segunda-feira, 2 de agosto de 2010

6. Portugal e o Fim do Feudalismo

Em Portugal a emergência do fim do feudalismo assume caraterísticas que podem ser comparáveis com as do mesmo período na Europa central e do norte. Até ao século XIV, a Europa assumira o seu caráter católico não só a título da pregação, mas também como definidor de fronteiras e de constantes guerras, as quais se avolumavam junto com as de sucessão. E essa Europa dos séculos XII e XIII foi também aquela que preparou o Renascimento, com a Magna Carta (1215) e a fundação de Universidades como as de Pádua (1222), Salamanca (1238), Oxford (1249) ou ainda Coimbra (1308).
O equilíbrio social que se conseguira através da produção agrícola e da fixação de povoados, sofre um primeiro abalo com a crise demográfica do início do século XIV, agravada pelos sucessivos maus anos agrícolas. A isto juntar-se-ia a crise interna da Igreja e a crise do papado com a eleição do Papa de Avinhão, consequências da intromissão do político no religioso e do religioso no político; a peste negra, introduzida através do comércio no mediterrâeno; a guerra dos cem anos.
Mas o século XIV é também o tempo de Dante Alighieri, de Petrarca e de Bocácio, homens que sintetizariam o que de melhor existia no pensamento medieval, que mais não era do que a revisitação da obra de Platão e Aristóteles. Pois que o fim do feudalismo não foi um fim do obscuro para se entrar na luz da renascença, mas sim um outro período transitório, onde parecia que se podia encontrar a harmonia entre o que existia forte nas universidades e no coração dos homens de poder e de religião, e o que estava para vir que emergia agora forte na cabeça dos homens de cultura.
No nosso país, esta dualidade apresenta caraterísticas muito interessantes, pois que particulares. Ao mesmo tempo que, tal como considerou João Pinto Ribeiro, 1249 caraterizava o símbolo da "Republica mayor" nascida de "várias Republicas menores, das Cidades & Villas", o que nos colocava como Estado-Nação - confirmado pela crise de 1383-85 -, também passámos a viver à custa das dependências externas, de que o Atlântico tentou ser a primeira fuga.
Seria também a fuga que nos colocava nesta dualidade europeia, de experimentar um anti-Aristóteles, de ser método dedutivo sem o saber, e ao mesmo tempo basear a nossa independência na dependência do papado, o que foi o nosso génio inventor de descoberta, ou seja, do que mais tarde foi Padre António Vieira e Padre Bernardes e ao mesmo tempo ser Inquisição e introdução tardia do método científico com as consequentes resistências do milenarismo e do gótico tardio a que se chamou manuelino.

1 comentário:

expressodalinha disse...

Será interessante reforçar o papel da aliança rei-cidades (atrvés dos forais) e da maçonaria operativa.

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