segunda-feira, 19 de setembro de 2011

9.5. História de Portugal: Do ouro às commodities e o desenho da independência do Brasil

Após a fixação no território que ficou conhecido como política das capitanias, a colonização brasileira iria desenvolver-se em torno da exploração do ouro da região de Minas Gerais. A penetração no território iniciada pelos Bandeirantes e variados contactos com as populações indígenas permitiram a descoberta de ouro nos finais do século XVII. Em 1697 já se explorava ouro nas Minas Gerais na ordem dos 115 quilos e até 1739 esse número cresceu para cerca de 10 toneladas. A economia do Brasil e, consequentemente a economia colonial portuguesa, passou essencialmente a viver do ouro trazido do Brasil, ouro esse que permitia aliviar as despesas do Estado e as dívidas contraídas ao estrangeiro. Portugal mantinha-se como país entreposto, depois que fora vencedora a visão comercial face à industrial e agrícola, como indica António Sérgio num dos seus ensaios.

O governo de Pombal tentou atenuar a pressão internacional sobre Portugal encetando uma política Mercantilista, ou seja, protecionista. Política já tentada pelo terceiro Conde da Ericeira mas sem sucesso. A indústria nacional tentaria contrabalançar o peso das importações nacionais, tendo o ouro como moeda de troca excelente nos mercados internacionais da altura. A ideia de Pombal, similar à que séculos mais tarde repetiria Salazar, era simples: substituir as importações por produtos nacionais e fomentar, através dos territórios coloniais, uma exportação baseada na exclusividade mercantil.

Ao lado do florescimento do comércio de ouro, crescem também as cidades e vilas do que hoje é o Estado de Minas Gerais. A emigração portuguesa, a miscigenação e o tráfego de escravos permitiu o aparecimento de localidades em muito parecidas com as portuguesas na sua organização e estética. Floresce também a arquitetura barroca que tem a sua grande expressão nas igrejas cobertas de ouro.

O fim do século XVII também assiste a uma crise sem precedentes na indústria açucareira, o que acelera o predomínio dos senhores do ouro em detrimento do senhor do engenho da Bahia. Assiste-se, então, ao crescimento da importância do centro sul face ao nordeste, de São Paulo, Minas Gerais e depois Rio de Janeiro face a São Salvador. É também nesta altura que os Holandeses se fixam no nordeste brasileiro (1630 e 1654), com o governo de Nassau concentrado em Recife e controlando grande parte dos engenhos de cana-de-açúcar. No entanto, tanto para Portugal como para o Brasil, a política de manufaturas do Marquês de Pombal não venceu e o controlo tanto do comércio português como da parca industrialização continuaram nas mãos da Inglaterra.

Apesar de o século XVIII ter sido o século do ouro no Brasil, a verdade é que tudo o que tem o seu início também traz as sementes do seu fim. O fim da exploração do ouro inaugura um século XIX onde as esferas do poder vão-se centrar no que até à década de 1930 se apelida de união café com leite. A exploração agrícola continua a centrar-se na cana-de-açúcar e a partir de 1820 e, mais concretamente, com a independência do Brasil, cresce a indústria cafeeira no Pará e depois, na década de 1870 no oeste paulista. A produção do café e depois a fixação de gado e da produção de leite em Minas Gerais constituirá a força dos novos donos do poder político brasileiro. No entanto, a independência do Brasil, e mais tarde a revolução republicana de 1930 e os movimentos sociopolíticos que levam à intervenção militar, estão todas elas em uníssono quanto à flutuação dos preços destas commodities nos mercados internacionais. Com a independência em 1822 nasce também a consciência de que o Brasil, no cenário internacional teria de se tornar uma nação economicamente auto-sustentável, de modo a impedir a gestão de dependências gerada pelas commodities.

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