sábado, 16 de abril de 2011

OLHAR A SEMANA - EFEITO NOBRE

Portugal enfrenta uma enorme crise económica, política e de valores. As eleições presidenciais de Janeiro deram a esperada reeleição de Cavaco Silva. Apareceu, no entanto, como candidato, o chefe da AMI. Homem de prestígio e de provas dadas… na sua área. Assumiu-se como a “candidatura da cidadania”, afirmando que a política não era exclusivo dos políticos profissionais. Criou expectativas. Acontece que isso não serve de programa eleitoral, mas é uma bandeira interessante num país farto de demagogia e de clientelismo. Fernando Nobre era o candidato dos ”descamisados”. Em Portugal, os descamisados são gente de posses, com casa de férias no Alentejo, vagamente intelectual, que gosta de filmes franceses, de preferência não legendados. Gente que frequenta a Gulbenkian e que vai diletando por aí, entre o restaurante “Gambrinus” e Fundação Mário Soares. Adoraram o médico Nobre. Agora sim, finalmente havia alguém que era diferente. O homem conseguiu 16% de votos. Uma proeza estonteante que revela o desencanto com a classe política “profissional”. A questão era, agora, que vai ele fazer com aqueles votos? Criar um partido? Um movimento? Lançar uma alternativa? Um novo paradigma social? Especulou-se. Gritou-se. Apelou-se… Esta semana soube-se que o médico Nobre aceitara ser candidato a Lisboa pelo PSD, nas próximas legislativas de Junho (eleições antecipadas por causa da crise económica). De uma assentada, Nobre perdeu toda a credibilidade e passou a ser mais um oportunista do regime. Mas isso era ao menos. O efeito Nobre foi matar mais uma vez a esperança de haver candidatos verdadeiramente alternativos que não se deixem comprar. De uma assentada, Nobre perdeu toda a credibilidade pessoal e fez retroceder o empenho em lutar contra o “status quo”, numa lógica democrática. Cada vez mais as pessoas se convencem que isto só vai a tiro. Obrigado Fernando Nobre, médico da AMI.

Jorge Pinheiro

3 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Ler a entrevista de NOBRE ao Expresso

" Renunciarei caso não seja eleito Presidente da AR."

Nobre sempre disse que nunca iria criar um partido, nem sequer um movimento.
Alias, nem sequer respondeu aquela patetice de Catalina Pestana.

Isso seria contra aquilo que sempre disse.
Ele não precisa de fazer nada com os 16%. Tal como Manuel Alegre fez agora depois de ter obtido um bom resultado em 2005.

O que Nobre fez foi lançar as bases para que num futuro possamos ter um PR fora dos partidos.

Para já, estamos na iminência de ter um Presidente da AR fora dos partidos.
O que já é um excelente sinal

Francisco Castelo Branco disse...

Para que uma das principais figuras de Estado ganhe importãncia e respeito perante os cidadãos que estão cada vez mais desapontados, então nada melhor que lhes dar um independente com talento e mérito reconhecido

expressodalinha disse...

Só podes estar a brincar, meu caro.

Share Button