terça-feira, 16 de novembro de 2010

Próximo post em: 18.08.2010 – 2.1.10. Período pré-povoamento: pau-brasil wars, a pirataria contra-ataca.


Prezados leitores, hoje, retomo a série História do Brasil, depois de alguns meses sem postar, por conta da cobertura das Eleições Gerais no Brasil, que aconteceu em uma época na qual eu não tinha muito tempo para escrever.

Por isso, faço uma pequena retrospectiva para nos lembrar onde paramos. Ainda tratamos do período pré-povoamento do Brasil, que são os 30 primeiros anos após a descoberta do novo território.

Paramos, exatamente, no ano de 1516, quando Portugal enviou a primeira Expedição Guarda-Costas, comandada por Cristóvão Jacques, para patrulhar o território brasileiro, que era constantemente saqueado por piratas de outros países europeus, especialmente franceses.

Nesta primeira expedição, Cristóvão Jacques prendeu barcos, puniu piratas, reforçou as feitorias portuguesas e destruiu as francesas e, em 1519, retornou a Portugal.

Em 1521, morre o CEO desta empreitada, D. Manuel I que, muito embora D. João II tenha pensado tudo e lhe preparado o terreno, não decepcionou e executou muito bem os planos traçados pelo seu antecessor (seria como se D. João II fosse FHC e D. Manuel fosse o Lula).

No seu lugar, assume o seu filho com Maria de Aragão da Espanha, D. João III que, aos 19 anos, herdou um império considerável.

Em 1526, D. João nomeia Cristóvão Jacques Governador das Partes do Brasil, sendo esta a primeira vez que o nome Brasil é utilizado oficialmente para referir-se ao novo território, e o envia em nova Expedição Guarda-Costas para patrulhar a colônia.

O problema é que, nesta segunda expedição, Cristóvão Jacques simplesmente “tocou o terror”, como se diz aqui no Brasil, isto é, atuou tal qual o “faca na caveira”, Capitão Nascimento, no filme Tropa de Elite, que diz que missão dada é missão cumprida, e empreendeu uma verdadeira barbárie contra os piratas prisioneiros.

E o Rei da França, que por “debaixo dos panos” sempre apoiou os piratas franceses e sempre fez ouvidos de mercador aos pedidos de D. Manuel para que esse apoio cessasse, já que a França havia ficado de fora da partilha do mundo, ficou indignado com as notícias vindas do Brasil.

Por isso, Francisco I emitiu uma carta de marca (autorização dada por um país a navegadores particulares para afundar embarcações inimigas) a Jean Ango, um armador francês que fornecia embarcações a França, na qual lhe dava plenos poderes para atacar embarcações portuguesas, porque entendia que precisava ser indenizado pelos danos causados por Jacques.

Este foi o contra-ataque da pirataria na guerra pelo o pau-brasil, tal qual o Império contra-atacou na saga cinematográfica de George Lucas, Star Wars! (Nossa, hoje me superei nas referências as filmes).

Isso causou uma dor de cabeça enorme a D. João III, que se viu no meio de uma crise diplomática com a França e, por conta disto, não ficou muito contente com Cristóvão Jacques.

Ora, se o erário português não tinha dinheiro para nem para investir na exploração da rota para as Índias e na colonização do Brasil ao mesmo tempo, imagine mesmo para ainda entrar em guerra contra a França!

Então, D. João mandou Antonio de Ataíde à Paris, para tentar negociar a revogação da carta de marca, que no final das contas, a custas de alguns “presentinhos”, acabou acontecendo e Francisco I se acalmou, porque Portugal também passou a fazer vistas grossas à pirataria francesa.

Larissa Bona

Próximo post em:
30.11.2010 – 2.1.11. Período pré-povoamento: vai que é tua, Martim Afonso de Sousa

1 comentário:

expressodalinha disse...

A pirataria não pag IVA e fica OOF-SHORE. Temos de retomar...

Share Button