domingo, 21 de novembro de 2010

OLHAR A SEMANA - A NATO

1 - A NATO tem neste momento 28 membros e acaba de alterar o seu conceito estratégico e fazer um parceria estratégica com a Rússia e um "Acordo de Não Ameaça",  ficando a entrada para a NATO cada vez mais próxima. O machado da "guerra-fria" terá sido definitivamente enterrado. A saída total do Afeganistão ficou fixada para 2014. Ficou decidido um escudo anti-missil na Europa e USA (embora se tenha apenas criado um Grupo de Trabalho, para o estudar). A Cimeira de Lisboa correu bem. Correu bem sob o ponto de vista da agenda NATO. Correu bem do ponto de vista organizativo. E correu bem sob o ponto de vista dos protestos anti-NATO. Assistimos a protestos veementes, mas ordeiros. À margem da Cimeira houve inúmeras reuniões bilaterais relacionadas com a crise, nomeadamente entre USA e Europa. Quanto à agenda, embora ainda não se conheçam em detalhe todas as conclusões e algumas tenham ficado "não escritas", podemos dizer que temos uma NATO reforçada e renovada. Sou totalmente contra a guerra e as armas. Entendo que a violência só leva a mais violência. No entanto, sou realista e tenho de admitir que tem de haver processos defensivos contra os abusos e as acções subversivas de alguns países e grupos terroristas. Se não os combatermos, nunca teremos paz.

2 - A grande questão surge quando a NATO se deixa envolver em guerras que podiam ser evitadas, normalmente induzidas pela omni-tutela dos USA. De facto, desde o fim da guerra-fria, tem havido apenas uma força militar e estratégica no "mundo ocidental", os USA. E isso é mau para o mundo e mau os USA. Veja-se o caso do Iraque; veja-se o desastre do Afeganistão. Era essencial que a Europa tivesse voz e empenhamento. Para isso, precisaria de ceder homens e de ter um verdadeiro exército europeu. A Europa precisa de fazer sacrifícios e de ter meios financeiros. Ora, é isso que não tem. A Europa está em crise. Logo, não tem possibilidades de intervir em termos de operacionais efectivos. Apenas simbolicamente acompanha os USA. A posição da Europa, enquanto tal, é de subalternidade. A Rússia tem, assim, de ser chamada a cooperar mais activamente. No fundo, é necessário retirar aos USA o papel de "polícia do mundo", visto que os USA tendem a abusar desse papel e a entrar em conflitos que muitas vezes podiam ser diplomaticamente evitados. Os USA já entenderam isso e posicionam-se agora como "mediador honesto" (o que quer isso seja). A Rússia terá de se comprometer mais. Para já apenas fez uma parceria com os USA. De certa forma para significar que o mundo volta a ser bipolar. Mas falta um comprometimento efectivo e uma presença militar quando fôr necessário. Mas, acima de tudo, é necessário saber dizer não à guerra e só a adoptar em caso extremo. Esperemos que esta Cimeira tenha contribuído para isso.
Jorge Pinheiro

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Excelente texto e uma boa visão sobre a Nato.

De facto, o acordo com a Russia é muito importante. Ainda para mais depois daquele discurso de Obama em Praga antes de ser eleito Presidente Norte-Americano.

Esta aliança vai permitir que o Mundo fale a uma só voz.
Era importante que a Russia não só entrasse para a NATO como para UE.

Mudando os governantes mudam-se as vontades.

Quanto ao exercito europeu não estou de acordo.
Acho que a Europa não se pode imiscuir militarmente noutras questões que não sejam as suas. Pelo menos fora do territorio europeu.
Em termos diplomáticos deve a Europa ser mais forte que os EUA, Russia e China. Mas para isso é que se calhar vamos precisar da Russia porque Alemanha e França só olham para o umbigo próprio e a Inglaterra anda cada vez mais distante.

Só que não pode ser apenas a Russia a contribuir com militares num provavel exercito europeu.

Em relação a quem deve ser o policia do mundo, acho que essa tarefa cabe à ONU.

Eduardo P.L disse...

Quem esta aqui de fora não tem uma visão precisa dos interesses envolvidos, mas assim mesmo recomento leitura das crônicas do rui Silvares sobre o tema!

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