segunda-feira, 31 de maio de 2010

5.3 - O despertar do Povo

Apos a consciência de que o poder estava prestes a cair em mãos espanholas, o povo e a nobreza uniram-se em torno de alguém que pudesse travar a mais que inevitavel União Portugal-Espanha através do casamento real.

D.João I, Mestre de Avis foi o escolhido para fazer frente à ofensiva castelhana. No dia 6 de Abril de 1385 é reconhecido como Rei de Portugal. Assim nasce a Dinastia de Avis. Mas de D.João falaremos mais adiante num post autónomo.

D. João I reuniu a maioria do seu apoio na burguesia das cidades e dos campos. A burguesia e o povo eram os maiores partidários do rei português. Já D.Beatriz tinha a seu lado a nobreza e o clero. Estavam assim em confronto também as classes sociais. Compreende-se o apoio popular a D.João I. Sempre foi a classe mais patriótica. Sempre o será. Daí que temendo a perca da independência, o povo tenha despertado e apoiado o mestre de Avis.

A explicação deste apoio é simples. Várias teorias surgem a propósito deste assunto:

O historiador António Sérgio atribui a origem destes acontecimentos à grande alteração económica e social provocada pela peste negra. As populações fugiram do campo para a cidade e o desemprego no mundo agrícola aumentou. Os senhores da terra obrigaram muitos trabalhadores a ficarem nas terras sem auferirem nenhum rendimento. Com a morte de D.Fernando muitos burgueses pressionaram os camponeses a revoltarem-se e a exigirem mais direitos.

Já Joaquim Veríssimo Serrão não concorda com esta teoria. Porque crises agrícolas e revoltas populares sempre existiram. Para o historiador a origem da revolta das populações deveu-se aos desastres das guerras de Castela. E da ocupação que a capital sofreu dos inimigos durante três meses em 1373.

Podemos referir com clareza que houve uma separação de classes. Cada uma apoiou a sua figura conforme os interesses que mais lhe interessavam. O Clero e Nobreza sempre ligados ao poder e à fortuna, estavam com D.Beatriz e Castela. O valor da independência não lhes era importante. Devido à sua posição e forte influência junto da Monarquia estiveram sempre com os poderosos.

Já a Burguesia ( que era achincalhada pela Nobreza) e o povo queriam mais igualdade. Sendo as classes mais maltratadas achavam que sendo governados por Castela isso significava o seu fim como classe. E mais desigualdades. O patriotismo era para eles uma questão de honra.

Portugal enfrentou neste período uma crise politica, social e economica. Sem Rei, com uma guerra à vista, as classes sociais divididas entre si e uma situação económica degradante. Isto tudo depois de termos sido atingidos pela Peste negra.

Com as divisões que se registaram depois da morte de D.Fernando, estavam reunidos todos os elementos para que Portugal entrasse numa guerra histórica. Devido ao momento, às personagens envolventes mas também pela forma como D.João Mestre de Avis, D.Nuno Alvares Pereira e a Padeira de Aljubarrota conseguiram vencer os espanhois com a famosa táctica do quadrado.

Foi com D.Nuno Alvares Pereira que José Mourinho aprendeu as tácticas que hoje em dia tão bem usa nos clubes de futebol por onde passa.

A seguir nos próximos capítulos a vitória histórica em Aljubarrota.

(continua dia 14 de Junho : Aljubarrota e o Santo Condestavel...)

7 comentários:

expressodalinha disse...

Só não concordo com o excesso de "patriotismo". Nessa altura nem sequer havia bem uma nação, quanto um país, muito menos Pátria! Foi uma luta de classes, sem dúvida. A emergência da burguesia, mas patriotismo não. Isso aprendemos nós na "catequese".

António Rosa disse...

Caro Francisco

Tenho o maior gosto em partilhar consigo o selo 'Homens Fabulosos', por ser admirador do seu trabalho bloguístico.

Pode recolher o selo clicando aqui.

Abraço,

António Rosa

Francisco Castelo Branco disse...

Jorge, as pessoas antigamente eram muito mais patrioticas.

Naquela altura havia a causa. O derrotar os espanhois. E o povo foi quem mais sofreu com as invasões dos nossos vizinhos. Pois iriam ser subjugados.

Daí que tenham apoiado D.Joao : era a causa nacionalista que estava em causa. A defesa do território.

Hoje em dia não ser verifica isso. Só quando entra a selecção é que o povo se une!

Anónimo disse...

FCB o meu comentário já está feito nas palavras do “expresso”,assino por baixo acrescentando apenas que o mito “brites de almeida” (padeira de Aljubarrota) não deveria ser junto ao verdadeiro implementador da táctica do quadrado , Nuno Alvares.
Brites de Almeida, diz a lenda que era natural do bairro do “Alto Rodes” onde até existe uma rua com o seu nome, hoje parte integrante de Faro, entra na “ estória” não na História ,salvo erro pela pena de Fernão Lopes para mostrar ou provar que todo o povo entrou na luta contra Castela . Como todos os mitos, deve ser visto como tal: um mito
DCS( apt)

expressodalinha disse...

Sem dúvida. Um mito importante, mas um mito. A noção de Pátria é uma "invenção" do séculodas Luzes.

Francisco Castelo Branco disse...

entao a Sra Aljubarrota nao existiu foi isso?

Anónimo disse...

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