1 - Alguns consideram a independência de Portugal um acaso contra-natura. Outros acham que por ter havido tantas tentativas falhadas de junção, é porque tinha mesmo de ser. Outros, acham um exemplo patriótico que criou a nação mais antiga da Europa que deu novos mundos ao mundo. Outros, ainda, um projecto Templário dirigido, desde o início, a partir de Cluny, com ideais inconfessáveis que acabam sempre no “Quinto Império”... Enfim, há para todos os gostos. Para mim é absolutamente irrelevante a motivação. A questão é saber se um Estado tem viabilidade. E aqui as leituras não são só economicistas, nem podem ser aferidas em termos conjunturais. Há que perspectivar esse país. Olhar o seu passado e o seu futuro. Esquecer um patriotismo que, sendo natural e estimável, pode ser utópico e nos pode precipitar na falência. Mais do que saber se devíamos ser independentes, importa perguntar, hoje, o que é ser independente. O mundo mudou muito e vai mudar muito mais. Acima de tudo, importa fazer uma análise liberta de passadismos heróicos e mistificação poética-pastoril.
Para mim, Portugal independente fez sentido até ao final ao séc. XVI. Depois, passou a teimosia e, finalmente, a erro crasso.
2 – A situação agrava-se neste princípio de século. Uma situação muito difícil. Sem qualquer projecto, sem qualquer estratégia, com as finanças públicas e privadas num caos, com a recessão a chegar e o desemprego a aumentar. O único projecto português conhecido é, e será, nos próximos anos, pagar dívidas acumuladas a juros incomportáveis e ser alvo de especuladores de todo o tipo. Dir-se-à que é uma situação europeia. Sim, mas Portugal tem muito menos condições de aguentar, porque não tem riqueza própria e não sabe cria-la. Está, portanto, em excelentes condições para um “take-over”.
Este cenário é cíclico. Existe desde a fundação de Portugal. Sempre o fomos ultrapassando, com mais ou menos sorte,, mas sempre nos fomos empenhando e hipotecando com essa inépcia. Primeiro aos ingleses (dos quais fomos praticamente colónia a partir das Guerras Napoleónicas); depois, à União Europeia, da qual somos pedintes, desde 1986. Longe vão os tempos da EFTA, em que houve ainda tentativa de criar indústria nacional, aliás, mal aproveitada.
Portugal foi sobrevivendo, desde a fundação, primeiro com os impostos cobrados aos mouros, aos servos da gleba e com as rapinas fronteiriças; depois foram os escravos da Guiné; as especiarias da índia; o ouro do Brasil; mais tarde o contrabando para Espanha; os Fundos Comunitários… Nunca, mas nunca, se criou riqueza de forma sustentada. Tudo foi dissolvido em palácios; conventos; embaixadas ao Papa; faustos; fontanários; Ferraris e luxos pacóvios.
A dimensão do mercado interno não ajuda. Não sabemos exportar e o nosso mercado natural (lusófono) ou não quer saber de nós (Brasil), ou não tem dinheiro (África), ou, então, quer-nos comprar de atacado (Angola).
3 – Parece haver uma inépcia natural para tomarmos conta dos nossos destinos. De facto não nos sabemos governar e não nos deixamos governar! A Europa podia ter sido o nosso elã. Infelizmente ando descrente do projecto europeu. Penso que perdeu o timing e perdeu a embalagem. Ainda vamos ter de pagar o desmantelamento da Comissão e de toda a “comitologia” associada. O nosso destino natural será voltar à Mãe-Ibéria. Um país geograficamente coerente, demograficamente atraente e economicamente consistente. Porque nos separámos? Que importa isso agora. Importa, sim, saber como nos vamos juntar.
Jorge Pinheiro


34 comentários:
Qual o futuro do BPN?
Igual ao de Portugal.
E por aqui me fico.
Espanha já toma conta de nós há muito tempo.
Apesar de Ajubarrota, s.mamede, expulsao dos filipes, descobrimentos basta andar na rua para ver : em cada canto há um banco do Santander.
Se alguem contasse as sucursais, veria que o banco espanhol ganhava em toda da linha.
A diferença e que os espanhois aproveitaram os fundos comunitarios . nos nao!
Se somos hoje dependentes de terceiras a culpa é nossa.
Não nos soubemos governar sozinhos, daí que alguem de fora tem de manter isto na linha.
infelizmente, parece que não valeu a pena a luta de D.Nuno Alvares Pereira, a arma da Padeira nem a expulsão dos filipes.
pois desta vez eles estão cá e vieram para colonizar isto tudo
Pois, o erro foi do Nuno (e de ouytros). Alguns bem tentaram a União, mas o destino não quis. Agora temos de ser pró-activos para não sermos colonizados pura e simplesmente. Temos de ser nós a liderar o processo. E aproveitar enqunto lá está este rei.
porque, quando Filipe ( novamente) herdar o trono vamos ser invadidos?
Spain is not a monolithic nation; there are many groups within Spain like Catalans, Galicians, and the Basque. If Portuguese people unify, they would be one of the many different language and cultural groups in this new Iberian nation. Portugal would retain its distinctive character; culturally, unification would probably not matter all that much to individual peoples' day to day lives.
What matters is money. I don't mean currency -- both Portugal and Spain are EU nations so the currency is already standardized with most of the rest of Europe.
A unified Iberian nation would make sense if it could deliver better economic conditions for all its citizens than the existing system. In 2009, Spain's GDP growth was -3.9% and Portugal's was -3.3%. Unification does not seem like it would bring an improvement. Without that whatever other benefits unification might bring -- and it's not obvious that unification would make government more efficient or democratic, for instance -- simply aren't important.
That's a point of view. There are other aspects furthermore than just the economics that could puch the new country specially if you think that EU it's ending. Who knows... Thanks for your comment.
Considero que uma Uniao Iberica era muito má, também devido à instabilidade politica e social que o país vive devido á questão das autonomias.
Nós por cá , ainda bem que não temos esse problema.
Apenas Pinto da Costa com as suas tiradas e alberto joao a defender o a madeira fazem regionalismo!
Mas que dá certo, aqui ?
Até podíamos acalmar essas tendências, precisamente por querer entrar. Seria polarizar o poder hegemónico de Castela. Teria de ser bem negociado. Provavelmente numa solução federal. Acho que as vantagens são maiores do que os prejuízos. A questão da monarquia pode ser complicada, mas neste artigo apenas abordo a questão em termos de filosofia geral.
Também sempre tivemos muita identidade com a Galiza...
Representamos 2% da população da UE. A Ibéria sempre seria 10%.
Para quem ainda acredita na UE, fique sabendo que em Bx só interessa que Portugal não faça derrapar mais o Euro. As medidas a tomar são-lhes irrelevantes e as consequências internas muito mais. É isso que valemos agora. Um pesadelo para Bx. Andámos a brincar com o fogo...
Eestes "meninos" deram cabo disto numa penada !
E nimguém é incriminado, nem nada ?
Na verdade, > O POVO É SERENO <...
mas a monarquia não serve para nada nos dias de hoje.
É um erro completo.
Quem diz que não havia corrupção entre reis, senhores e até clérigos??
Joao Meneres
falou e bem da Galiza. Mais uma região "anti-espanha".
Pena que D.Afonso Henriques tenha parado ali em Caminha....
Espanha é um dos países a nivel social mais instável da Europa.
Muito interessante e estimulante este debate! E nós aqui preocupados com a eleição de um poste, ou melhor da Dilma!!!!
Francisco: missing the point. Eu não defendo a monarquia. Até digo ser esse um problema. Depois, repito, nós poderíamos ser factor de estabilização da Ibéria: uma federação. Mais instável que a França e Grécia não há. Espanha apenas tem sangue na guelra. Afonso Henriques foi um acaso e nunca poderia ter avançado para território católico, so pena de ainda hoje estarmos à espera da Bula Papal. A União tem de ser pensada racionalmente, politicamente e não com "patriotismos" (nem sei o que é isso...)
Eduardo: imagine-se a discutir uma federação com a Argentina...
expressodalinha
também não disse que defendias a monarquia. Só aproveitei o ponto para comparar com Espanha.
quanto ao resto concordo, mas com tantos patriotismos á mistura como é possivel formar um governo? uma assembleia? ou mesmo uma nação.
eles são muito instaveis,
e os patriotismos acabam por levar a excessos
Eduardo...
Dilma ou Serra?
prevejo mau futuro para o brasil nos proximos anos.
mas a discussão é interessante porque Portugal e Espanha têm tido ao longo dos seculos estas divisões e guerras nas várias vertentes
FCB
Também não sou um acérrimo defensor da Monarquia.
Embora constate que os países monárquicos aqui da Europa possuam uma maior estabilidade (tirando o caso da Grécia, obviamente) em todos os aspectos.
Sei que são monarquias bem diferentes das de antanho. Tudo evolue e essas nações também permitiram que a monarquia fosse mais representativa.
Mas, são Monarquias.
Há muito penso que foi uma sorte o Conquistador ter partido o pé ou a perna ali no Rio Minho !
Já imaginou o manto de retalhos arquitectónicos, com casas estilo maison e tudo o mais?
E onde iríamos à mariscada e ao bom peixe?
E em que estado de destruição estariam as Rias Bajas?
E as guapas galegas em que estariam transformadas?
Não, FRANCISCO, foi o sagrado Destino que pretendeu preservar essa magnífica Galiza !
Um abraço.
Andámos todos a viver acima das nossas posses, não há inocentes nem "meninos" para serem incriminados.
Prefiro o Juan Carlos como chefe de estado do que o Cavaco. Palhaço por palhaço mais vale um mais bem apessoado (e educado).
Também sou pelo federalismo ibérico com uma nuance: todo o país seria um região autónoma de ibéria excepto a área do Porto que se juntaria à Galiza.(não é isso que estão sempre a querer?)
ORTEGA
Eu prefiro ir à GALIZA...
Caro Joao Meneres como explica o facto dos galegos se sentirem mais portugueses?
eu tenho amigos espanhois e eles estão fartos de Espanha...
Porque será?
Não é por ser um pais estavel.
De todos os paises europeus, Espanha era aquele que eu não queria pertencer pelos problemas todos que tem
FCB
Inexplicavel...
Tive e tenho muitos e muitos amigos por toda a Galiza ao longo de anos e anos.
Eu bem sei o que eles pensam lá por dentro...
Têm um viver muito mais alegre que o nosso (refiro-me concretamente ao Norte) e a meio da tarde tudose passeia nas "calles", com carrinhos de bébé e tudo.
Somos uns tristes, Francisco, é o que somos...
Um abraço afectuoso.
Caro Joao Meneres,
também aqui se passeia nas calles ou nas ruas do chiado.
e diria mais : o que seria numa região quase autónoma e com sentimentos negativos em relação à pátria?
É uma escolha do tipo : o meu país é galiza ou espanha?
Não centrema discussão na Galiza e Portugal. É um tema muito específico e com nuances muito especiais. Já abordei o tema do "intef«gralismo" galego n Expresso. Podemos falar disso. Mas aqui estamos a falar da federação Ibérica. Tal como o Ortega refere.
Já agora, pelo menos em Lisboa a "movida" é grande. Não acho q sejamos tristes. Somos menos expansivos e menos barulhentos. Nesse aspecto mais semelhantes aos catalães.
concordo inteiramente expresso.
os portugueses são pessoas divertidas.
E empreendedoras, apesr de muitas vezes se criticar a passividade nacional.
Mas isso tem a ver com os mais velhos que viveram tempos diferentes.
Agora os mais novos vieram dar frescura a este país, acabando mesmo com certos conservadorismos patéticos.
Quanto a uma federação já disse que era impossivel.
Não queria viver numa federação com diferentes sentimentos patríóticos, porque em Espanha acontece isso.
O pais vizinho não é nenhuma federação, mas aproxima-se muito disso.
Se os nossos vizinhos catalaes quisessem a autonomia, quem iriamos apoiar? a Nação ou o sentimento regionalista?
FCB E EXPRESSO
Não comparem por favor a movida das cidades da Galiza com a de Lisboa !
Na Galiza todos fazem parte do mesmo movimento.
As pessoas que se cumprimentam é avassalador.
Páram e conversam.
STOP.
Expresso
so' quero lembrar que uma nacao nao e' pais!... Por acaso no nosso e'!... Um pais pode ter inseridas em si varias nacoes. A Espanha e' isso mesmo... Na federacao americana existem varias nacoes!... A nativa ( india), a negra, a branca e a espanica tudo englobado nos USA...
A Belgica idem ... e ha mais caso como o Iraque!
Fiz-me entender?
Abraco
DCS ( atp)
DSC
Se bem percebo estamos de acordo. Ou seja, mesmo dando de barato que Portugal é uma nação (embora tenha mouros, visigodos, celtas,íberos, judeus, prtos, brancos...), precisamente isso é bom para constituuir uma identidade na federação Ibérica, tal como Catalunha, a Galizam, Andaluzia, etc. É isto ou não entendi.
Abraço.
seríamos a maior das ditas federações ibericas..
É irrelevante ser maior. Seríamos mais uma nação. Ainda estás numa de hegemonia? Devias ter vivido no tempo de D. João II.
Assim eramos mais fortes economicamente e socialmente e até poderia ser que Lisboa fosse a capital e não Madrid...
Apesar da União Ibérica, ha que manter a nossa independencia regional como fazem as outras regiões espanholas.
mais uma coisa : a lingua? falariamos castelhano ou galego?
e a bandeira? amarelo, verde e encarnado nao combinam bem
Irrelevante.
e OLIVENZA?? é de quem?
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