segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

8.2. A Conquista de Ceuta

Jaime Cortesão em Os Factores Democráticos na Formação de Portugal assinala que desde o século XIII que os portugueses frequentavam os portos da Flandres, da Inglaterra, da França, da Espanha, do norte de África e também do Levante. Este comércio cresceu no século XIV graças ao tratado de 1353 com a Inglaterra de Eduardo III e com o privilégio dado aos portugueses em vários portos franceses no Mediterrâneo e no Atlântico. Em pleno reinado de D. Afonso IV os portos de Lisboa e do Porto tornam-se centros comerciais de monta na Europa; a burguesia comercial enriquece e torna-se uma classe importantíssima na viragem do país durante a crise de 1383-85, enquanto apoiantes do partido do Mestre de Aviz.
A segunda dinastia portuguesa alinha nos novos movimentos europeus em torno da burguesia comercial; esta presença é atestada pela contrariedades próprias dos séculos XV e XVI que se fizeram sentir entre os filhos de D. João I: o D. Pedro das sete partidas e do Tratado da Virtuosa Benfeitoria, o D. Henrique da estratégia dos descobrimentos ou D. Duarte o rei filósofo; é também nessa altura que a corte portuguesa passa a estar em contacto com a emergente cultura renascentista e que o comércio europeu intensifica os contágios culturais.
A conquista de Ceuta é normalmente considerada como o primeiro momento da grande saga dos Descobrimentos. No entanto, numa data incerta entre 1325 e 1336 já D. Afonso IV ordenara uma expedição às Canárias com ajuda de Genoveses. Este interesse pelas Canárias acompanha também o interesse pelo controlo das rotas do norte de África. A conquista de Ceuta representava também um importante marco na navegabilidade do Atlântico; atingir as ilhas da Madeira e do Porto Santo dependia, em grande parte, do controlo de uma área de terra no norte de África que permitisse fazer frente aos ventos e aos Corsários marroquinos. A conquista de Ceuta iria representar o controlo da entrada do Mediterrâneo, tornando-se possível entreposto entre o comércio do Levante e o comércio do Mar do Norte.
Apesar das múltiplas hipóteses historiográficas sobre a conquista de Ceuta em 1415, a verdade é que todos estes objetivos não foram concretizados. A conquista de Ceuta representou, como iria dizer o infante D. Pedro, uma autêntica perda de tempo, numa altura em que o Mar do Norte continuava animado pelos produtos trazidos pela rota do Levante através dos portos italianos do Mediterâneo. Será por essa razão que Portugal prosseguirá o seu interesse pelo controlo de entrepostos comerciais que possibilitassem o fim da rota do Levante e do monopólio das cidades italianas, eliminando os custos acrescidos de intermediários em produtos que vinham do Próximo Oriente, da Índia e do Extremo Oriente.

2 comentários:

expressodalinha disse...

Esta é a abordagem "consensual". Há quem pense que a conquista de Ceuta foi um passo decisivo para a conquista do comércio de escravos da Guiné e para a cristianização obsessiva do Infante D. Henrique. No meio, porventura, estará a verdade.

Francisco Castelo Branco disse...

Acho que a Conquista de Ceuta foi um factor importante nos descobrimentos.
África foi um grande passo para os portugueses se terem atirado para o mar.

Ainda bem.

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