quinta-feira, 14 de julho de 2011

Orgulho

Orgulho Miguel Henriques *

"A vaidade é dos mesquinhos, o orgulho é dos grandes." - Lord Byron (1788 – 1824), poeta inglês

A classificação, pela agência Moody´s, da nossa dívida e situação, como "lixo", veio desencadear uma onda de protestos por parte de empresários, banqueiros, políticos e cidadãos comuns. Um dos focos mais activos, desta indignação, têm sido as redes sociais, onde, a cada minuto, surgem comentários, vídeos, cartoons e tudo o mais que a fértil imaginação lusa seja capaz de conceber.

O jornal “i” promoveu, através do seu site, uma petição, intitulada "A Europa não é um lixo", que conta já com mais de 2.000 assinaturas. Pedro e Hugo, uma dupla de criativos da BBDO, aproveitou algum do seu tempo livre e mandou uma carta, com um pedaço de Portugal, como é visto pela Moody's (lixo), para a sede da agência em Nova Iorque.

A nível institucional, as suspensões de relações contratuais com a Moody’s foram em catadupa, sendo exemplos as Câmaras de Lisboa e Sintra. Só em contratos com as agências de rating o Estado Português gasta cerca de 9 milhões de Euros por ano.

A contestação institucional, no nosso país em Portugal, não começou agora. Em Novembro de 2010, o BES rompeu o contrato com a Fitch na sequência de downgrade que considerou injusto.

Uma ideia que ganha cada vez mais adeptos, na Europa, é a criação de uma ou mais agências europeias de rating. A criação de uma agência de rating não é instantânea e esta levará tempo a conquistar credibilidade nos mercados, pelo que, nos tempos mais próximos, continuaremos dependentes do trio (Fitch/Moody's/S&P).

A classificação de Portugal como “lixo” fez sobressair o orgulho em oito séculos de história e um património cultural, científico, linguístico e humano, que são os nossos maiores activos. Nas últimas três décadas, depois de “orgulhosamente sós”, passámos a viver, vaidosamente, numa Europa que nos abriu a porta a baixas taxas de juro e subsídios para tudo e para nada.

A crise internacional veio colocar a nu a nossa, já longa, crise interna. Agora que já não vale a pena esconder o “lixo” debaixo do tapete, temos de implementar as reformas necessárias à redução do défice e corrigir aqueles que são os nossos problemas estruturais.

Na passada semana, Vítor Bento criticou, em entrevista à SIC Notícias, o discurso hipócrita de responsáveis políticos e financeiros sobre as agências de rating. O economista considerou que a carta enviada pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público aos investidores, a pedir para ignorarem a avaliação da Moody's , foi “uma reacção mais dominada pela emoção do que pela razão" e que as reacções deveriam ser consubstanciadas por factos.

O esforço e trabalho, que temos de levar a cabo, não se destinam aos analistas de risco, mas devemos estar conscientes da sua constante observação. Temos de mostrar que somos capazes de fazer aquilo que prometemos fazer e, se possível, ir ainda mais longe.

Não podemos ser hipócritas, como diz Vítor Bento, para com as agências de rating, mas também não podemos ser ingénuos.

* Deputado Municipal eleito como independente em lista do CDS-PP e colaborador do Blog “Olhar Direito” http://www.facebook.com/henriques.miguel e http://olhardireito.blogspot.com

2 comentários:

expressodalinha disse...

É bom ter um inimigo externo. Mas, neste caso, não adianta nada.

Fatyly disse...

"Temos que mostrar que somos capazes de fazer aquilo que prometemos fazer e, se possível, ir ainda mais longe"...sempre foi e será o lema para qualquer país conseguir atingir os objectivos credíveis em prol de um futuro mais risonho. Mas preocupa-me muito o "lixo" que de facto temos a nível de quem está à frente de "sectores chave", principalmente em direcções...e fico-me por aqui!

Como diz e bem "não podemos ser hipócritas (...) mas também não podemos ser ingénuos!

Força Portugal!

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