terça-feira, 9 de março de 2010

O Brasil e a homofobia

Marcelo Dourado


Por conta das mulatas nuas no carnaval, todos sempre tiveram a imagem que o Brasil é um país liberal. Entretanto, quem assim pensa está redondamente enganado.

Na terça-feira passada subi um post falando da censura que o CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) fez sobre uma propaganda de cerveja, por considerá-la sexista e desrespeitosa, muito embora, pelo vídeo que subi aqui, observa-se que não tinha nada demais.

E nos comentários desse post, foi muito bem lembrado, pelo Francisco, o episódio do vestido de Geisy, que quase foi linchada na faculdade, onde estudava, por vestir uma roupa curta.

Portanto, resolvi seguir com os relatos sobre a intolerância no país do carnaval, falando de uma nova polêmica que estamos a enfrentar na televisão: a homofobia.

Sei que em muitos países este programa já deixou de ser veiculado, mas aqui o Big Brother, ou melhor, o BBB (Big Brother Brasil), é um dos programas de maior sucesso de audiência e renda publicitária da TV brasileira, que atualmente está em sua décima edição.

Neste ano, numa tentativa de inovar, a produção do programa colocou três participantes assumidamente homossexuais: o maquiador Dicésar, o estudante Serginho e a jornalista Angélica, aos quais batizou de “tribo dos coloridos”.

Já na primeira prova do líder, a produção do programa trouxe ex-participantes de outras edições do programa para tentar “apimentar” mais as coisas e, dentre eles, estava o lutador Marcelo Dourado, ex-participante da edição 4 do BBB.

E foi aí que começou o problema, pois o comportamento de Dourado, relativamente aos membros da tribo dos coloridos, foi de extrema homofobia.

De cara, ele teve conflitos com o maquiador Dicésar e, nesta semana, o chamou de “viado”.

Portou-se de maneira grosseira com Sérgio, por este falar de relações gays à mesa, ao ponto de levantar-se alegar que havia perdido a fome com tal assunto. Coisa que não fez quando o participante, teoricamente heterossexual, Cadu relatou que havia se masturbado na casa, pois este é seu “brother”.

E também teve uma discussão séria com Angélica por conta do jogo e disse, que se ela não fosse mulher, a teria arrebentado e deixado no hospital.

Além de tudo, na primeira semana do confinamento, foi extremamente hostilizado pelos demais participantes devido ao seu comportamento grosseiro e machista.

Isso sem olvidar que Dourado, que tem uma suástica tatuada no braço, falou que ser xingado de gay seria a mesma coisa que ser xingado de ladrão ou nazista e, ainda, soltou a pérola que heterossexuais não pegam AIDS.

Em suma Dourado é assim: homofóbico, violento – só sabe resolver as coisas na base da “porrada”, machista e mal-educado. Mas isso é um direito dele não? Não podemos julgá-lo por isso, pois cada um tem o o livre arbítrio de comportar-se como bem entende.

E sinceramente, a atitude de Dourado me parece vergonhosa, mas não é minha maior preocupação. O verdadeiro problema, neste caso, é justamente o seu comportamento estar a ser literalmente aprovado pelo Brasil, ao ponto da sua torcida estar a dizer que há “heterofobia” contra ele.

Hoje, apesar de seus modos, é o participante mais popular do programa e deve levar os R$ 1,5 milhão (um pouco menos que 500.000€) do prêmio.

E Dourado não é o único exemplo disto, no ramo dos reality shows. Por exemplo, no reality “A Fazenda”, da Rede Record, o grande vencedor foi o ator Dado Dolabella, que enfrenta processo judicial por ter agredido fisicamente sua então namorada, a atriz Luana Piovani.

É realmente uma vergonha que isto esteja a ocorrer, porque os vencedores dos programas são escolhidos por meio do voto popular e isso significa que, se pessoas com este tipo de atitude são vencedoras, é porque a sociedade brasileira apóia este tipo de comportamento, de vez que os reality shows sempre são seu retrato.

Por fim, só me resta lamentar que a sociedade brasileira, em sua grande maioria, ainda sejamos homofóbicos, machistas, racistas, violentos e, acima de tudo, intolerantes.

Larissa Bona

3 comentários:

Rafael disse...

enquanto eu vivi na inglaterra havia muitos problemas desse tipo, os miudos chatiavam os outros tentando parecer gay mas ás vezes as coisas ficavam muito violentas, era assim que os miudos ficavam homofóbicos.
mas os verdadeiros gays eram sempre simpáticos com toda a gente :)

continuando assim... disse...

convite para seguir a história de Alice, lá no
--- continuando assim... ---

vai do capítulo 4 , e ainda há tanto para contar ;)

bj
teresa

Anónimo disse...

La' como ca' as redes de televisao batem- se para ver quem consegue ter mais gays por metro quadrado!
Parece que compensa.

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