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segunda-feira, 19 de julho de 2010

5.4 INGLESES EM PORTUGAL

A culpa foi dos romanos que chegaram tarde e timidamente às Ilhas Britânicas. Uma implantação quase simbólica que nunca os tirou da condição de “ilhéus” e vagamente bárbaros. Depois, para agravar, vieram normandos e vikings. Enfim, uns séculos mais tarde ainda andavam em plena Idade Média já nós, cá pelo sul, sonhávamos com a globalização. A sorte para Portugal foi também o azar para Portugal. Com Castela à porta e a França na entreporta, restou a aliança com esses “ilhéus” distantes. Uma aliança política e totalmente contra natura, já que nada tínhamos a ver com aqueles bárbaros.
Assim, vimos o país invadido, ao longo dos séculos, não por espanhóis ou franceses, mas por hordas de britânicos que, alegando as velhas alianças, ainda hoje fazem o que querem e foram, em bom rigor, os colonizadores de Portugal. Retiraram daqui todo o proveito e deixaram pouca riqueza.
A Aliança Luso-Britânica remonta a 1373 e é formalmente confirmada em 1386 (Tratado de Windsor). É a mais antiga do mundo e ainda está em vigor, ninguém sabe para quê. Naquele tempo ela serviu os desígnios da Casa de Avis na sua luta pela sucessão e independência do trono de Castela. A vitória de Aljubarrota seria impossível sem essa ajuda. Foram, de facto, as tropas inglesas que derrotaram o fraco exército castelhano e as bravatas nacionais ficaram por conta do Condestável, Nuno Álvares Pereira, recentemente erigido a santo, vá-se lá saber porquê. É claro que os ingleses queriam um trade-off: tinham pretensões ao trono de Castela, através do duque de Lencastre, João Gante. Não conseguiram. Ficaram por cá e deram ao mundo a Ínclita Geração e os seus Alencastres, resultado da união entre D. João, Mestre de Avis e Filipa de Leicester. Sangue novo que seguramente teve reflexos nos Descobrimentos e no comércio que os ingleses montaram a partir de Lisboa. Os riscos eram nossos, os proveitos eram ingleses.
Depois, foi a ajuda na época da Restauração (1642) e da expulsão do domínio espanhol dos “Filipes”. Em contrapartida ficámos tão amigos que celebramos um tratado de total liberdade de comércio aos ingleses nos domínios portugueses (incluindo ultramar) e ainda levaram de dote Tânger, em Marrocos, e Bombaim, na Índia.
O Tratado de Methuen (nome do embaixador inglês), deu livre entrada dos lanifícios ingleses em Portugal e redução drástica das tarifas à importação de vinhos em Inglaterra, em especial Vinho do Porto. O país de joelhos agradecia aos normandos…
Esta Aliança foi, ainda, invocada, aquando das Invasões Napoleónicas. (cerca de 1800). Novamente ganhámos, mas quem ganhou foram os ingleses que mantiveram no país um poderoso contingente militar e, aproveitando a fuga do rei para o Brasil, governaram de facto o país muito para além expulsão dos franceses e com igual crueldade e desmando, ao ponto de o povo já preferir os franceses.
Finalmente, na sequência da divisão de África pelas potências europeias (Tratado de Berlim - 1815), a relação com Inglaterra entrou em crise, dando origem a um Ultimatum inglês para imediata saída de Portugal dos territórios africanos entre Angola e Moçambique. Portugal, mais uma vez de joelhos, cedeu, mas não sem ter uma gloriosa atitude patriótica. Matou a tiro o rei D. Carlos ali no Terreiro do Paço, culpado de todos os males e, finalmente, a Aliança Inglesa serviu para qualquer coisa de jeito: instaurou-se a república que foi coisa que os “ilhéus” ainda não conseguiram.
Jorge Pinheiro

4 comentários:

João Menéres disse...

A culpa de tanto nos doerem os joelhos foi do AFONSO, o PRIMEIRO !
Devia ter ficado quietinho em Guimarães a cuidar das quintas...
Agora, vinham os TÉCNICOS ESPECIALISTAS das Estradas de Portugal expropriar TUDO ao preço da uva mijona para fazer centenas de ROTUNDAS...
Nunca teríamos sido considerados COLONIZADORES, nem tinha sido preciso a tal de Ana Brites desassossegar-se na sua actividade de fazedora de pães.
Etc, etc...

Senpre curioso o seu ponto de vista, JORGE!

Um abraço.

Helena Oneto disse...

A História de Portuagal contada, com tu contas, até tem piada! até um certo ponto... O diabo que escolha entre Ingleses e Espanhois!

João Menéres disse...

Por causa da CRISE, poupei uma perninha no > m < do > sempre <.
Desculpem os leitores e o Jorge...

Francisco Castelo Branco disse...

Muitas cedências ao longo de todos estes séculos.
Lembro-me que quando era mais novo, ao estudar a parte em que os Ingleses nos ajudaram com as Invasões Franceses, fiquei curioso ao saber que os Aliados Britanicos ficaram por cá a governar......

Seriamos mais uma colónia da Ilha Britanica.

De facto, e isso aconteceu com a Batalha de Aljubarrota, a ajuda Inglesaa não teve grande significado. Talvez fosse vista como uma forma de assustar os inimigos.
Temos os Ingleses já não nos vencem.

A relação com Inglaterra sempre foi assim.

Faltam ai dois momentos:

2004, Estádio da Luz, Ricardo Coração de Leão elimina os Ingleses de mais uma conquista no nosso territorio

2006, Alemanha, Santo Ronaldo acaba com as esperanças inglesas nos.

Ao menos temos estas duas vitórias para nos vingarmos de anos de rebaixamento!

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