvável.

Não precisariam de ciência os camponeses e a patrística com os deuses, sol e lua, marte e vénus, masculino e feminino no seu contrário, para entender os opostos em que o mundo se acha a si mesmo - pois só o Homem acha o mundo, talvez porque os animais já se encontram achados e por isso são pacientes na sua ação. Mas como parece que as ideias apoquentam o Homem, logo se separou o que havia de separado, porque atingível. E nesses contrários se colocaram também os diferentes nomes aos quais correspondem cada ciência, cada feito humano, cada estória que, combinados, dão em história e aparente continuidade. As mesmas contrariedades que hoje me fazem escrever esta entrada na porta da Academia sueca.

3 comentários:

daga disse...

Realmente a vida humana é feita de "contrários", de oposições, de conflitos e nem sempre é fácil escolher o caminho sem cair nesses extremos...
Mas o inverno é bom para reflectir ;) - quanto mais frio melhor a reflexão!

daga disse...

Realmente a vida humana é feita de "contrários", de oposições, de conflitos e nem sempre é fácil escolher o caminho sem cair nesses extremos...
Mas o inverno é bom para reflectir ;) - quanto mais frio melhor a reflexão!

Francisco Castelo Branco disse...

odeio frio.

o frio sueco deve ser tramado

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