quinta-feira, 13 de maio de 2010

Bento XVI: Uma visita em que pela primeira vez os católicos portugueses são uma minoria

A visita de Bento XVI é pautada por um dado interessante e que vale a pena assinalar e reflectir. Pela primeira vez um Papa visita Portugal numa situação em que os católicos apostólicos romanos são uma minoria religiosa. Não vale a pena negar esta evidência, antes conviver com ela já que o óbvio é o óbvio. Aqueles que praticam efectivamente o culto religioso cristão são uma minoria e com idades avançadas o que inevitavelmente abre uma crise no seio da Igreja portuguesa da dificuldade de renovação de gerações e captação de jovens. Poderíamos mesmo comparar a adesão à Igreja por parte dos jovens como a adesão destes à política activa. Quando as instituições caem em descrédito os jovens não se conseguem rever nas mesmas, não é um acto de rebeldia mas sim um acto de pensamento racional e lógico. A verdade é que o retrocesso verificado com a escolha de Bento XVI para Papa veio fortalecer o sector conservador e elitista da Igreja Romana e (evidentemente) afastar todos aqueles que apesar da sua crença nos dogmas não se revêm em grande parte das políticas tomadas (ou não tomadas) pela "Santa" Madre Igreja.

Apesar de todas as evidências ainda nos denominamos um país maioritariamente católico. Questiono até que ponto é que todos aqueles que não praticam os sacramentos da Igreja podem ser considerados católicos (Não esquecer que por exemplo a falta à Eucaristia é considerado pecado mortal). Entramos pois num campo minado e de difícil movimentação, ponderação e reflexão. Na realidade o que é ser católico? De que forma a Igreja encara esse conceito? Até que ponto é que a instituição conseguirá captar novos fiéis mantendo esta linha totalmente incoerente?

8 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

desculpa Marta, mas em que te baseias para afirmar que os catolicos estejam em minoria em Portugal?

nao me parece que assim seja

Marta Sousa disse...

O conceito de católico só congrega os praticantes. Está explícito no texto.

É esta a ideia que eu compartilho:

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=78556

O Australopithecus disse...

A Marta tem razão. Ainda na semana passada o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa dizia que os católicos já são uma minoria, talvez a maior minoria que existe, mas uma minoria. Nessa análise ele também só considerava católicos os praticantes. "Um católico que não pratica não pode ser católico".
Se considerarmos apenas este critério então os católicos são mesmo uma clara minoria, em Portugal e ainda mais no resto da Europa, pois ele também olhou para o continente como um todo. Este facto é ainda mais notório entre a juventude como o texto nota. Basta pensarmos quantos dos nossos amigos vão à missa, pelo menos, uma vez por semana (como mandam os mandamentos). E falo, por mim, basta até ver que a maior parte das pessoas da minha idade que conheço nem professa religião alguma, apesar de quase todos terem sido baptizados. Contudo também reconheço que, mesmo não sendo praticantes, a maioria dos portugueses ainda se considerarão católicos. Basta olhar para os censos de 2001.

Anónimo disse...

Só depois de ter escrito o comentário de cima é que reparei que o link da Marta também leva para uma declaração do Prof. Marcelo.lol
Contudo eu não o ouvi na Universidade do Minho mas sim na Feira do Livro, na apresentação do livro da Aura Miguel sobre o Papa Bento XVI.

Sandra disse...

Ola meu amigo Chico. Passei por aqui para deixar um grande abraço a vc. e a Marta. Como está a 3ª Fase da Poesia.
Não esqueça de me avisar.
Ando trabalhando basatante. Por isos me ausentei. Mas sempre darei uma passadinho. Hoje no Meu curso lembrei de vc e da Marta, na Questão da Ortografia(nova).
Brasil e Portugal na sua nova formulação.
Estamos fazendo um curso sobre alfabetização e o Letramento. Saiu uma questão em cima do texto que estavamos trabalhando e citei vcs.
Dei um exmplo da Marta, do qual ficou registrado em uma das suas postagens anteriores. Referente as maneiras que se escrevem.
Olha sempre lembro de vcs.
Um forte abraço.
Quando puder venham até o meu blog. Ficarei muito feliz com visita de vcs dois. Desde já deixo o registro. Olha, não é a primeira vez que faço o convite aos dois.
Vou esperar. meu blog sempre estará de portas abertas para recebê-los.
Um grande abraço.
sandra

Francisco Castelo Branco disse...

Austrolopitecus

Eu concordo em muitas.
De facto, as pessoas mais novas professam pouco a religião. Ou praticam.
Podem ser Catolicos e não seguir os ditos mandamentos.
Na quarta feira, Carlos Abreu Amorim no programa "DIrecto ao Assunto", disse mais ou menos que as pessoas não precisam da Igreja para nada. Ou do catolicismo. Que isso não interfere com a sua vida.
A sua vida não é planeada segundo esses ditames.

É por isto que as pessoas (sobretudo os mais jovens) tendem a desvalorizar a igreja. Até porque esta cheia de regras e proibições. Que a maioria dos jovens com certeza não quer cumprir.

Marta, pois nao sabia que o conceito de catolico so congrega os praticantes.
Então não sou catolico, porque nao pratico. Uma novidade.

Mesmo assim, custa-me a acreditar que em Portugal os catolicos ainda sejam uma minoria.

O facto da maioria dos jovens não professar a religião levanta um problema. Qual o futuro do catolicismo no nosso país? E qual a razão do afastamento de milhares de jovens da religião, quando por certo tiveram nos seus pais uma educação catolica?

Penso que a Igreja não está a olhar o futuro para daqui a 20/30 anos.

São questões interessantes que fazem pensar.
É um problema que existe.


Sandra : qual blogue? vc tem imensos....
Quanto ao concurso estamos em fase de recolher as pontuaçoes da 2fase

Aquele Com Falta de Capacidade Racional disse...

Espanta-me que agora a interpretação de jornalistas sobre as opiniões do Prof. Marcelo sejam agora tomados como factos. Especialmente quando isso nem reflecte a realidade do que ele disse...

É preciso ter cuidado e ler atentamente as notícias antes de tirar daí conclusões e as chamar de evidências.

Em primeiro lugar a opinião (já faço a fundamentação com factos, mas já lá chego) foi de que os católicos praticantes são uma minoria. Repito para ser mais claro: O Prof. Marcelo não diz que os católicos são uma minoria, mas sim que os praticantes o são. Uma grande diferença que o Jornalista não teve capacidade intelectual (ou honestidade intelectual, porque este titulo dá mais jeito e chama mais a atenção) para a perceber.

Mas para haver uma minoria é preciso haver uma maioria. E qual é neste caso? São obviamente os não praticantes. Significa isso que a instituição está desacreditada? Se continua a ser a maior das religiões e uma larga maioria do país a considera a sua religião apesar de não seguir à letra todas as indicações como podemos a afirmar como desacreditada? Nessa lógica haverá alguma instituição com crédito em Portugal? (pun intended)

Ao contrário da Marta (que inventa um novo conceito de católico como apenas aquele que o pratica) acho extremamente errado reduzir os católicos aos praticantes. Aquele que não cumpre uma lei deixa de ser português? O adepto de futebol que não vai ao estádio deixa de ser apoiante do seu clube? E aquele que não paga cota, será menos adepto?

(os seguintes dados são do censo 2001) Os católicos praticantes no nosso país são 2 milhões (sim, 2 milhões, um em cada 5 pessoas é praticante). Isso é uma minoria? Só se apenas para aqueles que escrevem para chocar. Além disso 89,9% da população afirma-se católico não praticante. Mesmo face à opção de não colocar nada! Se descontarmos todos os idosos (acima de 65 anos), que são 17,3% da população (dados INE 2006) ainda ficamos com 72,6% da população que activamente afirma-se católico. Se nem a igreja descarta as pessoas por não serem praticantes, nem as próprias pessoas se descartam por esse motivo, com que direito as podemos descartar nós?

Será que apenas 10,1% da população portuguesa é capaz de pensamento "racional e lógico"? Porque é que a Marta afirma que são os jovens menos a aderir? Será que acha que estes são todos nos 10,1% que não indicou-se como católico? Ou será que apenas nos jovens há quem seja capaz de pensamento "racional e lógico"? E porque é que ser "racional e lógico" é não ser católico? E com que base se afirma que determinada instituição entrou em descrédito? Será que é falta de conhecimento?

Afirmar que eleição de Bento XVI reforçou a ala conservadora é ler sem interpretar e sem procurar saber mais. Aconselho-te Marta vivamente a ler sobre os feitos de uma pessoa antes de a julgar. E ainda mais a não usar a opinião dos jornais como sua! Pergunto: Que politicas conservadoras que afastaram aqueles que acreditam em dogmas tomou o Papa desde que foi eleito? Certamente será muito fácil indicares pois é "evidente", correcto?

Desculpem o texto comprido, mas como católico não praticante (e que não crê em muitos dos seus dogmas), achei o texto ou de uma enorme desonestidade intelectual, pois está repleto de informações e afirmações erradas para gerar debate e chamar atenção, ou de incapacidade intelectual pois baseia-se em interpretações de opinião como factos, chamando-as de evidências, em muitos casos "inventando" essas "evidências" sem bases fundamentadas, e chegando ao ponto de insultar muita gente (jovens e não só) acusando-as de falta de capacidade "lógica e racional".

Marta, peço desculpa pela minha frontalidade, mas tenho a certeza (pois já o vi) que consegues melhor...

expressodalinha disse...

Texto inteligente.

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