quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os mal-educados

No próximo Sábado vão-se realizar em cerca de 60 países manifestações do movimento "Indignados". Como não poderia deixar de ser, em Portugal também se vai realizar este protesto com a realização de uma Assembleia Popular junto à Assembleia da Republica.

Os protestos de Sábado são uma continuação da revolta iniciada em Madrid com a ocupação da via publica para acampamentos e outras coisas. Também teve origem nas redes sociais, o que só vem provar a utilidade destes meios de comunicação.

O que se pode questionar é a utilidade destes protestos. Não se percebe como ainda existem pessoas que olham para os politicos como corruptos, mentirosos e outras coisas piores. Temos de olhar para o nosso umbigo e perceber que a culpa da crise também é nossa. Do cidadão comum. Esta crise teve origem na sociedade pela falta de valores e regras em que a "nossa sociedade" vive.

Ninguém de bom senso quer a anarquia nem a selvajaria. E o que este movimento pretende é isso mesmo, criar um mundo sem leis nem objectivos. Há quem reclame "um mundo novo", mas eu pergunto quem governaria nesse mundo novo?

O que se vai passar no Sábado é um reflexo da sociedade mundial. Está revoltada, desempregada e com poucos recursos. Mas também não é mentira que muitos dos que protestam pouco se esforçam para conseguir algo na vida. Querem um mundo novo mas lutam pouco pelos seus objectivos e pretendem facilidades no acesso a tudo, pelo que depois protestam por tudo e por nada e acham sempre que os governantes é que estão mal.

3 comentários:

Fatyly disse...

eu também concordo contigo, não é através de protestos descabidos que se vai a "bom porto". Cada um deveria lutar por si e num todo e não sou eu que darei as dicas...mas com esta maquineta tudo é possível.

Quando escreves

"Não se percebe como ainda existem pessoas que olham para os politicos como corruptos, mentirosos e outras coisas piores."

eu olho SIM embora existam raras excepções e sabes porquê? Por saber que os sucessivos governos todos se encheram, todos viveram além, mas muito além do que deviam com o dinheiro dos nossos impostos e os soberbos desvios por debaixo da mesa e ainda por cima...ao serviço do Estado os lugares que deixaram estavam cativos. Diria que "não" se visse os corruptos a malharem nos tribunais sem direito a mil e um recursos, a devolverem o que gamaram e os seus bens penhorados em prol da dívida pública! Conheço quem por uma dívida de três mil e tal euros, mais que negociáveis e sempre a levarem um não, foram a casa e limparam tudo até a bilha do gás! E os que roubaram "mil milhões de euros" continuam impunes e a gozarem?


"Temos de olhar para o nosso umbigo e perceber que a culpa da crise também é nossa. Do cidadão comum. Esta crise teve origem na sociedade pela falta de valores e regras em que a "nossa sociedade" vive."

temos sim, aliás devemos sim, sobretudo aqueles que só podiam calçar chinelos de plástico e ambicionaram as sandálias de diamantes.

e os políticos e não só...por serem cidadãos comuns deveriam exercer essas funções com brio, honestidade, simplicidade...mas o poder sobe-lhes à cabeça e é o que se sabe. Ah é uma minoria de 400/500 num universo de 10.000.000 poderás dizer. Mas junta toda a máquina do Estado...

Sim mas que deixaram este país de tanga e volto a repetir...


Como podes ter objectivos se sabes que estás ao serviço de A, por oportunismo da crise "quem tem a bunda colada à cadeira de uma chefia e que sabe que ninguém lhe toca porque há anos que está naquele cargo sem fazer a ponta de um corno", despedem a torto e a direito e assim ficam com menos encargos (encargos esses muitas vezes aldrabados junto das finanças e Segurança social com o velho prejuizo) em vez de olharem "ao real valor e formação e desempenho de cada um"? A verdade, honestidade, pontualidade e pôr as pontas nos´"ís" é algo que quem chefia certos organismos até não públicos não gosta pelo que fazem o que querem.
Tens uma única casa para pagar, eventualmente um carro roscanhofe, hoje a meu ver não é um luxo mas um mal necessário, pagas balúrdios nos transportes públicos (alguma vez acredito no prejuízo da REFER?) és poupado e de uma hora para a outra estás na rua, com filhos para criares...etc. Vais à luta, mil e uma proposta de empregos e sabes que 80% das vagas que surgem já estão ocupadas a troco de quê e por quem? Selecções atrás de selecções, num vai e vem doentio e no final fica um...qual um? pois o que nunca foi a nenhuma entrevista nem andou nessa gozação dantesca mas porque é familiar do familiar e do amigo!

Depois como deputado, ministro etc. ao fim de pouco tempo tens direito a uma reforma e vai lá vasculhar as reformas que são pagas...por vezes até de quem nunca pôs os pés de onde deveria ter estado e que nunca esteve e quem trabalhou 30/40 anos tem o que tem.

A crise é mundial, mas "os governantes estão mal..." a meu ver estão em estado de coma...e basta olhar para a UE onde 27 ao serviço de milhões não se entendem...queres que esses milhões e milhões procurem o quê e onde? Abrir um negócio...como assim? Com a burocracia e falta de poder de compra abrir o quê?

Por acaso já pensei num, vou abrir uma escola de formação, e como agora só se escreve apenas as siglas a minha será:

UPÉCCC

Dou-te um chupa se adivinhares

e felizmente não faço parte dos "mal-educados", mas ando à rasca como todos e sem objectivos alguns, porque já sou velha...com 35 anos já são não são?...olha eu com 60 estou mumificada:):):)

expressodalinha disse...

Há protestos que valem por si!

Fernando Vasconcelos disse...

Eu também não vou nesta linha de protestos pelo menos enquanto não perceber exactamente o que querem. Querem um mundo novo diz. Talvez. Acho que se perguntar a cada um dos manifestantes encontrará uma visão diferente e muitas vezes algumas antagónicas. Enquanto as manifestações forem pacificas não vejo nelas nenhum mal antes pelo contrário, pelo menos é um sinal de saída de uma letargia é fazer qualquer coisa. Não sei se iria tão longe a ao dizer que uma manifestação não é produtiva. Isso é quase como dizer que a arte não é produtiva ... Manifestar-se é um direito e um dever do cidadão se achar que algo está mal. Com paz. E manifestar uma opinião na rua vale tanto como por exemplo este comentário. Produz algo. ideias, opiniões, contestações, ... tão importante como os bens materiais que nos toldam às vezes as prioridades. Agora numa coisa concordo, falta um pouco de rumo a estas manifestações globais, protestam contra demasiadas coisas sem terem um verdadeiro fio condutor, posso estar enganado mas foi isso que vi na rua.

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