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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sacrifícios

Sacrifícios Miguel Henriques *

"Não há absolutamente ninguém que faça um sacrifício sem esperar uma compensação. É tudo uma questão de mercado." - Cesare Pavese, in 'Il Mestiere di Vivere'

A falta de visão de vários Governos e a crise internacional associadas às nossas debilidades estruturais trouxe-nos a este estado. A inversão desta trajectória afigura-se demorada, exigente e repleta de sacrifícios para os portugueses.

Quando pensamos nos sacrifícios que nos são pedidos, como cidadãos, não os concebemos como actos de abnegação, oferenda ou privação em benefício de outrem, mas sim como esforços e privações com vista a um futuro mais próspero.

A 9 de Março, o Presidente da República, no discurso de tomada de posse para um segundo mandato, afirmou que “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.”. Estas palavras foram proferidas numa clara alusão às medidas de austeridade para baixar o défice orçamental que haviam sido impostas ao longo de um ano.

Poucos dias depois, a 21 de Março, o Governo apresentou, na Assembleia da República, o PEC IV que traria consigo mais um conjunto de medidas de austeridade. Após o chumbo deste programa, foi negociado um memorando de entendimento (MoU) com a troika (UE/BCE/FMI) que contemplou um extenso pacote de medidas e metas a cumprir.

Com a apresentação do programa do novo Governo e depois de terem sido conhecidas as contas nacionais trimestrais entre Janeiro e Março, que mostraram um défice orçamental de 7,7%, muito longe dos 5,9% que constam no memorando de entendimento da troika, surgiu a medida mais drástica – a criação de um novo imposto extraordinário, equivalente a 50% do subsídio de Natal, acima do salário mínimo nacional. Um remédio, prescrito em toma única, que visa a manutenção da referida meta estabelecida para o défice.

Este Governo anunciou que iria desencadear não só as medidas contempladas no MoU e as necessárias ao cumprimento dos objectivos e metas deste documento, mas também outras adicionais. A redução do subsídio de Natal, surge como uma medida necessária para assegurar os compromissos assumidos e dos quais dependem o financiamento prestado.

Não estamos perante uma medida nada pacífica, até porque os subsídios de férias, natal e o reembolso do IRS, são canalizados pelas famílias para o reequilíbrio do seu orçamento. À semelhança do país, também as famílias registam défices orçamentais que poderão agravar-se bastante com as medidas de austeridade associadas à subida das taxas de juros e ao desemprego.

O Estado tem de utilizar os recursos limitados de que dispõe para responder às necessidades das famílias e, mais que nunca, os sacrifícios pedidos terão de ser distribuídos da forma mais justa possível.

O trabalho terá de ser levado a cabo do lado da despesa e com a maior celeridade. O adiar de decisões leva sempre ao mesmo resultado: um impacto muito superior ao que teria se fosse decidido atempadamente.

Os sinais que têm vindo a ser dados, alguns meramente simbólicos, nomeadamente as primeiras decisões quanto às viagens do Executivo em classe económica e à utilização das viaturas oficiais apenas no desempenho de funções, bem como a redução dos cargos de nomeação política, demonstram aos cidadãos que existe um compromisso do Governo para com uma imperiosa mudança de vida.

Temos de honrar os compromissos assumidos com o exterior e estar cientes dos custos incalculáveis que o seu incumprimento poderá acarretar. Portugal não pode mesmo falhar e os portugueses esperam que todos os sacrifícios, que lhes são pedidos, sejam recompensados com um futuro mais promissor.

* Deputado Municipal eleito como independente em lista do CDS-PP e colaborador do Blog “Olhar Direito” http://www.facebook.com/henriques.miguel e http://olhardireito.blogspot.com

2 comentários:

Fatyly disse...

Subscrevo o que aqui foi dito, mas os sacrifícios que pedem têm que ser justificados até ao tostão.

Os actuais "piratas deste século", um grupo deles a agência de notação financeira Moody's considerou a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).

Há anos e anos que tudo indicaria que a bomba estouraria, ainda Cavaco Silva era 1º ministro, e foram alimentando estes piratas e pior ainda e para mal dos nossos pecados temos uma moeda única que ainda vale mais que qualquer outra, mas numa ou de uma UE tão desunida e desigual.

A governação Durão Barroso na UE afinal não foi assim tão boa, não conseguiu UNIÃO ENTRE OS ESTADOS MEMBROS e tudo começou a girar em torno da Dª. Merkel.

Acho que Portugal não deverá baixar os braços. Acho que o governo eleito pelo povo para o qual não foi o meu voto, faça o seu melhor mas dando EXEMPLOS CREDÍVEIS E DE CONFIANÇA e só lamento é que se continua a alimentar "monstros" dentro e fora das nossas fronteiras!

Enfim, PPC "levou um murro no estômago" e eu sinceramente já tinha uma tremenda almofada no mesmo para não me apanharem desprevenida...e lamento imenso pelos jovens deste país que só eles é conseguirão deitar por terra quem os quer derrubar!

Portugal no lixo e o que se seguirá?
Não sei...

expressodalinha disse...

Portugal não vai falhar. Quem está a falhar é a Europa. Essa desconhecida do Programa de Governo.

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