terça-feira, 26 de julho de 2011

6º Acto: O que fica do que já cá estava - Segundo Argumento

O segundo argumento que nos pode apresentar um cenário eleitoral diferente do de 2005 é a percepção do eleitorado acerca do verdadeiro cenário económico-financeiro nacional. Como disse anteriormente, os partidos europeus - incluindo os portugueses - estão demasiado centrados no papel do Estado-social, cenário que vem desde o final da II Guerra Mundial e que acompanhou o final da chamada política de classes. A manutenção e mobilização do eleitorado é essencial para a conquista do poder, dinâmica que é muito querida dos partidos de tipo catch-all, preocupados em monopolizar um eleitorado volúvel, sem identificação classista, ideológica ou simplesmente partidária. Com o Estado-social diminuíram também as diferenças programáticas entre os partidos, e a social-democracia impõe-se agora como um movimento a-ideológico, defensor único do Estado distribucionista.
Cinismo à parte, o Estado-social é a maior conquista da Europa civilizada, como um todo; o maior projeto onde se empenharam todos os países e todos os partidos da governação à direita e à esquerda. Em Portugal, o CDS, PCP e Bloco defendem o Estado-social, muitas vezes de uma forma mais veemente que os partidos do centro. É talvez por essa razão que o PCP continua de pedra e cal com o seu eleitorado quase intocável desde finais da década de 1980, mesmo depois da queda do Muro e da absorção continuada dos comunistas europeus pelos partidos socialistas ou social-democratas na França, Itália e Espanha. E é talvez por isso que o Bloco perdeu o eleitorado que conquistara em 2005.
Partidos e sistemas partidário à parte, o eleitorado vai para as eleições de 2011 com a Troika já em Portugal. Com o PS a reboque de um líder desgastado por políticas desajustadas e que apenas adiantaram a vinda inevitável do apoio externo, o eleitorado preferiu aceitar uma discussão do futuro que envolva factos, preterindo o logro e o evitável.

4 comentários:

expressodalinha disse...

Penso que o eleitorado quis apenas alternar.

Francisco Castelo Branco disse...

alternar? quis mesmo mudar......

Sentiu essa necessidade de vez..

mas amanha afloro melhor isso

Fatyly disse...

A vitória do PPC foi apenas porque grande fatia do eleitorado - não filiado em nenhum partido - quis derrubar Sócrates e alternativas? o mesmo de sempre e se o voto fosse obrigatório, acho que teríamos outro cenário.

Ah como gostaria de saber estes números!

Francisco Castelo Branco disse...

O voto obrigatório é contra os principios democráticos de livre escolha.

Se as pessoas fossem votar contrariadas não exerceriam de forma livre e metiam a cruz no primeiro que lhes aparecesse na frente

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