Etiquetas

quarta-feira, 21 de julho de 2010

2.1.8. Período pré-povoamento: João Ramalho.

João Ramalho e um de seus, inúmeros, filhos.
Queridos leitores do Olhar Direito, antes de tudo, gostaria de pedir desculpas por não ter postado mais um capítulo da série História do Brasil, quinze dias atrás, como deveria ter sido.

Não pude fazê-lo por razões profissionais, mas já estou um pouco menos atarefada e, por isso, vamos continuar com nossa história.

No post passado, falamos de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que chegou ao Brasil em 1510, sendo o único sobrevivente do naufrágio de um navio francês. Aqui ele fez amizade com os índios e até se casou com a filha de um cacique da tribo dos Tupinambás.

A princípio, o Caramuru sobrevivia servindo de “anfitrião” para os piratas franceses e espanhóis que buscavam o pau-brasil.

Entretanto, tempos depois, o Caramuru se tornaria peça-chave na colonização do Brasil pelos portugueses, razão pela qual vale à pena citar a sua chegada.

Neste sentido, saltamos de 1510 até 1513, para relatar a chegada de João Ramalho, outro personagem importante para colonização do Brasil.

Não se sabe ao certo nem quando e nem sob quais condições chegou. Por esta forma, utilizo o ano de 1513, baseada em uma das versões que diz que ele veio em uma nau que saiu de Portugal em 1512.

Na verdade isso é irrelevante, pois o que há de mais importante a dizer sobre este homem é que ele foi um dos fundadores do coração financeiro da América Latina: a cidade de São Paulo.

Nascido em Vizeu, por volta de 1943, João Ramalho era filho de João Vieira Maldonado e Catarina Afonso de Balbode, o que nos leva a constatar que seu sobrenome não adivinha de seus pais, ambos com sobrenomes judeus, não muito bem vistos pela Inquisição.

Dizem que o nome “Ramalho” era, na verdade, uma alcunha que fazia referência à sua longa barba, bigode e cabelo arrepiado e que ele era um cripto-judeu que fugiu para o Brasil, na qualidade de degredado.

A nau, que o trazia ao Brasil, naufragou na costa do que hoje é o Estado de São Paulo e João Ramalho, assim como o Caramuru, foi acolhido pelos índios e casou com a filha do cacique Tibiriçá, a índia Botira ou Potira, muito embora já fosse casado em Portugal.

Aliás, deve-se ressaltar que depois que deixou a esposa em Portugal, ele nunca mais a viu, pois também nunca mais voltou ao país, o que alimenta, mais ainda, a teoria de que ele era um degredado.

Junto dos índios, João Ramalho passou a viver como eles, inclusive andando sem roupa e desfrutando da grande liberdade sexual, que era cultural daquela tribo.

Com Potira, teve nove filhos, mas teve muitos outros com outras índias, inclusive com as irmãs de sua mulher e com suas próprias filhas.

Os historiadores relatam que essa libertinagem de Ramalho não era à toa, uma vez que mais do que satisfazer o seu desejo sexual, ter filhos com várias índias era uma forma de estabelecer vínculos com chefes de outras tribos, executando, assim, a inteligentíssima maneira portuguesa de colonizar: misturando-se aos nativos.

Os filhos de João Ramalho inauguraram uma nova raça no Brasil, os mamelucos, que são os filhos de branco com índio.

Conjuntamente com os filhos, Ramalho começou a aprisionar índios e vendê-los como escravos, de modo que também foi pioneiro no tráfico de índios.

E ao contrário do Caramuru, que tinha fama de boa gente, João Ramalho e sua prole, tinham fama de despóticos, truculentos e cruéis. Ou seja, eram um terror.

Ele chegou a ser excomungado por um padre por viver amancebado com Potira, mas, como sua influência era grande entre os índios e os Jesuítas precisavam do seu apoio para catequizar os índios, o readmitiram na Igreja a troco de casar-se com a índia, que foi batizada de Isabel.

Quando Martim Afonso chegou ao que seria à capitania de São Vicente, encontrou com João Ramalho, cuja liderança e conhecimento do território foram imprescindíveis não só para colonização daquele local, mas também responsável por tornar aquela região a mais importante e rica do país, até os dias de hoje.

João Ramalho faleceu em 1580, com 98 anos, e toda a população da vila de Santo André da Borda do Campo, hoje correspondente à cidade de Santo André no Estado de São Paulo, era formada por filhos, netos ou bisnetos seu, sem nenhuma exceção.

A descendência de João Ramalho foi tão vasta que todos os membros das famílias antigas e tradicionais do Estado de São Paulo são seus descendentes.

Pode-se afirmar que grande parte da elite brasileira é resultado das aventuras sexuais de João Ramalho e suas índias.

Larissa Bona

Próximo post em: 04.08.2010 – 2.1.9. Período pré-povoamento: quem não dá assistência, abre caminho para a concorrência
.

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Larissa

que historia.

Pensava que as outras "indias" eram da mesma tribo da sua mulher.
E pensava eu que nao se podia ter contacto com outras tribos.

Muito curioso a idade com que ele morreu : 98 anos. deve ser um caso de longevidade naquela altura.

No fundo, Sao Paulo é fruto do exercicio de Joao Ramalho?

Larissa Bona disse...

Sim, João Ramalho é, literalmente, o pai de São Paulo.

Hoje em dia não se pode mais dizer que a população dessa cidade é sua descendente porque há muitas pessoas vindas de diversos cantos do país e também de outros países, mas aquelas famílias mais antigas possuem todas o DNA de Ramalho.

Também me surpreende a idade com a qual morreu, considerando às condições de saúde da época, principalmente vivendo no meio da selva.

Até agora, de todos os personagens estudados, encontrei dois exemplos de longevidade: Ramalho e Içá-Mirim.

Para os caciques era chique ter um genro branco, afinal de contas, só havia um no meio deles.

Share Button