terça-feira, 18 de maio de 2010

Acordo nuclear: Brasil, Irã e Turquia - Sucesso ou Engodo?

Acredito que o assunto do meu post de hoje não poderia ser mais previsível: o acordo nuclear firmado entre Brasil, Irã e Turquia.

Em mais uma tentativa de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil, Lula fiou-se em seu carisma internacional para tentar convencer o Irã a não enriquecer urânio em seu território e, assim, buscar uma saída pacífica para o impasse que estava a ponto de culminar em uma sanção do referido Conselho de Segurança.

Os Estados Unidos viram a iniciativa do Brasil como a última chance que eles dariam ao Irã antes de movimentar-se no sentido de promover sanções contra o país dos aiatolás.

Entretanto, percebiam e continuam percebendo esta tentativa como algo sem credibilidade.

O certo é que ontem foi anunciado que Ahmadinejad concordou em enriquecer o seu urânio na Turquia, país que, embora tenha atuado como coadjuvante na construção do acordo, tinha interesse em participar do mesmo, com a finalidade de aumentar sua influência no mundo islâmico e, conseqüentemente, firmar o seu papel de principal interlocutor entre o oriente e o ocidente, afinal de contas, isso seria perfeito para quem almeja fazer parte da UE.

O aludido acordo prevê que o Irã entregue 1.2 toneladas de urânio à Turquia, enriquecido a 3.5%, e um ano depois receba 120 kg de urânio, enriquecido a 20%, advindos da França e da Rússia, para que pudesse ser utilizado para fins pacíficos.

O problema é que após a divulgação do acordo, Teerã emitiu comunicado no qual diz que o país continuará a enriquecer urânio a 20% em seu território. E aqui neste ponto, confesso a todos os leitores que não entendi nada!

E a respeito disso, li opiniões de vários especialistas, muitas contraditórias, mas coerentes com a localização geográfica de cada um desses especialistas.

Por exemplo, segundo o professor de Relações Internacionais e diretor de estudos iranianos da Universidade de Stanford (EUA), Abbas Milani, os esforços do Brasil são válidos, contudo o país sofrerá perdas futuras se continuar próximo do regime de Ahmadinejad.

Já o analista da Universidade Teerã (Irã), Mohammad Marandi, entende que Lula calou a boca do ocidente, principalmente dos Estados Unidos, uma vez que considera que Hillary Clinton menosprezou os esforços brasileiros e turcos.

Concordo com o jornalista brasileiro Luiz Felipe de Alencastro, cujo vídeo no qual expõe a sua opinião coloquei neste post.

Não se pode dizer que foi uma vitória, temos de esperar o desenrolar dos fatos e, principalmente, o comportamento de Teerã. Todavia, não se deve descartar o mérito do acordo, por completo, pois Brasil e Turquia conseguiram que o Irã voltasse à mesa de negociações.

Em minha opinião, este acordo não é uma solução, mas representa um primeiro passo. Ponto para o Lula, pois hoje a China manifestou-se favorável ao acordo, rompendo o ceticismo que reina no Conselho de Segurança da ONU.

Larissa Bona

3 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Não vale a pena estarmos a perder tempo com o Irão.

Ou é guerra ou não.

Mais adiamento de sançoes vai piorar a situação.

Não devemos confiar na palavra de Ahmanidejad.

Quanto mais pensamos que se vai chegar a um acordo, mais tempo dá a eles de enriquecerem cada vez mais...

Nem Lula nem ninguem vao mudar o rumo dos acontecimentos

Larissa Bona disse...

Acredito que esse acordo não vai valer de nada. Os Estados Unidos não o compraram. É uma pena porque sempre a via diplomática é a mais salutar. Vamos ver o desenrolar do caso nos próximos dias...

Larissa Bona disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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