domingo, 12 de junho de 2011

OLHAR A SEMANA - UMA CRISE NUNCA VEM SÓ

Portugal passa por um período complexo. As pessoas ainda não entenderam a crise. As eleições serviram para mudar o governo, mas não para mudar as mentalidades. E será que as mentalidades se mudam? Mudam as necessidaes e as possibilidades. Mudam as oportunidades... As mentalidades têm dez séculos de consolidação cultural. Não mudam facilmente. Porque estamos em crise? Ninguém sabe ao certo. Como foi possível endividarmo-nos tão depressa? Há dez anos a dívida era 65% do PIB. Agora é 120%. São demasiados biliões de euros. Onde está o défice? Fala-se nos vencimentos de gestores públicos. Nos Mescedes e BMW. Nas fraudes de políticos... Por favor! Estamos a falar de triliões de euros. É assustador. Ninguém diz, ninguém sabe. As contas públucas são um mistério. Entrar nos orçamento de estado é entrar num poço sem fundo. Escava-se, escava-se... Surgem túneis, galerias, grutas.... Ninguém é responsável e ninguém quis isto. Todos sabem cavar e, no entanto, todos se enterram. Afinal o que é a crise? Ninguém sabe, ninguém viu. Na campanha eleitoral nada se discutiu. Só culpas e desculpas. As eleições falaram. Mas falaram de quê? Mudaram o governo, mas não mudaram mentalidades. Mudaram as moscas, o resto continua a cheirar mal. Muito mal! Nada está organizado. Não há mecanismos de coordenação entre o governo cessante e o novo governo. Tudo deixado à toa, esperando que os prazos se cumpram. Um horror democrático. A total ausência de sentido de Estado. A imagem de Portugal é desbaratada em meses. Afinal o que é a crise? Jorge Pinheiro

16 comentários:

Eduardo P.L disse...

Os países, como as empresas e as pessoas físicas, tem um orçamento, receitas e despesas. Quando as despesas são maiores que as receitas, há deficit, e esses deficits são financiados a juros insuportaveis! Quanto maior a dívida, maior o valor das taxas cobradas. Maior o risco. Não há como pagar dívidas sem aumentar receitas ou diminuir gastos! Os países não tem dono. Um governante faz a dívida, e alguma obra ou aumento salarial, ou nomeações indevidas, porque sai bem na foto. Seu sucessor já encontra o rombo feito, e para não ficar mau com seus eleitores, faz novo empréstimo, e paga mais juros! E assim ao longo dos anos cria-se uma crise insoluvel. No caso das empresas vão há falência.Seus donos ou administradores respondem pelos prejuizos! No caso das pessoas físicas, os credores lhes tomam tudo, mais um pouco. Acabam na miséria! Com as nações é mais complicado. Complicada a reponsabilização, e complicada a reversão do quadro. A dor é enorme, longa, e profunda! Simples assim! Mas os culpados, como sempre, serão os BANQUEIROS, e os BANCOS SALVADORES: FMI, e etc....

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo Jorge.

As mentalidades demoram séculos a mudar, e a nossa há muito que anda com um travão.

A questão também tem a ver com o facto de falar verdade ou nao, e isso a responsabilidade é dos politicos, por isso é que a vinda do FMI foi muito bem aceite pelos portugueses ( exceptua-se a esquerda).

Muito da credibilidade deste governo joga-se no facto de falar verdade ou não aos portugueses.
Porque na minha opinião, isto vai ser bem mais duro que o programa da Troika

Na minha opinião PPC começou bem no seu discurso de vitória.

Se quem nos guia falar verdade, pode ser que olhemos para ele de forma diferente

Fatyly disse...

Também concordo com Jorge Pinheiro e com o comentário do FCB.

Direi mais...que ao longo destes últimos 20 anos viveu-se a cima da média, criaram-se hábitos (ainda hoje o fazem sem olharem ao que recebem ao fim do mês) acima das possibilidades, ou seja...gasto hoje amanhã logo verei se consigo pagar, quer na sociedade que somos todos nós, quer no fausto/corrupção político!

Depois , o que para mim é mais importante, perderam-se "valores morais, familiares e humanos, muitos girando apenas em torno do se umbigo" numa destruição da família, de empresas, etc. e tal.

Quem está desempregado já sente e muito a crise, eu própria já vivi várias, sei a rigidez do FMI porque vivi as duas entradas de 80 a 86, e não me venham dizer que todo este "modo de vida" é tipico dos povos latinos, que lhes estão nos genes...mentira...falharam todos os que não souberam fazer contas antes de partir para algo e irem sempre pelo "dinheiro fácil como empréstimos e cartões de crédito". Foram cortes a doer, mas sabiamos e tinhamos conhecimento (os que se interessam por isso) para que era, ou seja transparência!

Termino com palavras do FCB...se "o novo governo falar verdade..." é necessário que o faça para que todos que descontam e aguentam os cortes na sua bolsa saibam para o que é, porque foi e para o que será, não dando "mais corpo" à enorme crise de valores!

Fernando Vasconcelos disse...

Francisco não nos esqueçamos que uma parte substancial do aumento do défice resultou da crise financeira e das medidas subsequentes que o governo tomou na altura e que aliás foram tomadas em toda a europa. Infelizmente essas medidas foram tomadas com um país que já não tinha na altura capacidade para crescer ao ritmo que a sua divida exigia o resto foi uma espiral ... Não acredito em "túneis" da mesma forma que não acredito na sua ausência. Nem acredito que estes sejam relevantes até prova em contrário. Que se devem responsabilizar criminalmente quem tiver feito gestão danosa parece-me perfeitamente justo. Evitemos é encontrar mais bodes expiatórios para um problema que vem do tempo dos governos do Cavaco Silva. O problema do país é que o modelo de crescimento encontrado está errado. E está errado porquê? Porque não se investiu TAMBÉM em criar instrumentos de riqueza. Em grande parte porquê? Porque não tínhamos e não temos uma classe empresarial preparada para isso. Vivíamos num guetto económico a pensar num mercado de 10M de pessoas mais Angola e Moçambique e continuamos a pensar assim. Foi por isso que os fundos não foram utilizados doutra forma encontrando-se então artifícios de execução que os permitiram esgotar mas sem real criação de riqueza ou mudança estrutural. Por ausência de classe empresarial. Valha a verdade que nesse particular o sistema bancário português também teve a sua quota de responsabilidade ao não fazer na verdade o seu papel de análise de negócio e apenas emprestando contra "garantias" ... ou seja demitindo-se totalmente da componente de risco do seu negócio reforçando ainda mais a espiral ao dar a ilusão da criação de riqueza financiando um negócio tido como "seguro". A nossa inépcia Francisco foi muito mais não ter visto isto do que o resto, porque o resto a existir são casos de polícia e de eficácia da justiça. Este outro problema é bem mais sério porque persiste e não se resolve com o equilíbrio das contas públicas (necessário sem dúvida). É preciso que as politicas sejam discriminatórias e não burocráticas como desculpa da ausência de escolha é preciso criar uma mentalidade empresarial e de iniciativa que compreenda o risco como factor necessário do negócio. Só isto nos permitirá sair da crise. E para isso o papel do governo não é o de "salvar". Não precisamos de messias ou de salvadores antes pelo contrário. Precisamos é de educadores.

Fatyly disse...

Tiro o meu chapeú a Fernando Vasconcelos, porque é precisamente o retrato fiel da crise que atravessamos "entre portas! JUnto apenas a falta de ética e familiar que esta demitiu-se do seu papel.

Parabéns!

daga disse...

na realidade não se conseguem mudar mentalidades num passe de mágica... e nós sempre tivemos a tendência de enriquecimento fácil, pouco trabalho, pouca produção, quase nenhuma disciplina :(
"A total ausência de sentido de Estado" porque cada um se quer dar bem individualmente sem pensar no conjunto, sem pensar que se o Estado se afunda, o indivíduo se afundará com ele... lá está, "Todos sabem cavar e, no entatnto, todos se enterram", dizes bem!

daga disse...

na realidade não se conseguem mudar mentalidades num passe de mágica... e nós sempre tivemos a tendência de enriquecimento fácil, pouco trabalho, pouca produção, quase nenhuma disciplina :(
"A total ausência de sentido de Estado" porque cada um se quer dar bem individualmente sem pensar no conjunto, sem pensar que se o Estado se afunda, o indivíduo se afundará com ele... lá está, "Todos sabem cavar e, no entatnto, todos se enterram", dizes bem!

Francisco Castelo Branco disse...

fatyly

existe muita corrupção fora da politica. Até é mais do que a que está dentro.

Francisco Castelo Branco disse...

fernando vasconcelos

concordo com quase tudo.

Menos a parte final.

Não precisamos de messias nem de salvadores, mas de alguém que esteja lá em cima e nos fale a verdade.
Sei bem que no tempo de Cavaco os fundos comunitários para pescas e agricultura foram para os ferraris e casas com piscina.
Mas a culpa é do Cavaco? acho que não.
Tem a ver com aquilo que fatyly falava.
Vivemos acima da média e estamos sempre á espera que o Estado e o Banco nos salve.
Precisamo de alguém que nos fale verdade. Que nos diga que vamos ter de passar por sacrificios muitissimos grandes. E que esse esforço vai valer a pena.
Porque para Passos Coelho o mais fácil seria não tomar já as redeas do governo, porque tenho a certeza que vai enfrentar muito desgaste social.
Mas isso é tema para o post de amanha.
Eu acho que o principal problema de Socrates foi não ter falado verdade, porque se o tivesse feito talvez não tivesse perdido.
Este problema tem a ver com o que o diz o expressodalinha.
Tem a ver com mentalidades.
Mas alguém tem de iniciar esse processo de mudança!

Fatyly disse...

FCB
"existe muita corrupção fora da politica. Até é mais do que a que está dentro."
claro que existe e descoberta o que fez ou faz a justiça? NADA. De quem é a culpa? do Governo...e de todos nós que pactuamos, porque sabemos e não denunciamos, salvo raras excepções.

A meu ver é mais facil mudar mentalidades com a verdade/transparência e diálogo, do que à "cacetada"...julgo eu de que...

Francisco Castelo Branco disse...

Porque é que o governo é culpado de haver corrupçao fora da politica?

há separação de poderes entre Justiça e Politica ou nao?

expressodalinha disse...

Uma crise nunca vem só. A crise cultural e de mentalidades (ou, se quiserem, de valores) afecta tudo e todos. O governo tem culpa. Muita. Dá péssimo exemplo... Nós tb temos culpa. Temos de ser mais exigentes e mais intervenientes. Alguém percebeu a sério porque há crise e onde ela está? O remédio de cortar nos salários, nas pensões, nos subsídios, não quer dizer que a crise esteja aí. Apenas é mais fácil cortar e produz resultados imediatos que, a bem dizer, mascaram as verdadeiras causas. Essas, ninguém sabe bem onde estão.

Fatyly disse...

FCB
pode ser que venha a haver, mas actualmente a minha resposta é NÃO!

Francisco Castelo Branco disse...

expressodalinha

claro que temos de ser mais exigentes. É para isso que aqui estamos!

mas o povo tambem amocha logo

Fernando Vasconcelos disse...

Vamos ver Francisco, o Cavaco silva não é o único nem sequer o principal responsável mas tem a sua quota parte de responsabilidade. Não sei quanta nem tenho a certeza que interessa determinar mas a verdade é que governou durante 10 anos com fundos comunitários e o que fez não foi substancialmente diferente do que aquilo que os seus sucessores continuaram ... Relativamente à crise de valores a mesmíssima coisa. Não foi só ele mas a noção de que só interessam os resultados, que a técnica está à frente da politica e que é "pecado" discutir ideias, a tecnocracia nasce com Cavaco Silva. Pessoalmente creio que Cavaco Silva só ganharia em ter reconhecido a sua responsabilidade. Teria agora a posição e estatura para exigir uma coisa diferente. Quanto ao resto e ao suposto interesse em PPC em esperar quero acreditar que não o fez por considerar que acima dos seus interesses pessoais estavam o do país. Quero mesmo acreditar nisso. A causa da nossa "crise" está no essencial numa estrutura económica cuja classe empresarial e financeira está essencialmente "virada para dentro"

Francisco Castelo Branco disse...

Fernando

Concordo plenamente.
A verdade e que os socialistas ( Guterres e Socrates) tiveram oportunidade durante 11 anos de virar o rumo a seu favor, até porque sabemos que o nosso país ideologicamente está mais virado à Esquerda. E não o fizeram porquê?

O discurso da tanga veio no tempo do PS. E o FMI entrou cá com quem no poder?


Também a classe politica está virada para dentro. Esse é um dos principais problemas. A politica hoje está virada toda para dentro e não são as arruadas em tempo de campanha eleitoral que aproximam os eleitores dos eleitos. Nada disso.

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